Sobre expectativas

“Não crie expectativas. Elas não servem para nada”.

Li dia desses e veio como uma flechada, daquelas bem certeiras. Senti a indireta, tá, vida?! Tô sabendo… Mas, se é tão óbvio assim, se a danada faz tão mal, magoa, faz doer, chorar, sofrer, por que a gente insiste em criar? Sabemos bem onde vai dar.

A verdade é que costumamos idealizar um tanto de coisa nessa vida. Coisas, momentos e pessoas. A vida em si pode ser uma total idealização, se assim você permitir – e é aí que mora o perigo. Nada (e nem ninguém!) vai ser exatamente como desejamos. As coisas são o que são, assim como as pessoas.

Então, porque nós, seres humanos (lê-se totalmente imperfeitos), insistimos em desejar coisas perfeitas, redondinhas, sem eiras nem beiras? Coisa louca que é cobrar do universo e do outro uma perfeição que nem a gente pode oferecer. Mais louco ainda é pensar que tudo seria bom se realmente fosse totalmente controlável. A gente cresce é em meio às adversidades. Eu acredito, inclusive, que existe um propósito maior por trás de cada uma delas.

De sacudir, fazer pensar, recalcular a rota. Afinal, somos lugar de eterno recomeço.

A tal da expectativa já me levou para lugares horríveis, como ficar cega diante de tudo aquilo que está bem a minha frente: a minha vida como ela é. Porque bom mesmo é a gente abraçar as coisas como elas são – e, digo mais, devem ser. É a tal da verdade que eu busco, todos os dias. Estar aberto ao processo, seja ele como for. Doa a quem doer. E dói, hein? Fácil não é. Mas, vou te contar uma coisa: ninguém disse que seria.

Eu sempre brinco que o lance é sair deste plano melhor do que a gente entrou. E dá pra melhorar um tanto. Só que é um desafio diário, step by step, a passos de formiguinha. Mas, sinceramente? Não importa. O que importa é que estamos tentando; o progresso existe. E que venham novas expectativas para que sejam quebradas por nós mesmos. Para que a gente vá descobrindo, aos pouquinhos, que o que tem preparado para nós lá fora é o melhor que podíamos receber.

Afina, a vida não é o que achávamos, nem nada daquilo que nos disseram. É muito melhor que qualquer expectativa que criamos.

Tô com você nessa. Sozinho ninguém está.

Júlia Groppo

Por julia às 27.04.19 Comentários
Ressignificar

“Verbo transitivo que caracteriza a ação de atribuir um novo significado a algo ou alguém“.

Sem dúvidas, graças aos últimos anos, essa se tornou uma das minhas palavras preferidas. Tenho uma coleção delas que carrego comigo pelos meus dias e ressignificar tem um espaço todo especial só para ela.

Dia desses, li que nem sempre precisamos de novas paisagens para ter a chance de experimentar novos sentidos para a nossa vida, mas aprender a olhar para as mesmas de formas diferentes. Fez tanto, mas tanto sentido para mim, que decidi aceitar o desafio. Então, passei a usar a minha rotina – que reúne algumas dessas paisagens diárias – a meu favor, usando todas as possibilidades que ela me oferece.

Da hora em que acordo, até o momento em que decido encerrar mais um dia, tenho exercitado o meu olhar para as coisas, tentando enxergá-las além do que um dia consegui; atribuindo novos significados para os hábitos que eu criei, mudando o caminho de alguns destinos, invertendo horários de atividades e enxergando cada problema como uma oportunidade.

É como se eu estivesse experimentando uma nova vida dentro da minha própria, e o mais engraçado é que nada de tão diferente aconteceu. Eu apenas decidi enxergar além; esgotar as possibilidades, olhar além do óbvio, mudar a perspectiva. Se não é maravilhoso o poder que temos de viver diferentes possibilidades em uma mesma rotina, eu não sei o que é.

Tem sido um tanto incrível.

Júlia Groppo

 

Por julia às 19.04.19 Comentários
O pouco e o muito que sei

Grande parte das respostas sobre nossas maiores dúvidas estão dentro de nós. É louco pensar que, mesmo que tudo isso esteja tão aqui perto, tão aqui dentro, não conseguimos descobrir tudo de uma vez só. Levam dias, meses, anos… Trancos e barrancos. É por isso que, para mim, a vida é um presente.

