Pequenos grandes desejos

Quer uma verdade sobre mim? Qualquer paixão me diverte.

Fácil demais me deixar feliz; arrancar um sorriso, então… Basta me olhar nos olhos. Mais fácil ainda é eu mesma me fazer feliz (graças a Deus!). Solitude, sabe como? Aquela deliciosa e solitária caminhada para dentro de nós mesmos.

Tudo isso porque o dia a dia me encanta e eu costumo usá-lo ao meu favor. Sou uma incorrigível apaixonada pela vida. Mas não é por isso que ela é sempre tão boazinha comigo, ta? Na verdade, gosto de dizer por aí que a vida é boa até quando não é. Explico: tudo que nos acontece vai se transformar, mais cedo ou mais tarde, em tudo aquilo que estávamos precisando viver. Mesmo que seja um daqueles socos no estômago de tirar o fôlego e fazer estremecer. Juro juradinho. Na pior das hipóteses, aquela situação te deixou mais forte para os demais socos que surgirão daqui um tempo – porque, sinto lhe informar, eles virão.

É a vida, sabe? (pois é, nem eu. Mas não precisamos de muitas certezas para seguir em frente).

Vou dizer aonde quero chegar: para cada soco desse no estômago, desejo que você saiba revidar com um suspiro profundo e uma vontade surreal de continuar. Desejo que você saiba tudo aquilo que te faz grandioso e use isso como a sua principal arma. Desejo que você não se deixe abalar pelas pedras no caminho – como diria uma pessoa querida e especial, “as pedras são amigas”.

Desejo poder dosar os problemas que me encontram pelo caminho às coisas simples que mais me fazem feliz. Entre uma bordoada e outra, que eu consiga tomar um suco de laranja e comer um pastel de feira. Que eu possa acordar bem cedo, enquanto todo o resto da cidade dorme. Que eu possa pegar uma sessão de cinema quando rolar aquele aperto no coração. Que eu consiga olhar para o céu e dar de cara com toda essa imensidão, mesmo que a minha cabeça esteja pesada e fazendo de tudo para voltar-se para baixo. Desejo que eu possa ser a minha melhor companhia. Que, para cada dia de chuva – daquelas que molham a meia que está dentro do sapato -, eu consiga fazer ficar ensolarado aqui, dentro de mim. Que, para cada pontada de saudade, eu consiga acessar todas as memórias, cheiros e sentimentos que guardei no coração. Que eu consiga respirar bem fundo a cada vez que meu coração acelerar, mesmo estando parada, quando a tal da ansiedade tenta tomar conta. Desejo que, para cada não que eu receber, eu consiga dizer sim para uma nova tentativa. Que, a cada grosseria de graça em um dia qualquer, eu esbarre com uma pessoa cheia de vida – seja no elevador, na rua ou na padaria. Seja falando sozinha pelo meu apartamento, começando uma série nova ou lendo a última página de um livro, desejo passar por todas as estações que fazem aqui dentro. E você também deveria!

Tome posse de tudo aquilo que te faz bem. Deseje desejar essas coisas todos os dias.

Desejo, sobretudo, que haja um novo dia, para todo aquele que passou. Porque, se a gente, de repente, desejou errado, a gente deseja mais uma vez e outra de novo.

Eu desejo, inclusive, desejar para sempre.

Júlia Groppo

Por julia às 21.10.18 1.342 comentários
Todos os dias

Um dos meus trechos favoritos da Bíblia diz o seguinte: “Não se preocupe com o dia de amanhã, pois ele terá suas próprias preocupações. Basta a cada dia a própria dificuldade”. Para uma incorrigível ansiosa, funciona quase como um mantra e já me ajudou em muitos momentos onde minha cabeça pensava apenas nos próximos passos. Taí uma coisa cansativa, né? Viver sempre esperando por algo.

Esperando para ser feliz quando tudo estiver extremamente bem e todos os problemas sumirem.

Ledo engano e um grande erro, meus amigos.

