A (des)ordem das coisas

Aparentemente, existe uma ordem perfeita na qual as coisas devem acontecer em nossas vidas. Nessa fase em que caminhamos para a famosa ”vida adulta” – na qual me encontro -, funciona mais ou menos assim: muito estudo (em uma área que você tem que ser apaixonado, é claro!), um plano de carreira dos sonhos, salário que brilha os olhos, um relacionamento perfeito, vida social tão agitada de dar inveja e por aí vai; e há quem diga que ainda sobra tempo livre para muitas outras coisas (do skincare às maratonas de Netflix). Passados alguns anos, vêm as promoções no trabalho, um casamento de tirar o fôlego, filhos muito bem planejados e desejados e tudo o mais que você quiser acreditar. Tudo o que decidimos, sei lá porquê, acreditar.

Daí que, dia desses, resolvi perguntar a mim mesma: quem foi que disse que precisa ser assim? Nessa ordem, desse jeito e com essa intensidade? Pasmem: não consegui responder à pergunta. Ri sozinha.

Engraçado como ao longo da vida massacramos os nossos desejos – que brotam de forma bem sincera dentro de nós – para ir de encontro com idealizações que nem sabemos de onde surgiram. Aos 23, posso dizer que algumas das mais famosas aspirações da minha geração têm resultado em muitos casos de depressão, crises de ansiedade, caixas e caixas de tarja preta e por aí vai. Triste, mas real! Vejo pessoas com seus 20 e poucos se afogando em seus próprios sonhos; ou pior: naqueles que foram sonhados para elas.

Empreender. Conseguir o primeiro milhão (antes dos 30, óbvio!). Trabalhar com aquilo que você ama. Virar CEO aos 27. Ser referência nas redes sociais. Ser uma pessoa muito (mas muito mesmo!) interessante. E ainda ter tempo de viajar o mundo. Esses são só alguns dos exemplos. E, conforme vamos crescendo, as cobranças continuam, apenas mudando de nome.

É verdade que é um desafio colocar o mundo no mudo para escutar a nossa voz interior, mas confesso que tenho me dedicado a ele cada dia mais. Por mais complexo que seja questionar coisas que parecem certas – muito por nos terem sido impostas desde sempre -, tenho me colocado frente a frente com elas. E olha, é um alívio toda vez que me lembro que, na verdade, eu não preciso conquistar nada disso se assim eu não quiser. Afinal, o que é do mundo é só do mundo, e não precisa pertencer a mim.

Contudo, estaria mentindo se dissesse que é algo simples de lidar. Até porque, essa lógica, se pouco repensada, faz total sentido. É a “ordem das coisas”, certo? E é nisso que estamos nos apoiando. Afinal, não dá tempo de parar pra pensar. Tudo isso precisa não só ser conquistado um dia, mas o mais rápido possível. Quanto antes, melhor. Não dá tempo de optar por outros caminhos (ou ao menos é isso que gostam que pensemos).

O que quero dizer com tudo isso é: mais do que nunca, conecte-se com você mesmo e descubra, em meio a essa (des)ordem, o que realmente faz sentido pra você.

Pense. Repense. Questione. Duvide. Recalcule. Recomece. Você não tem que seguir fórmulas prontas ou caminhos já desenhados. Seja pela sociedade, pelas gerações passadas ou pela régua do colega ao lado. A única verdade aqui é que a sua individualidade em cada escolha é o que vai tornar o caminho ainda mais belo. E, surpresa: você não é obrigado a ser e nem a conquistar nenhuma dessas coisas.

Júlia Groppo

Por julia às 17.12.19 365 comentários
O bom e o ruim

Lá estava eu assistindo a mais uma comédia romântica. Daquelas totalmente previsíveis (o tipo que eu mais amo!). Foi quando algo totalmente imprevisível foi dito por um dos personagens: “Quando você se abre para as pessoas, receberá o bom e o ruim que elas têm a oferecer”. Aquele tipo de coisa óbvia que precisa ser dita para você aprender. Fichas caíram.

Costumamos querer lidar somente com o lado bom daqueles com quem convivemos. Ouvir as notícias incríveis, abraçar todas as suas qualidades, saber sobre os seus sonhos. Quando algo ruim entra em cena, a coisa fica bem mais difícil, pois entramos em contato com os lados não tão legais das pessoas, mas que, justamente por serem pessoas, elas vão carregar (assim como eu e você, né?).