Ela tem paciência com a gente, com o tempo que a gente leva pra aceitar e entender algumas coisas – sobre nós e sobre o mundo. Ela permite que a gente vá caminhando e descobrindo tudo aos pouquinhos, num jogo de aquecer nosso coração pelas novas descobertas sem deixar que nos saciemos para sempre buscarmos mais. Afinal, a evolução é mágica e está sempre acontecendo.

E se de repente você se perder no meio do caminho, o sol se põe, a noite chega e amanhã um novo dia nasce. Do lado de fora e dentro de você. Mais uma chance de viver novas descobertas. E, se for preciso, segundas, terceiras, quartas, quintas chances…

Tem vezes que a gente vai como quem dança aquela música sem apreciar, com pressa de saber a próxima. Mas vou te contar uma coisa que tenho aprendido: o que importa é caminhar para frente e absorver o melhor que cada dia tem a nos ensinar. E se a gente se abrir, tem um tanto de coisa boa escondida nos nossos dias, seja para nos lembrarmos quem somos, seja para descobrir novos pedacinhos de nós.

Recorda sempre que o lance é sair daqui melhor que a gente entrou.

E essa pressa toda aí, é pra quê mesmo?

Júlia Groppo

Por julia às 04.11.18 Comentários
Dieta da mente

Precisamos falar sobre o que consumimos diariamente – e não me refiro aos alimentos.

É verdade que a nossa alimentação é algo que merece devida atenção; cuidar da nossa saúde deve ser um dos primeiros itens da nossa lista de prioridades. Mas, quando digo saúde, me refiro, também, à mental. Mente e corpo trabalham juntos, diariamente, pelo nosso bem-estar; e, mais que isso, interferem no trabalho um do outro quando, de repente, começamos a deixar um dos dois de lado.

A situação mais comum – a julgar pelo meu círculo de amizades e convívio – é a seguinte: todo mundo faz algum tipo de exercício para o corpo, e isso é ótimo. Mas, poucos têm noção da importância de malhar, também, o nosso cérebro – ou, ao menos, ser dono daquilo que você permite que esse órgão do seu corpo consome, todos os dias.

Vou dizer onde quero chegar: nas 24 horas que nos são dadas diariamente, temos ao nosso dispor uma infinidade de informações, bombardeadas de todos os cantos do mundo. Somos uma geração que acorda com o celular ao nosso lado (isso se não pegamos no sono rolando o feed do Instagram – e que atire a primeira pedra quem nunca fez isso, ao menos, uma vez). De manhã, com os olhos mal abertos e a mente ainda atordoada com o sono profundo no qual você entrou, começamos a receber notificações de todas as redes sociais possíveis e não hesitamos em pegar o bendito em mãos.

Quando parei para analisar tal situação, percebi que algo estava muito errado. A gente não se dá folga, sabe? Não estamos nos dando o maravilhoso presente que é o devido tempo para respirar; para ser/estar no mundo sem precisar fazer parte de absolutamente tudo o que acontece ao nosso redor. Não estamos tendo noção do que consumimos, todos os dias. Nós apenas permitimos.

Existe uma passagem em Coríntios que gosto muito; minha mãe repete-a até hoje para mim. Diz o seguinte: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”.

Você pode consumir o que quiser. O mundo está aí, nunca antes tão acessível, a um clique de distância. Mas, se quer um conselho, lá vai: filtrar é preciso.

Tenho tentado, cada vez mais, fazer com que a primeira e a última coisa do meu dia não sejam olhar o celular. Quero dar de presente, a mim mesma, consumir apenas coisas que me fazem bem – o que não quer dizer alienar-me no mundo de Pollyana, pelo contrário, mas consumir o que tem a ver com os meus objetivos de evolução, sejam informações boas ou ruins, mas que, de certa forma, estão me acrescentando. O que fizer sentido, sabe como? – E, aqui, não me refiro apenas às redes sociais, mas às pessoas com as quais convivemos, às rodas conversas nas quais nos submetemos participar.

Saia de perto, afaste-se, blinde-se. Você não precisa consumir absolutamente tudo que chega até você. Crie o seu próprio filtro. E se de repente alguma situação for inevitável, escute por um ouvido e solte pelo outro. Não internalize.

