O bom e o ruim

Lá estava eu assistindo a mais uma comédia romântica. Daquelas totalmente previsíveis (o tipo que eu mais amo!). Foi quando algo totalmente imprevisível foi dito por um dos personagens: “Quando você se abre para as pessoas, receberá o bom e o ruim que elas têm a oferecer”. Aquele tipo de coisa óbvia que precisa ser dita para você aprender. Fichas caíram.

Costumamos querer lidar somente com o lado bom daqueles com quem convivemos. Ouvir as notícias incríveis, abraçar todas as suas qualidades, saber sobre os seus sonhos. Quando algo ruim entra em cena, a coisa fica bem mais difícil, pois entramos em contato com os lados não tão legais das pessoas, mas que, justamente por serem pessoas, elas vão carregar (assim como eu e você, né?).

Chega a ser injusto esperar do outro somente o que de bom ele tem a oferecer quando nós mesmos sabemos da mistura perfeita de caos e ordem que acontece aqui, do lado de dentro. Quando sabemos – ou ao menos deveríamos – que somos feitos de qualidades e defeitos, e como cada situação da vida vai despertar diferentes lados nossos (muitas vezes aqueles que mais gostaríamos de esconder). E se queremos que aqueles que amamos nos amem por completo, por que esperar do outro somente as coisas boas?

Não estou dizendo que é fácil encarar o pacote completo que é um ser humano (já é difícil encarar o nosso próprio!), mas o que gostaria que você soubesse, assim como eu aprendi com aquele filme, é que o desafio está justamente em lidar com as sombras das pessoas, e de quebra ajudá-las a passar pelos momentos difíceis de suas vidas. Também não estou dizendo para você conviver com coisas que te fazem mal, pois se tem algo que aprendi nessa vida é saber a hora certa de me retirar quando algo ou alguém não está mais fazendo sentido para mim. Proteger-se é imprescindível.

Contudo, acredito fielmente que somos todos propósitos na vida uns dos outros. Seja para ensinar, seja para aprender. Tenho para mim que o máximo que pode acontecer é aquela pessoa me dar de presente um aprendizado (talvez sobre como não ser). Por isso, eu tenho decidido, todos os dias – por mais difícil que seja -, abraçar o caos e a maravilha que pessoas e seus universos me oferecem.

O que quero ter certeza é que estou recebendo-as em minha vida em toda a sua completude.

Júlia Groppo

Por julia às 17.12.19 69 comentários

69 Comentário em “O bom e o ruim”

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