Chega a ser injusto esperar do outro somente o que de bom ele tem a oferecer quando nós mesmos sabemos da mistura perfeita de caos e ordem que acontece aqui, do lado de dentro. Quando sabemos – ou ao menos deveríamos – que somos feitos de qualidades e defeitos, e como cada situação da vida vai despertar diferentes lados nossos (muitas vezes aqueles que mais gostaríamos de esconder). E se queremos que aqueles que amamos nos amem por completo, por que esperar do outro somente as coisas boas?

Não estou dizendo que é fácil encarar o pacote completo que é um ser humano (já é difícil encarar o nosso próprio!), mas o que gostaria que você soubesse, assim como eu aprendi com aquele filme, é que o desafio está justamente em lidar com as sombras das pessoas, e de quebra ajudá-las a passar pelos momentos difíceis de suas vidas. Também não estou dizendo para você conviver com coisas que te fazem mal, pois se tem algo que aprendi nessa vida é saber a hora certa de me retirar quando algo ou alguém não está mais fazendo sentido para mim. Proteger-se é imprescindível.

Contudo, acredito fielmente que somos todos propósitos na vida uns dos outros. Seja para ensinar, seja para aprender. Tenho para mim que o máximo que pode acontecer é aquela pessoa me dar de presente um aprendizado (talvez sobre como não ser). Por isso, eu tenho decidido, todos os dias – por mais difícil que seja -, abraçar o caos e a maravilha que pessoas e seus universos me oferecem.

O que quero ter certeza é que estou recebendo-as em minha vida em toda a sua completude.

Júlia Groppo

Por julia às 17.12.19 377 comentários
Pequenas doses de felicidade

Cafés fortes acompanhados de um brigadeiro bem doce. Um banho quente antes de dormir. Visitas em livrarias sem hora para acabar. Cinema aos domingos. Acordar sem despertador. O café da manhã. Dirigir sem pressa. Repetir filmes. Segundas a noite, sextas a tarde e sábados de manhã. Revelar fotos. Casa de vó. Batom vermelho em dias cinzas. Dormir ao som de uma leve chuva.

Tenho uma lista de coisas simples que me fazem muito feliz. Muito mesmo. Deixo-a guardadinha em um lugar especial e acessível para que eu possa me lembrar, sempre que necessário, que não é preciso muito para que eu sorria para a vida. E para que eu possa também acrescentar tudo o mais que eu for descobrindo pelo caminho que faz o meu coração bater de forma mais rápida e leve, ao mesmo tempo.

São elas que me salvam em dias estranhos, deixam os bons ainda melhores e me ensinam que a felicidade mora nas pequenas coisas. Que, não à toa, felicidade rima com simplicidade.

A verdade é que qualquer paixão me diverte, e eu confesso que já cheguei a pensar que esse meu jeito bobo de me encantar facilmente pela vida e seus detalhes poderia me atrapalhar em determinadas situações. Hoje, sei muito bem que essa é uma das minhas armas mais poderosas para enfrentar tempestades (lê-se dias, semanas ou mesmo fases difíceis). Afinal, elas estão sempre lá: as minhas pequenas coisas que me trazem um quentinho no coração e que devolvem a minha paz por alguns minutos. Uma coleção da qual não abro mão e cuido com muito carinho. Entre um tropeço e outro, vou encaixando minhas pequenas doses de felicidade aqui e ali.

Hoje, eu gostaria de te lembrar que a felicidade pode ser o que a gente quiser que ela seja. É mais fácil do que parece, mas é também apenas mais uma das infinitas coisas que escolhemos complicar. É por isso que já faz alguns anos que eu decidi tornas as coisas um pouco mais fáceis para mim mesma e criar os meus próprios jeitos de me fazer feliz, abandonando qualquer receio de enxergar beleza no que é pequeno, simples e acessível. Pelo contrário: vou abraçando todo e qualquer conforto que encontro pelo caminho.

Desde então, é como se eu sorrisse para a vida e ela sorrisse logo de volta. Lá estamos, eu, ela e a felicidade, cara a cara umas com as outras. Tem sido uma aventura, e eu te convido a viver a sua também.

Júlia Groppo

Por julia às 17.12.19 405 comentários
Eu guardo pessoas em versos

Dizem por aí que se um escritor se apaixonar por você, você nunca morrerá. Como escritora assumida e incorrigível apaixonada pela vida, concordo em gênero, número e grau. Muitas pessoas viraram textos meus ao longo dos últimos anos e mal sabem disso. Arrisco dizer que nunca saberão.