Se algo te faz mal – ou, pior ainda, não te acrescenta em absolutamente nada -, deixe para lá. Dê unfollow, delete a playlist, silencie o storie, troque o número do celular, deixe de seguir no Facebook, evite aprofundas as conversas.

Proteja a si mesmo de tudo aquilo que não vai te levar a lugar nenhum – seja para frente, ou para dentro de si mesmo, quando precisamos acordar para algo que não está ok.

Júlia Groppo

Por julia às 01.11.18 Comentários
Não sei para onde vou, mas estou indo

Ta tudo bem não saber exatamente para onde você está indo neste momento da vida. Quem foi que te disse que precisamos de certezas para continuar seguindo em frente? Nós só precisamos de vontade mesmo. Se querem saber, tem muita poesia em caminhar por aí sem mapas, bússolas ou GPS, apostando todas as suas fichas na sua intuição; na bússola da essência, sabe como?

Já vivi um ano todo guiado por, praticamente, apenas um sonho (alô, 2016 <3) e não me arrependo. Lembro do tanto de energia e força que depositava nas minhas ações diárias, de tão focada que estava, e o quanto isso me fez atingir resultados ainda melhores que os esperados. Porém, momentos como esse, em que não sabemos exatamente para onde estamos indo, também têm seu valor. É como se você estivesse vivendo cada dia, de fato, em sua finitude. Sabendo que, não importa o que te espera lá na frente, esse dia aqui jamais vai voltar, não importa se bom ou ruim, e é necessário vivê-lo, da maneira mais entregue possível.

Se me permitem, aqui vai o meu palpite: estar perdido é uma oportunidade que a vida te dá de se encontrar dentro de si mesmo. Se os caminhos lá fora parecem confusos demais – porque, muitas vezes, o mundo vai te parecer meio sombrio -, saiba que este é o momento de procurar as respostas do lado de dentro.

Conhecer a ti mesmo.

Há uma frase do filme Alice no País das Maravilhas que gosto muito. Alice está perdida e, ao encontrar o gato, pergunta onde aquele caminho vai dar; ele questiona para onde ela pretende ir. Ela, no entanto, diz que não sabe, pois está perdida. Então, ele afirma: “para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve”.

Um tanto assustador, certo? Mas, quando parei para analisar essa frase alguns dias atrás, ela pode ter um sentido bem mais divertido, se assim você quiser: para quem não está focado em apenas um caminho só – e, muitas vezes, determina que só vai alcançar a felicidade quando “chegar lá” -, os caminhos que vão sendo traçados podem ganhar seu devido valor.

Quanto te perguntarem para onde você está indo, não tenha medo de dizer que está descobrindo. Dê a si mesmo o tempo necessário para se (re)encontrar. Como eu já disse por aí, nossas certezas são um lugar muito confortável de se estar, mas permanecer por ali por muito tempo é bastante perigoso. Recalcule a rota, se assim for preciso.

Afinal, we’re all mad here.

Júlia Groppo

Por julia às 30.10.18 Comentários
Beba água

Eu sei, você deve estar me achando meio maluca. Logo eu, que venho aqui, em 99% das vezes, para falar sobre sentimentos, vim falar sobre tomar água. Mas a verdade, meus caros, é que esse hábito de tomar ao menos dois litros de água por dia pode se tornar um dos seus maiores aliados na vida – e uma grande brincadeira consigo mesmo, devo dizer.

É o que tenho feito, todos os dias, há alguns meses. Brincar de quantos copos ou garrafas de água consigo beber em apenas 24 horas. O mais engraçado é que algo que já fez tanto – e bota tanto nisso! – parte das minhas listas de metas do ano e que antes parecia chato demais para ser possível, tornou-se um dos momentos favoritos do meu dia.

Ao acordar, a primeira coisa que faço – além de me espreguiçar – é tomar um copo cheio de água enquanto admiro a vista da sacada do meu apartamento. Sabemos: tornar algo um hábito requer tempo e esforço. Portanto, se essa é uma das suas metas do ano – ou de vida – tenho algumas dicas que me ajudaram e que quero muito compartilhar com vocês, porque, sério: meus dias são mais felizes quando acompanhados de muita água (eu sei, sou patética rs).

