Gente educada

Dia desses, fui abastecer o meu carro. O frentista me surpreendeu, logo de cara, desejando um bom dia, perguntando como eu estava e o que eu fui fazer ali no posto. Informei que precisava encher o tanque. Ele me ofereceu mais serviços, como checar a água e o óleo, e calibrar os meus pneus. Senti uma espécie de incômodo, mas daqueles bons, sabe? Foi aí que me dei conta: gente educada assusta.

Comecei a pensar em algumas outras vezes em que pessoas me atenderam com um sorriso largo, apertaram a minha mão de forma bem firme, me chamaram pelo meu nome, olharam nos meus olhos enquanto eu estava dizendo algo, entre outras situações que me causaram esse mesmo incômodo gostoso.

Se repararmos bem, aquele frentista estava fazendo algo que um dia já foi considerado básico, como desempenhar o seu trabalho da melhor forma possível, além de oferecer um pouco de gentileza ao seu cliente (que, no caso, era eu). Mas, se formos olhar para essa situação em um contexto atual, onde todo mundo está sempre atrasado para alguma coisa ou mesmo sem tempo algum para distribuir qualquer “bom dia” que seja, posso dizer que aqueles minutos em que estive com ele me trouxeram alívio e leveza – e fizeram a diferença no meu dia, que, vale dizer, não era dos melhores.

Saí de lá inspirada. A gentileza é uma virtude que tento cultivar na minha vida desde sempre. E, modéstia a parte, para mim nunca foi algo difícil. Mas é verdade também que ela pode ser facilmente esquecida em meio ao caos do dia a dia ou quando acordamos acompanhados de um belo mau humor – e, sabe-se lá porquê, achamos que o mundo tem a obrigação de conviver com ele.

Por isso, eu desejo esbarrar em muitas pessoas como aquele frentista no meu caminho. Desejo também ser um pouco como ele. Mas desejo ainda mais que um dia possamos voltar a olhar essas atitudes como algo normal, pois estaremos cercadas delas.

Será?

Júlia Groppo

Por julia às 13.01.20 71 comentários

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