É que nada, nada mesmo – muito menos ninguém – passa despercebido por mim nessa vida. Se eu te encontrar por aí, vou te notar; seja no jeito de falar, de andar, seja a forma como trata os outros, a si mesmo, encara os desafios ou mesmo ao descobrir o que te faz acordar todos os dias. Tudo isso me encanta. Assim como os detalhes da vida escondidos na rotina, que num jogo de ”caça ao tesouro” eu brinco de encontrar. Coisa de jornalista, talvez? Ou apenas de uma pessoa curiosa e um pouquinho louca (ainda bem!).

É fato que pessoas vêm e vão, e acho que guardá-las em versos foi uma forma que encontrei de tentar eternizar coisas que chegaram ao fim – ou mesmo poder lembrar de tudo o que fui aprendendo com cada uma em quem me esbarrei. Algumas ficam, outras precisam ir embora, mas o fato é que tenho guardado comigo todos os sentimentos que foram despertados e todos os aprendizados que coleciono nessa história de conviver. Afinal, dividimos esse mundo uns com os outros por um motivo, né?

Tenho pra mim que ninguém é tão ninguém que não possa nos ensinar algo. E é por saber das preciosidades que cada um carrega que eu decidi estar cada dia mais atenta a todos aqueles com quem cruzo o meu caminho. Em cadernos, blocos de nota, folhas perdidas por aí, eu guardo pessoas em versos e eternizo momentos.

Com todo amor e sinceridade do mundo, aqui vai um aviso: cuidado ao se aproximar, você pode virar um texto.

Júlia Groppo

Por julia às 11.12.19 409 comentários
Tudo é muita coisa

Dia desses, uma amiga me fez um questionamento muito pertinente, em meio a uma dessas conversas que costumamos ter sobre como crescer é algo bem esquisito e desafiador. “Por que a gente pergunta se ta T U D O bem com as pessoas? Do tipo: ‘oi, T U D O bem?’. Tudo é muita coisa”, ela disse.

Passei dias pensando nisso. Quando é que tudo está bem? Isso existe? A gente “chega lá”?.

Para mim, parece mais que a vida é um eterno equilibrar-se em uma corda bamba, mas com os pés bem firmes. Digo bamba, pois não temos certeza de nada. Digo pés bem firmes, pois no fundo a nossa essência sempre sabe o que faz o nosso íntimo vibrar, e é sempre nessa direção, entre os altos e baixos, entre uma coisa que está muito boa e a outra que nem tanto, que vamos caminhando. Que o caminho vai se fazendo. Em meio a dúvidas e certezas, e certezas que podem virar dúvidas novamente.

Tudo bem não estar bem com tudo. Tudo é realmente muita coisa. Estamos tentando. Tentar já é bastante coisa também.

Júlia Groppo

Por julia às 11.12.19 365 comentários
Sobre passado, fotografias e futuro

Gosto de ver fotos antigas e ainda mais de assistir a minha família o fazendo. É engraçada a nostalgia pela qual somos tomados e as discussões que começam sobre onde estávamos, o que estava acontecendo naquela época e quais eram os sentimentos que passeavam por nós com mais força e frequência.

Foi aí que pensei: daqui, sei lá, uns 10 anos, como quero estar olhando para as fotos de hoje? Do que vou querer me lembrar e que vai deixar o meu coração bem quentinho?

Com certeza, quero olhar para cada uma delas e saber que eu estava depositando minhas energias no que mais faz sentido pra mim. Quero sempre me arrepender de ter feito algo que de ter deixado de fazer (especialmente por medo). Quero poder ter tomado todos os sorvetes que tenho vontade, escrito todos os textos que não couberam apenas aqui do lado de dentro, dançado em todos os ritmos que a vida tocou pra mim, ter passeado pelo mundo, esbarrado em um tanto de gente incrível, não ter trocado a minha verdade pela de ninguém – mas com certeza ter trocado algumas certezas por dúvidas, pois é disso que a vida se faz.

Quero poder olhar, relembrar e sorrir sabendo que, não importa se a fase estava das melhores ou piores, eu estava lá, presente, registrando cada momentinho, processo e recomeço.

E você?

Júlia Groppo

Por julia às 11.12.19 363 comentários
Vai com (c)alma

Com o final de outro ano se aproximando (meu Deus, como voou esse tal de 2019), aproxima-se, também, aquele momento (que eu amo!) de rever as metas que você prometeu cumprir entre janeiro e dezembro, mas que, a julgar pelos poucos dias que faltam para virarmos o calendário, já sabemos que algumas ficarão para o próximo. Dá um certo desespero pensar nisso, não é?