A primeira é: compre uma garrafa que você ache IN-CRÍ-VEL. Sério, fará toda a diferença. O segundo passo é andar com ela para cima e para baixo. Faça da sua garrafa de água sua nova melhor amiga. Terceiro: torne o fato de precisar beber dois litros desse líquido uma brincadeira diária – tem sido bastante divertido para mim.

Acredito que não seja segredo para ninguém, mas, numa dessas, você está fazendo um bem danado a si mesmo: tomar água mantém nosso corpo hidratado, elimina toxinas – assim como estrias e celulite -, melhora o funcionamento de órgãos como o rim, além de auxiliar na digestão e diminuir o inchaço (e não para por aí).

No meu caso, quando termino o meu dia sabendo que bebi muita água, me sinto em paz comigo mesma e pronta para o próximo.

Lembre-se: quando tudo estiver bem, tome um gole de água. Quando tudo parecer meio errado, tome uma garrafa inteira. Na rua, na chuva ou na fazenda, sabe como?

Tome água – quando, onde e o quanto puder.

Júlia Groppo

Por julia às 28.10.18 Comentários
Sobre dias difíceis

Você mal acorda e o dia já se mostra um daqueles bem difíceis. O mais engraçado é que, quanto mais você pensa “não tem como piorar”, você descobre que tem, sim, da pior maneira possível: coisas ruins continuam acontecendo e aumentando o nível de dificuldade daquele dia. Além disso, a vontade de jogar tudo pro ar e fazer a única coisa que você mais precisa naquele momento só aumenta: voltar para a sua cama – conhecido como o lugar mais quente e seguro para se estar.

Em dias como esse, tenho duas dicas para te dar:

Primeiro, comece sendo teimoso.

Às vezes, o Universo só quer testar até onde ele pode ir com você; até onde você permite jogar o jogo da vida e ser forte o suficiente para levantar após cada queda, independente se for uma leve ou daquelas que deixam algumas cicatrizes. Respire fundo, volte toda a sua atenção para tudo aquilo que você precisa cumprir naquele dia – e também nas coisas boas que você planejou para ele (lembra aquele lance de tornar todo dia um dia bom?) -, e tente esquecer dos tropeços que foram acontecendo. Abra o seu guarda-chuva e proteja-se.

Mostre ao Universo que você também sabe brincar.

Não funcionou? Tudo bem, têm dias que nasceram apenas para darem errado mesmo. Explico: a segunda dica é, simplesmente, abraçar esse tal dia ruim. Com certeza, ele não está acontecendo por acaso – porque nada nessa vida é. O Universo adora brincar com a gente, mas ele também está sempre tentando nos dizer algo. Portanto, feche o seu guarda-chuva e aprenda a dançar no ritmo da música que foi colocada para você. Na chuva mesmo.

Às vezes, estamos tão confortáveis em nossas certezas, que não paramos sequer para prestar atenção no que está ao nosso redor. É por isso que, talvez, precisamos tropeçar aqui, para olhar para o céu. Cair dali, para olhar para o chão. E o Universo sabe muito bem disso.

Façamos o seguinte: torce por mim que eu torço por você. Afinal, dias difíceis existem, mas eles foram feitos para serem vencidos.

Júlia Groppo

Por julia às 26.10.18 Comentários
FAÇA UM CARINHO EM SI MESMO

Era final de 2015 e eu não estava em uma fase legal. Teimosa que sou, comecei a pensar no que eu poderia fazer para reverter aquela situação. Leva muito tempo para eu desistir de mudar alguma coisa; como diria a minha mãe, quando eu enfio algo na cabeça, sai de baixo; me meto em diversas brigas com o Universo, até ele me provar, de uma vez por todas, que eu só preciso aceitar o que está acontecendo.

Eis que essa minha cabeça dura acabou me rendendo uma lição valiosa, da qual nunca mais me esqueci – e que aplico todos os dias na minha vida.

Naquela época, eu estava muito focada no que os outros estavam fazendo ao invés de prestar atenção no que de mais valioso eu tenho: a minha vida. Foi aí que pensei: porque não, então, fazer algo POR MIM, todos os dias? Redirecionar os esforços, sabe como? De criar uma nova playlist a comprar um livro novo ou um doce na padaria da esquina. Decidir fazer nada – porque simplesmente estou afim – a comer uma porcaria em plena segunda-feira.