É verdade que devemos nos preocupar com o futuro, afinal, o que fazemos agora refletirá em quem seremos; mas, como minha mãe sempre diz, tudo em excesso faz mal, de alguma forma. É por isso que, quando a ansiedade tenta fazer morada, passei a fechar os olhos, respirar fundo e pensar comigo mesma “a Júlia de amanhã lida com isso, a de agora já tem as suas preocupações”. E, além das preocupações – aquelas que não escolhemos, mas que chegam até nós e com as quais precisamos lidar cara a cara -, a verdade é que passei a investir toda a energia em ter medo do futuro em enxergar os melhores detalhes do meu dia a dia.

Porque esse dia difícil vai passar e então outros chegarão, com dificuldades diferentes. A felicidade não pode ser sentida apenas quando tudo estiver bem, porque, preciso ser sincera: alguma coisa sempre não vai estar bem. Entendi, a duras penas, que a vida é uma mistura do que acontece com a gente com aquilo que fazemos acontecer. Pode ser bastante cansativo viver esperando para ser feliz. Por isso,  decidi ser feliz agora – e todos os dias. Você pode estar dizendo a si mesmo que essa ideia é maluca e impossível, mas eu preciso ser teimosa o suficiente e te dizer que a vida é boa até quando não é. Entende? Mesmo nos momentos mais difíceis, ela está dando a oportunidade de aprendermos algo e nos tornarmos mais fortes, porque sabe-se lá o que vem pela frente.

Quando você aprende que dá para encontrar felicidade até em meio ao caos, a coisa toda fica mais leve. De uns anos para cá, passei a me desafiar a encontrar a bendita nos momentos mais simples, nos detalhes do dia a dia  e até naqueles dias em que não dá vontade de sair de dentro de casa.

Hoje em dia, não preciso me esforçar tanto assim: todo dia tem, ao menos, uma coisa boa com a qual nos presentear. E se de repente a vida não estiver sendo tão boa assim com você, seja teimoso, assim como eu, para dar-se ao luxo de tornar o seu dia bom, com qualquer coisa que te faça bem. Repara bem no que está ao seu redor – as coisas e as pessoas nunca estão ali por acaso, e a beleza delas, elas apenas precisam de um pouco do seu tempo para serem reparadas.

Peça um delivery para jantar, vá andar por ai sozinho, passe na padaria mais próxima e compre um doce, chame aquele amigo para conversar sobre tudo – ou até sobre nada -, use o seu melhor look, ligue para alguém que mora longe, tome um banho bem quente, vá ao cinema sozinho, comece uma série nova, coloque música bem alta no seu carro, olhe para o céu, faça o seu mapa astral, fale sozinho, use batom vermelho, vá atrás de alguém com quem não conversa há muito tempo, reveja fotos antigas, lembre-se, mais uma vez, de quem você é.

Invente. Reinvente o seu dia a dia. Valorize o que está bem na sua frente. Construa uma nova forma de enxergar a vida.

Eu prometo que não é difícil encontrar a felicidade. E, como dizem por aí, “felicidade se acha é em horinhas de descuido”. O futuro pode até continuar parecendo interessante, mas o presente vai se transformar em tudo aquilo que você mais quer usar ao seu favor.

Basta a cada dia a própria dificuldade – e ao menos uma felicidade.

Estamos combinados?

Júlia Groppo

Por julia às 14.10.18 42 comentários
Gosto de lembrar

É fato que nem todos os nossos dias vão ser os melhores, mas aprendi o quão importante é termos uma coleção de lembretes que nos ajudam a criar a força necessária para seguir em frente nesses momentos. Se chove lá fora, tente fazer o tempo abrir do lado de dentro. Pense em coisas, momentos, pessoas e sentimentos que, quase como numa mágica, te ajudam a viver apesar dos problemas.

Dentre a minha tão valiosa coleção, algo que descobri que me fortalece muito é lembrar das minhas versões preferidas de mim mesma. Aquela Júlia que eu já consegui ser um dia e que me fez chegar até aqui; porque não acessá-la novamente dentro de mim e lembrar tudo o que eu posso ser?

Gosto de lembrar da Júlia que, desde tão nova, já sabia sonhar grande.

Gosto de lembrar da Júlia que aprendeu a amar os detalhes.

Gosto de lembrar da Júlia que pode estar perdendo tudo, mas uma coisa ela nunca perde: o sorriso no rosto.

Gosto de lembrar da Júlia que é louca por Deus e por seus mistérios.

Gosto de lembrar da Júlia apaixonada: pela vida, pelas pessoas e pelo novo dia que amanhece, todos os dias, às 6h, na sacada do seu quarto.

