A tal da ansiedade

Se você não tem a ansiedade como uma companheira fiel, com certeza conhece alguém que tem. Certa vez, tentaram me explicar esse sentimento tão abstrato quanto desafiador (algo que sempre foi difícil para mim de colocar em palavras). Me disseram que a tal da ansiedade te inunda, invadindo sem nem pedir licença o nosso interior – espaço tão precioso para nós -, tirando até mesmo quem você é de dentro de si. E é por isso que tendemos a nos sentir desesperados e totalmente sem rumo quando ela decide nos fazer uma visita. Faz sentido? Pois pra mim fez, e muito.

Desde então, quando sou tomada por esse incômodo – antes de me render aos seus efeitos -, passei a buscar consciência sobre esse sentimento, começando por entender o porquê ele está tentando bagunçar comigo e se há qualquer motivo para que eu o deixe fazê-lo. Caso contrário, vou o mais rápido possível lançando um ”até logo”, pois agora eu não tenho tempo para lidar com ele.

Explico: sou defensora árdua do planejamento (a louca das listas, das metas e por aí vai rs), ou seja, o que eu puder deixar organizado na minha vida, eu o farei. Mas quando os assuntos são esses pequenos monstrinhos que insisto em alimentar (de maneira desnecessária, vale dizer), prefiro fazer esse exercício de ”deixar que a Júlia do futuro resolva”. A de amanhã, a da semana que vem ou até a do próximo ano. É que eu prefiro acreditar que a minha versão do futuro vai saber lidar com aquilo na hora certa, porque agora, confesso: eu não estou apta para isso. E nem preciso!

É claro que, aqui, não estou falando das nossas feridas e problemas que precisam ser enfrentados. Falei mais sobre a importância de olhar nos olhos dos nossos maiores traumas em uma outra crônica do blog. Quando falo que a Júlia do futuro quem deve resolver e se preocupar com isso, estou me referindo às pequenas pressões e angústias que nos submetemos na nossa rotina; o famoso ”sofrer por antecipação”. E, vamos combinar, se tem um peso que não vale a pena carregar, é este. Daquilo que ainda não chegou (talvez nem chegue!) e nós insistimos em querer antecipar.

É muito importante que entendamos que, na vida, boa parte das coisas fogem do nosso controle. E o desafio maior nesse sentido está em distinguir o que realmente merece a nossa atenção naquele momento e o que, de fato, podemos deixar para depois. Para o nosso ”eu” do futuro resolver.

Essa foi a maneira que eu descobri de brincar com uma coisa que, se eu bobear, me domina por inteira. Assim que a ansiedade vem me dar um alô, tenho uma conversa séria com ela e a mando embora. Sei que ela virá atrás de mim sempre que puder, mas, a cada dia que passa, estou criando ainda mais consciência do que realmente vale gastar a minha energia nessa vida.

E você, o que tem feito para lidar com esse monstrinho?

Júlia Groppo

Por julia às 27.01.20 597 comentários

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