Me desafiei a fazer um carinho na Júlia, todos os dias, fosse dos grandes ou algo como um detalhe – que se tornaram os meus preferidos, devo dizer. Coisas pequenas me encantam. Desde então, fui descobrindo que a vida acontece todos os dias. Não importa se é terça, quarta, sábado ou domingo. A gente tem que se amar o tempo todo – e escolher a nós mesmos, sempre que possível.

Por isso, te convido a parar um minuto e pensar: quanta gente você se esforça para agradar? E, em alguns casos, acaba falhando – porque viver às custas do que vão pensar pode ser bem doloroso. Portanto, use toda essa energia desgastante em algo que vai mudar a sua vida: compre o seu doce preferido ao sair do trabalho, vá passear sozinho, faça maratona daquela série que você tanto ama até altas horas, tome o pote inteiro de sorvete, desligue-se do mundo e fique em silêncio.

Aqui, só não vale ir para a cama a noite sem ter feito, pelo menos, uma coisa que você gosta. Seu maior compromisso, todos os dias, deve ser com você.

Me conta se der certo?

Júlia Groppo

Por julia às 25.10.18 Comentários
Pequenos grandes desejos

Quer uma verdade sobre mim? Qualquer paixão me diverte.

Fácil demais me deixar feliz; arrancar um sorriso, então… Basta me olhar nos olhos. Mais fácil ainda é eu mesma me fazer feliz (graças a Deus!). Solitude, sabe como? Aquela deliciosa e solitária caminhada para dentro de nós mesmos.

Tudo isso porque o dia a dia me encanta e eu costumo usá-lo ao meu favor. Sou uma incorrigível apaixonada pela vida. Mas não é por isso que ela é sempre tão boazinha comigo, ta? Na verdade, gosto de dizer por aí que a vida é boa até quando não é. Explico: tudo que nos acontece vai se transformar, mais cedo ou mais tarde, em tudo aquilo que estávamos precisando viver. Mesmo que seja um daqueles socos no estômago de tirar o fôlego e fazer estremecer. Juro juradinho. Na pior das hipóteses, aquela situação te deixou mais forte para os demais socos que surgirão daqui um tempo – porque, sinto lhe informar, eles virão.

É a vida, sabe? (pois é, nem eu. Mas não precisamos de muitas certezas para seguir em frente).

Vou dizer aonde quero chegar: para cada soco desse no estômago, desejo que você saiba revidar com um suspiro profundo e uma vontade surreal de continuar. Desejo que você saiba tudo aquilo que te faz grandioso e use isso como a sua principal arma. Desejo que você não se deixe abalar pelas pedras no caminho – como diria uma pessoa querida e especial, “as pedras são amigas”.

Desejo poder dosar os problemas que me encontram pelo caminho às coisas simples que mais me fazem feliz. Entre uma bordoada e outra, que eu consiga tomar um suco de laranja e comer um pastel de feira. Que eu possa acordar bem cedo, enquanto todo o resto da cidade dorme. Que eu possa pegar uma sessão de cinema quando rolar aquele aperto no coração. Que eu consiga olhar para o céu e dar de cara com toda essa imensidão, mesmo que a minha cabeça esteja pesada e fazendo de tudo para voltar-se para baixo. Desejo que eu possa ser a minha melhor companhia. Que, para cada dia de chuva – daquelas que molham a meia que está dentro do sapato -, eu consiga fazer ficar ensolarado aqui, dentro de mim. Que, para cada pontada de saudade, eu consiga acessar todas as memórias, cheiros e sentimentos que guardei no coração. Que eu consiga respirar bem fundo a cada vez que meu coração acelerar, mesmo estando parada, quando a tal da ansiedade tenta tomar conta. Desejo que, para cada não que eu receber, eu consiga dizer sim para uma nova tentativa. Que, a cada grosseria de graça em um dia qualquer, eu esbarre com uma pessoa cheia de vida – seja no elevador, na rua ou na padaria. Seja falando sozinha pelo meu apartamento, começando uma série nova ou lendo a última página de um livro, desejo passar por todas as estações que fazem aqui dentro. E você também deveria!

Tome posse de tudo aquilo que te faz bem. Deseje desejar essas coisas todos os dias.

Desejo, sobretudo, que haja um novo dia, para todo aquele que passou. Porque, se a gente, de repente, desejou errado, a gente deseja mais uma vez e outra de novo.