Gosto de lembrar da Júlia que tem uma coragem que toma conta dela.

Gosto de lembrar da Júlia que sonhou algo e fez acontecer.

Gosto de lembrar da Júlia que sabe olhar nos olhos.

Gosto de lembrar da Júlia que mora sozinha.

Gosto de lembrar da Júlia que sabe muito bem para onde e quem voltar.

Gosto de lembrar da Júlia que ama – sem medo, moderação ou limites.

Gosto de lembrar da Júlia que fecha os olhos e sente.

Gosto de lembrar da Júlia que fala, até mais do que deveria, e que aprende consigo mesma em muitos desses momentos.

Me conta: qual a sua coleção de lembretes para seguir adiante? E qual versão de si mesmo é a sua favorita?

Com carinho,

Júlia Groppo

Por julia às 06.10.18 Comentários
Com adoçante, por favor
Sou fã de um papo sincero seguido de um café bem quente. Ou vice-versa. Tenho algumas companhias favoritas pra isso. Melhor que elas, só as novas mesmo que eu descubro entre uma xícara e outra – com adoçante, por favor.
Foi aí que parei pra pensar: quanta vida cabe dentro de meia hora de café? Uma inteira, se você permitir. Já descobri entre um café e outro tantas histórias. Ouvi sobre medos e inseguranças, sonhos prestes a serem alcançados, dificuldades em terminar um relacionamento, o chefe insuportável e a sessão de terapia que durou horas de tão maluca que a pessoa está (graças a Deus).
O café já não é mais o mesmo do início; nem você. Ele vai esfriando, a fumaça sumindo, a xícara se revelando e a boca amargando. Você já ganhou mais histórias pra coleção, um ponto de vista diferente do seu e o coração ficou quente. Louco, né? E não precisa de muito; basta encontrar alguém, se sentar e preparar os ouvidos. E ah, o mais importante: estar aberto por inteiro. Pra pessoa e pro café. E se não tiver nenhuma companhia, seja a sua própria. Tem um tanto de história boa que a gente não se cansa de reviver dentro de nós. E se fazer e refazer e se desmanchar pra fazer de novo. O que importa é nunca, jamais, voltar o mesmo pra casa depois de um café desses.
Júlia Groppo
Por julia às 09.08.18 27 comentários
Os meus, os seus, os nossos

vovo

Julho de 2015

Todo mundo já teve, mesmo que não tenha conhecido. Todo mundo adora, mesmo que às vezes reclamemos do quanto se preocupam conosco. Todo mundo já emprestou deles o dinheiro, o casaco que esqueceu em um dia frio ou o chinelo quando foi passar as férias em sua casa. Todo mundo já pediu um bolo de fubá – ou de cenoura -, e também já os acompanhou em bingos. Já dormimos na casa deles, já aproveitamos que os pais não estavam por perto para fazer coisas que só eles mesmo nos deixam aprontar. Já fomos cuidados por eles enquanto nossos pais precisavam ir atrás de botar comida na mesa. Agora, somos nós quem retribuímos o carinho e o cuidado, quando eles voltam a ser criança e perdem a noção do perigo – e do tempo.

É o toque leve, a melhor receita de doce, o abraço que acalma, as brincadeiras que nunca esqueceremos, a oração que tem mais força, o “eu te amo” que tem mais valor pro coração. São sábados ajudando a lavar o carro, domingos preparando o almoço e as ligações durante a semana para matar a saudade. Amor de vô e vó, olha… eu não troco por outro. Esse amor puro, inocente e que ultrapassa gerações. Um amor que desconhecemos de onde vem a dimensão, porém podemos provar dele todos os dias.

Aos meus avós, que me ensinaram a ser alguém melhor. À minha vó, que me ensinou a importância de Deus, a receita do seu bolo de cenoura e como ajudar o próximo é importante; ao meu avô, que sempre soube tirar sorrisos de orelha à orelha de mim com suas brincadeiras e confusões.

Já abraçou os seus hoje?

Aproveita e abraça todos os dias que puder, por toda a semana e, melhor ainda, pelo resto da vida.

Quem dera fossem eternos.

Feliz Dia dos Avós!

