Eu guardo pessoas em versos

Dizem por aí que se um escritor se apaixonar por você, você nunca morrerá. Como escritora assumida e incorrigível apaixonada pela vida, concordo em gênero, número e grau. Muitas pessoas viraram textos meus ao longo dos últimos anos e mal sabem disso. Arrisco dizer que nunca saberão.

É que nada, nada mesmo – muito menos ninguém – passa despercebido por mim nessa vida. Se eu te encontrar por aí, vou te notar; seja no jeito de falar, de andar, seja a forma como trata os outros, a si mesmo, encara os desafios ou mesmo ao descobrir o que te faz acordar todos os dias. Tudo isso me encanta. Assim como os detalhes da vida escondidos na rotina, que num jogo de ”caça ao tesouro” eu brinco de encontrar. Coisa de jornalista, talvez? Ou apenas de uma pessoa curiosa e um pouquinho louca (ainda bem!).

É fato que pessoas vêm e vão, e acho que guardá-las em versos foi uma forma que encontrei de tentar eternizar coisas que chegaram ao fim – ou mesmo poder lembrar de tudo o que fui aprendendo com cada uma em quem me esbarrei. Algumas ficam, outras precisam ir embora, mas o fato é que tenho guardado comigo todos os sentimentos que foram despertados e todos os aprendizados que coleciono nessa história de conviver. Afinal, dividimos esse mundo uns com os outros por um motivo, né?

Tenho pra mim que ninguém é tão ninguém que não possa nos ensinar algo. E é por saber das preciosidades que cada um carrega que eu decidi estar cada dia mais atenta a todos aqueles com quem cruzo o meu caminho. Em cadernos, blocos de nota, folhas perdidas por aí, eu guardo pessoas em versos e eternizo momentos.

Com todo amor e sinceridade do mundo, aqui vai um aviso: cuidado ao se aproximar, você pode virar um texto.

Júlia Groppo

Por julia às 11.12.19 69 comentários

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