Eu desejo, inclusive, desejar para sempre.

Júlia Groppo

Por julia às 21.10.18 Comentários
Todos os dias

Um dos meus trechos favoritos da Bíblia diz o seguinte: “Não se preocupe com o dia de amanhã, pois ele terá suas próprias preocupações. Basta a cada dia a própria dificuldade”. Para uma incorrigível ansiosa, funciona quase como um mantra e já me ajudou em muitos momentos onde minha cabeça pensava apenas nos próximos passos. Taí uma coisa cansativa, né? Viver sempre esperando por algo.

Esperando para ser feliz quando tudo estiver extremamente bem e todos os problemas sumirem.

Ledo engano e um grande erro, meus amigos.

É verdade que devemos nos preocupar com o futuro, afinal, o que fazemos agora refletirá em quem seremos; mas, como minha mãe sempre diz, tudo em excesso faz mal, de alguma forma. É por isso que, quando a ansiedade tenta fazer morada, passei a fechar os olhos, respirar fundo e pensar comigo mesma “a Júlia de amanhã lida com isso, a de agora já tem as suas preocupações”. E, além das preocupações – aquelas que não escolhemos, mas que chegam até nós e com as quais precisamos lidar cara a cara -, a verdade é que passei a investir toda a energia em ter medo do futuro em enxergar os melhores detalhes do meu dia a dia.

Porque esse dia difícil vai passar e então outros chegarão, com dificuldades diferentes. A felicidade não pode ser sentida apenas quando tudo estiver bem, porque, preciso ser sincera: alguma coisa sempre não vai estar bem. Entendi, a duras penas, que a vida é uma mistura do que acontece com a gente com aquilo que fazemos acontecer. Pode ser bastante cansativo viver esperando para ser feliz. Por isso,  decidi ser feliz agora – e todos os dias. Você pode estar dizendo a si mesmo que essa ideia é maluca e impossível, mas eu preciso ser teimosa o suficiente e te dizer que a vida é boa até quando não é. Entende? Mesmo nos momentos mais difíceis, ela está dando a oportunidade de aprendermos algo e nos tornarmos mais fortes, porque sabe-se lá o que vem pela frente.

Quando você aprende que dá para encontrar felicidade até em meio ao caos, a coisa toda fica mais leve. De uns anos para cá, passei a me desafiar a encontrar a bendita nos momentos mais simples, nos detalhes do dia a dia  e até naqueles dias em que não dá vontade de sair de dentro de casa.

Hoje em dia, não preciso me esforçar tanto assim: todo dia tem, ao menos, uma coisa boa com a qual nos presentear. E se de repente a vida não estiver sendo tão boa assim com você, seja teimoso, assim como eu, para dar-se ao luxo de tornar o seu dia bom, com qualquer coisa que te faça bem. Repara bem no que está ao seu redor – as coisas e as pessoas nunca estão ali por acaso, e a beleza delas, elas apenas precisam de um pouco do seu tempo para serem reparadas.

Peça um delivery para jantar, vá andar por ai sozinho, passe na padaria mais próxima e compre um doce, chame aquele amigo para conversar sobre tudo – ou até sobre nada -, use o seu melhor look, ligue para alguém que mora longe, tome um banho bem quente, vá ao cinema sozinho, comece uma série nova, coloque música bem alta no seu carro, olhe para o céu, faça o seu mapa astral, fale sozinho, use batom vermelho, vá atrás de alguém com quem não conversa há muito tempo, reveja fotos antigas, lembre-se, mais uma vez, de quem você é.

Invente. Reinvente o seu dia a dia. Valorize o que está bem na sua frente. Construa uma nova forma de enxergar a vida.

Eu prometo que não é difícil encontrar a felicidade. E, como dizem por aí, “felicidade se acha é em horinhas de descuido”. O futuro pode até continuar parecendo interessante, mas o presente vai se transformar em tudo aquilo que você mais quer usar ao seu favor.

Basta a cada dia a própria dificuldade – e ao menos uma felicidade.

Estamos combinados?

Júlia Groppo

Por julia às 14.10.18 1.939 comentários

tachhh
Sobre expectativas
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Ressignificar
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O pouco e o muito que sei
cerebro
Dieta da mente