Júlia Groppo

Por julia às 26.07.18 14 comentários
Sobre a vida e a morte e o que tem no meio

“Tudo é provisório, inclusive nós”; disse uma de minhas escritoras preferidas, Martha Medeiros, em um de seus textos que mais amo. Acho que é o mesmo que acreditarmos que “tudo passa”, como dizia Chico Xavier. As dores e as delícias dessa vida, que têm prazo de validade – não importa o quão boas ou ruins pareçam -, assim como a gente, que vai ficando um pouco mais velho a cada dia que passa, caminhando para a nossa morte. Estranho e um tanto forte dizer isso, né? Mas é um fato, que por mais que ignoremos, não deixa de pertencer ao nosso destino. E, se você quer saber, julgo eu que uma das maiores graças de Deus a nós é termos a consciência desse momento, pois podemos, todos os dias, ao acordar, saber que temos uma nova chance para viver o nosso processo e evoluirmos para seres melhores, mas com a noção de que não teremos essa chance pra sempre; daí a importância de não viver uma vida medíocre (que coisa linda tudo isso, hein?). O que me leva a pensar em outro grande nome da minha lista de “pessoas favoritas no mundo”; Mario Sergio Cortella, que diz que não há porque nos preocuparmos com a morte, justamente por ela ser um fato, mas sim com a vida – e o que fazemos dela. Essa vida que nos foi dada como um presente e que pelo livre-arbítrio nos permite fazermos as nossas próprias escolhas.

Nenhuma dor é pra sempre. Nenhuma alegria, também. Nem nós. E será que a gente anda colocando tudo de nós nesses momentos? Os que escolhemos viver e os que chegam até a gente. Porque também tem disso, né? Tem coisa que a gente faz acontecer e tem coisa que acontece com a gente. Será que estamos abraçando a nossa dor – e, principalmente, sabendo nos amar nesses momentos tão difíceis? Será que estamos sendo inteiros nos nossos melhores momentos? Se a morte nos espera em alguma esquina escondida e se tudo nessa vida passa, não há tempo a perder, meu amigo. De ser inteiro, de ser imperfeito, de ser tudo aquilo que se quer ser.

Percebe como o medo fica pequeno frente a tudo isso? Como as dificuldades tornam-se “enfrentáveis”? Como os momentos felizes merecem uma gratidão imensa? Não é porque, de repente, as coisas ficam mais fáceis, mas porque você sabe que existem coisas muito maiores que merecem a nossa atenção. Que nos merecem.

Informação-nada-relevante-mas-que-quero-compartilhar-: esse texto foi escrito ao som de Lepo Lepo (não por livre e espontânea vontade, devo dizer). Sim, às vezes, as melhores reflexões nascem dos lugares mais inusitados – ta aí outra grande coisa sobre a vida pra mim: ela é um punhado de um tanto de coisa surpreendente. Não se ache muito esperto, o bastão desse jogo todo que a gente joga todo dia é dela. E não tem ganhador, não, ta? É tudo uma zoeira pra todo mundo sair desse plano melhor que entrou.

Boa sorte and let the games continue.

Júlia Groppo

Por julia às 19.07.18 26 comentários
Sempre tem aquelas pessoas que você admira de longe.
Aquelas que, por uma escolha do destino, a vida trata de não aproximar seus casos e acasos; mas a verdade é que você bem queria sentar e jogar fora uns trinta minutos de conversa entre um café e outro; com adoçante, por favor. Ah, como eu queria…
Eu queria que o Universo fosse desse tamanhozinho pra que eu pudesse nem abraçar, mas agarra-lo mesmo, com força, e pegar tudo que dele é belo para mim. Poder conhecer cada canto e cada ser humano que, já de longe, me inspira e me instiga de alguma forma. Tem gente que tem gosto de vida e é tanta que da pra sentir sem nem conhecer. São tantos por aí. Eu fico aqui só de longe admirando.
Ô vida, faz o favor de aproximar? Enquanto não dá, vou tentando conquistar um pedacinho por vez enquanto Deus vai me mostrando o que, de fato, deve ser meu. O que se encaixa no meu caminho meio torto. Ele sabe mais que ninguém.
Tem coisa que a gente quer, mas a gente não precisa.
Júlia Groppo
Por julia às 21.03.18 17 comentários
Segunda-feira, 22h15

