Com adoçante, por favor
Sou fã de um papo sincero seguido de um café bem quente. Ou vice-versa. Tenho algumas companhias favoritas pra isso. Melhor que elas, só as novas mesmo que eu descubro entre uma xícara e outra – com adoçante, por favor.
Foi aí que parei pra pensar: quanta vida cabe dentro de meia hora de café? Uma inteira, se você permitir. Já descobri entre um café e outro tantas histórias. Ouvi sobre medos e inseguranças, sonhos prestes a serem alcançados, dificuldades em terminar um relacionamento, o chefe insuportável e a sessão de terapia que durou horas de tão maluca que a pessoa está (graças a Deus).
O café já não é mais o mesmo do início; nem você. Ele vai esfriando, a fumaça sumindo, a xícara se revelando e a boca amargando. Você já ganhou mais histórias pra coleção, um ponto de vista diferente do seu e o coração ficou quente. Louco, né? E não precisa de muito; basta encontrar alguém, se sentar e preparar os ouvidos. E ah, o mais importante: estar aberto por inteiro. Pra pessoa e pro café. E se não tiver nenhuma companhia, seja a sua própria. Tem um tanto de história boa que a gente não se cansa de reviver dentro de nós. E se fazer e refazer e se desmanchar pra fazer de novo. O que importa é nunca, jamais, voltar o mesmo pra casa depois de um café desses.
Júlia Groppo
Por julia às 09.08.18 904 comentários

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