De mãos dadas comigo mesma

Dia desses, em uma conversa com a minha mãe, comecei a pensar em todas as coisas que teria deixado de fazer na minha vida se tivesse ficado esperando algum tipo de validação alheia, de quem quer que fosse. Em meio a um grande estalo, notei que teria deixado de viver as melhores experiências que já tive até então. E, olha, preciso dizer: que libertador é se dar conta de que você está vivendo abraçado a sua própria essência.

Em meio a um suspiro de alívio e gratidão a mim mesma, segui refletindo sobre o assunto pelo resto do dia, e me agradeci por mais muitas vezes. Se eu tivesse dado ouvidos aos olhares meio tortos e palavras atravessadas perante algumas das minhas decisões, cá estaria eu: em harmonia total com aqueles a minha volta, mas em completa desarmonia comigo. O que, só de imaginar, chega a me dar arrepios.

Descobri que é exatamente assim que quero seguir caminhando: de mãos dadas comigo mesma; com quem sou e com os desejos mais genuínos que carrego. Tudo o que coabita aqui dentro. Abraçar bem forte cada uma das minhas escolhas, afinal, se eu não for fiel a mim mesma, quem mais o seria?

É verdade que é bem fácil os nossos sonhos se esbarrarem nas opiniões dos outros. Somos seres sociais e nossas vontades podem se misturar às daqueles a nossa volta. Mas é preciso sempre recalcular a nossa rota interna e ser o mais honesto possível com nós mesmos. A resposta para tudo isso, acreditem, é uma só: a essência. Sempre a essência.

Espero me lembrar disso todos os dias e poder suspirar aliviada mais um tanto de vezes ao recordar todos os momentos em que decidi me dar as mãos e não soltar por nada. Desejo que eu e você possamos olhar pra trás e agradecer a nós mesmos por todas as vezes em que fomos e viemos, sobretudo, porque assim queríamos.

Júlia Groppo

Por julia às 15.04.20 Comentários

Deixe seu comentário

A tal da criatividade
O ”ponto morto” da vida tem seu valor
Sobre fios, fases e metamorfoses
Sobre rótulos e o despir-se socialmente