A gente com certeza não espera que a felicidade venha bater à nossa porta em uma segunda-feira; mas acreditem, pode rolar. Não precisa ser numa sexta e nem em um feriado; eu juro, juradinho. Lá estava eu, chateada por ter perdido dois shows de grandes artistas que eu admiro, em uma tacada só; eu não assisti a nenhum deles tocar em São Paulo e não podia acreditar em tamanha má sorte. Lá estava eu, também, apreensiva com tudo e mais um pouco. Quem dera fossem “só” os shows…

Mas e o próximo ano? E minha carreira? E o TCC? E minhas escolhas? E as novas responsabilidades surgindo? E a vida adulta chegando? E a pressão pela vida perfeita? E a idealização de tudo? Ufa. Dá preguiçamedoafobação só de escrever. Nunca estive tão perdida. Entre vontades, sonhos, medos e inseguranças. Mas acredito que também a vida nunca me mostrou tanto o quanto ela pode surpreender nas pequenas coisas. A vida, ah… Ela é esperta; danada, louca, imprevisível (eu amo e odeio tanto isso). Ela surge, dentro da gente, bem lá no fundinho, arrancando um sorriso mesmo em um dia extremamente frio de Campinas, mostrando que há sempre um novo dia pra mudar tudo de novo (e de novo). Dentro da gente e ao nosso redor. Sempre há uma nova semana, uma oportunidade, uma mensagem. Alguém que se aproxima, um tropeço que te faz enxergar as flores no chão, um abraço que te faz sentir que é muito claro que tudo vai ficar bem. Sempre tem um Deus ali, nos detalhes, mostrando que, sim, Ele está trabalhando por você. E se não tem nenhuma novidade, continua prestando atenção no que já existe ao seu redor, que o segredo pode estar mais próximo do que você imagina. O novo vai estar no velho.

Experimenta dar uma procurada naquilo que você já tem, naquilo que está dentro de você, que é lá que a resposta vai estar. No que você já é, no que conquistou, no quanto lutou, nos tropeços, nas tentativas que resultaram no erro; na sua essência. Eu já li isso em tantos lugares e custava a acreditar. Mas acho que é um clichê daqueles que vale a pena, sabe? Porque é real. Já me peguei procurando a felicidade em tantos lugares e pessoas. Tantas tentativas frustradas e em vão. Ela tava bem aqui… Aqui, sabe?

Nesta segunda-feira, eu encontrei os meus minutos de paz, felicidade e esperança. E tô aqui vivendo feliz da vida. Fiz um belo brigadeiro (tive que emprestar leite condensado. Obrigada, menina do apartamento 6). E que dure só agora, não importa, eu só espero poder lembrar desse sentimento nos dias mais cinzas, onde sei que vou estar com minha fé abalada não só na vida e no mundo, mas também em mim mesma. Espero lembrar dessa sensação de ser capaz de abraçar o mundo com minhas mãos, de me sentir parte de tudo de bom que faz ele girar para o bem.

Não tem problema se tudo ficar escuro novamente… Há de vir outra segunda-feira como esta.

God is working.

Júlia Groppo

Outubro/2017

Por julia às 20.03.18 27 comentários
O tempo de cada um

ampulheta

A gente passa uma vida tentando entender porque a grama do vizinho é sempre mais verde. E a gente se questiona, questiona o Universo, Deus, a mãe, o pai e até o cachorro. A gente rola na cama de madrugada, perde tempo, lágrimas e, em alguns casos, de tão grave que a situação fica, a gente perde até a balada do sábado e o cinema do domingo. A gente perde a vontade de viver.

Estou mentindo?

Nos deixamos abater por achar que a nossa vez nunca vai chegar. Por pensar que os outros são sempre melhores e estão um passo a frente o tempo todo. A gente perde o fôlego tentando alcançá-los numa corrida inútil na qual você transforma as pessoas ao seu redor em concorrentes. Pra dali um tempo – se Deus quiser -, depois de gastar muita saliva, tempo e paciência, entender que cada um é um ser único e, exatamente por isso, não existe ninguém melhor, nem pior: existe o que está destinado para cada um. E o melhor: no tempo de cada um.

Você pode ter 30 anos e não estar casado ainda, tão quanto ter encontrado alguém que desperte essa vontade em você. Ao mesmo tempo em que há casais que começam a namorar aos 15 anos e permanecem juntos a vida toda. E está tudo bem. Você pode ter 20 anos e já ter encontrado o emprego dos seus sonhos, enquanto alguém de 45 está deixando a empresa onde trabalhou a vida toda para, só agora, criar o seu próprio negócio. E, mais uma vez, está tudo bem. Para ambos. Você pode estar às vésperas de um vestibular sem ainda ter certeza se quer moda ou medicina, enquanto aquele alguém da sua sala tem certeza de que quer fazer química desde os 11 anos. Adivinha? Está tudo bem. Aquele seu amigo saiu da faculdade já efetivado no estágio, já você nunca estagiou e ainda não sabe se a faculdade na qual vai se formar é a profissão que, de fato, quer exercer. Mais uma vez, está tudo bem. Nenhuma dessas pessoas sai perdendo. Acredite. Eu juro. Cada um está vivendo o que exatamente tem para viver neste mundo. Porque nós, humanos, temos lições diferentes para receber nessa vida.

Tenho um conhecido que compete até com a própria sombra. A necessidade de autoafirmar-se na frente dos outros chega a incomodar os que estão ao redor. Mas o mais triste é que não faz tão mal a mais ninguém que a ele próprio. Não tenha pressa, meu caro. Não queira ser o primeiro a alcançar a linha de chegada. Deixa eu te contar um segredo? Ela sequer existe. A verdade é que somos nós – cada um de nós – e o tempo que nos foi dado. E o relógio gira de forma diferente para cada mortal.

Enquanto você vive uma batalha, o colega ao lado vive outra completamente diferente. E ele vai passar pelo que você está passando um dia. Ou quem sabe, já passou. Ou melhor ainda, jamais passará, pois para ele isso não está destinado. Por alguma razão – esta que, me desculpem, não nos cabe – não está. As lições que ele precisa aprender ao longo de sua vida são algumas. E as suas, outras.

Todos temos sonhos, objetivos, medos e motivos que nos fazem continuar, certo? Então que cada um cuide e corra atrás dos seus. Que cada um deposite todas as suas forças em suas vontades. E se for para olhar para o lado, que seja para admirar e se inspirar naqueles que estão ao redor. Mas por favor, não perca o seu valioso tempo dando uma volta por aí para se comparar – ou pior – competir. Agarre o seu relógio e seja feliz. O que ele te trouxer, independente de quando, é exatamente o que você precisa receber – e no momento em que precisa receber – para, de certa forma, tornar-se uma pessoa melhor que aquela que você foi ontem.

Evoluir. Subir um degrau. Amadurecer. Ficar mais forte.

Percebe?

No fim das contas, é entre você e você mesmo. Entre quem você vai escolher ser após cada segundo em que os seus ponteiros avançarem no relógio. Após tudo o que a vida te trouxe ao passar do seu tempo. O TEMPO QUE FOI CALCULADO PARA VOCÊ. E que, acredite, foi pensado para você. De certa maneira, encaixa-se perfeitamente em você. Eu juro.

Que horas são aí dentro?

Júlia Groppo

Por julia às 20.03.17 1 comentário
Eu, 2016 e as nossas descobertas

escrita

Eu sei, estou extremamente atrasada. Eu sei, 2016 já foi embora e 2017 já deu as caras há alguns dias. Mas sabe, eu jamais poderia deixar a minha rotina maluca do meu College Program me impedir de deixar registrado nesse espaço tão especial pra mim o quanto o ano que passou me transformou. Seria feio da minha parte; logo eu, que sinto necessidade em registrar em palavras tudo o que diz o meu coração, quero poder sempre olhar para trás e lembrar desses 365 que me provaram o quanto a vida é doida, intensa e imprevisível; e o quanto eu amo isso. Foi então que, durante um longo dia, perdida entre um passeio no meu lugar favorito do mundo e idas e vindas no ônibus, passei a listar no meu bloco de notas tudo o que esse ano lindo me permitiu descobrir.

Que susto levei.

Haviam tantas, mas tantas coisas, tantos momentos e lições de tirar o fôlego, que senti meus olhos marejarem ao mesmo tempo em que o coração bateu leve e um sorriso bobo se abriu em meu rosto: eu me permiti viver cada segundo como se fosse o último e, devido a isso, teria memórias para uma vida inteira. O ano que me virou do avesso me deixou não só memórias, mas cicatrizes e aprendizados. 2016 me deu a chance de descobrir muitas coisas e, dentre as principais, o fato de que, se você se joga na vida, ela pode te dar lições para serem guardados para sempre. É bastante arriscado, eu sei, pois pude sentir na pele algumas coisas que eu não precisaria sentir se tivesse ficado escondida dentro de uma bolha, ou seja, se tivesse optado pelo caminho mais fácil. Mas para mim, a vida não faz muito sentido se eu não voltar todo dia para casa um pouco diferente daquela Júlia que saiu.

Eis que descobri que é melhor me arrepender de ter feito do que ter deixado de fazer. Descobri que sou maior do que aparento ser. Descobri onde quero chegar. Descobri uma das minhas missões na Terra. Descobri o quanto eu amo amar. Descobri que meus pais realmente são os meus melhores amigos. Descobri que a escrita é o meu remédio. Descobri o quanto é bom viver na zona de conforto – mas descobri, também, o quanto eu detesto ela. Descobri que amo testar os meus limites. Descobri que chorar faz bem pra alma (de verdade). Descobri que amo contar histórias. Descobri que ser independente custa caro (nos dois sentidos), mas que nada paga a sensação da liberdade de ir e vir. Descobri que um sorriso muda tudo. Descobri que aguento ficar 14 horas em pé trabalhando. Descobri que sei cozinhar. Descobri que é importante saber economizar – mas apenas dinheiro, porque o tempo ta ai pra gente gastar sem medo. Descobri que roupa e louça não se lavam sozinhas. Descobri que amigos de verdade eu conto nos dedos de uma mão. Descobri que ficar sozinha é um dos meus hobbies prediletos. Descobri que tudo pode ser vivido de uma forma melhor se você tiver a trilha sonora perfeita para cada momento. Descobri que dirigir é um dos meus maiores hobbies (assim como viver). Descobri que amo me desafiar. Descobri que nada que é fácil me dá vontade de fazer. Descobri como é bom a gente se permitir. Descobri o poder de um bom batom vermelho. Descobri a profissional que eu quero ser. Descobri que rezar é o que me acalma. Descobri que eu sou a minha melhor amiga. Descobri que viver é um presente diário de Deus. Descobri que o mundo está de cabeça para baixo. Descobri que coisas normais não me atraem. Descobri que almas confusas me retém. Descobri que as pessoas podem ser muito más. Descobri que poder falar o que se tem vontade para o outro é raro e deve ser valorizado. Descobri que gosto mais de KFC que de Mc Donalds. Descobri que há pelo menos uma razão para ser feliz todos os dias. Descobri que felicidade não é o destino, mas o caminho que se faz até lá. Descobri que amo morar sozinha. Descobri que, apesar de ser tagarela, amo viver no silêncio do meu mundo particular. Descobri que não há nada como um bom livro, uma coberta e um chocolate quente. Descobri que quero fazer mais intercâmbios. Descobri que viver um dia de cada vez é o segredo para uma vida bem aproveitada. Descobri que cada segundo é único. Descobri que comparar uma pessoa à outra é algo inútil. Descobri que, apesar de voar, sempre teremos para onde voltar. Descobri que salada não é tão ruim assim. Descobri que me perder, muitas vezes, significa ganhar a chance de me (re)encontrar. E bem no fim de 2016, descobri que, se você pode sonhar, você pode realizar. E desde então tenho descoberto muito mais.

Descobri, por fim, que ainda existem algumas (muitas) dúvidas dentro de mim e (tantas) outras certezas espalhadas por aí. E então, descobri que essa é a graça de viver: saber o suficiente para querer continuar, mas jamais o suficiente para não seguir tentando. 2016 foi o presente mais lindo que já ganhei até agora. Foram lindas as nossas trocas e os nossos tropeços. E 2017 tem me mostrado que temos um longo e lindo caminho pela frente. Porque o tempo não para. E a vida é agora.

Vamos juntos?

Júlia Groppo

Por julia às 10.01.17 16 comentários

Faça as pazes com você mesmo
A arte de ser leve
A tal da ansiedade
Enfrente