Mas, certa vez, em meio ao caos da minha lista de uns anos atrás, uma amiga me deu um conselho do qual sempre tento me lembrar. Ela disse mais ou menos assim: “Júlia, o final de um ano não significa o final, também, das suas metas e de tudo o que é importante para você conquistar. Tudo bem não ter alcançado algumas. Quando o dia 31 de dezembro vira 1 de janeiro, as coisas continuam as mesmas e as chances de riscar essas metas também”. FEZ TANTO SENTIDO.

Como toda boa supersticiosa com o Ano Novo, fiquei um pouco insegura, confesso. Quer coisa melhor que riscar todas as nossas metas e partir para o próximo ano somente com as novas? Porém, consegui entender o que a minha amiga queria me dizer. Eu precisava pegar mais leve comigo e entender, de fato, o porquê alguns desejos não tinham sido alcançados ao longo dos 365 dias ao invés de apenas ficar frustrada e me culpar de todas as formas possíveis. Mais que isso, precisava olhar também para tudo o que não estava na lista, mas foi conquistado – porque a imprevisibilidade da vida é incrível.

É verdade que estabelecer metas e elaborar um planejamento – seja anual, mensal, semanal ou diário – é, muitas vezes, fator determinante em algumas de nossas conquistas. Sou defensora árdua do planejamento – e uma louca por agendas, calendários e técnicas de organização. Porém, tornar-se refém disso é outra história.

Veja bem, não estou dizendo para você abandonar listas de metas (eu mesma já estou planejando a minha para 2020!), mas que tal ir com mais (c)alma? Ao invés de se cobrar por aquilo que não foi realizado, que tal parar para pensar no tanto de coisa que você nem havia planejado, mas que, ao longo do ano, você fez acontecer? 

Se posso te dar um conselho hoje, é que não deixe que suas metas sejam maiores que você. Afinal, nossa vida é uma mistura do que a gente faz acontecer com aquilo que acontece com a gente. É muito mais uma força do acaso e como a gente vai decidir dançar com ele que somente uma agenda e tudo o que está escrito ali (a qual conseguimos facilmente controlar).

Pegue a sua lista, risque com gosto o que conquistou, comemore (você merece!) e leve as demais metas adiante. Janeiro pode ser o melhor momento para alcançá-las. 

Com carinho,

Júlia Groppo

Por julia às 11.12.19 325 comentários
Aprendendo comigo mesma

Gosto de reviver meus textos antigos. É incrível a forma como a Júlia do passado consegue me ensinar muita coisa e me fazer lembrar de outras muito importantes; essas que um dia eu soube, mas deixei escapar em algum momento – seja lá porquê.

É verdade que estamos, a cada dia, caminhando para uma nova e melhor versão de nós mesmos. A gente vai aprendendo, evoluindo, lapidando. Mas, para mim, o passado também tem muito a nos ensinar (e recordar!) e, por isso, gosto de fazer uma visita por lá às vezes.

A gente pode deixar um tanto de coisa valiosa pelo caminho. Nessa de viver, conviver (e, às vezes, sobreviver), podemos acabar trocando as nossas certezas pelas dos outros. Pelas do mundo. É aí que eu mesma, em uma versão minha lá do passado, me salvo da cilada que é nos deixarmos levar por qualquer coisa que não o que faz parte da nossa essência.
É por isso que olho o passado com carinho. Ao passo que sei que hoje sou uma versão melhor de quem já fui, nunca subestimo aquela Júlia, pois sei que ela pode me ajudar a voltar para o meu centro. A resgatar sonhos, recordar valores, recalcular caminhos. E então, fuço o meu bloco de notas, resgato cadernos e diários antigos, abro a caixinha de lembranças que tenho desde adolescente, volto nas últimas páginas deste blog. Estou sempre procurando-a, seja dentro ou fora de mim.
Andamos de mãos dadas, sempre. E assim vamos, ensinando e (re)aprendendo uma com a outra.
Júlia Groppo
Por julia às 11.12.19 406 comentários
Com emoção, por favor

Quando eu era criança, uma memória constante dos dias de férias na praia me leva de volta até os passeios de Banana Boat. Posso dizer que aquilo para mim era a maior aventura do ano, e o quanto eu me sentia corajosa por estar ali em cima. Lembro, também, que o cara que pilotava o barco nos fazia sempre a mesma pergunta: “Pessoal, é com ou sem emoção?”. Essa frase nunca saiu da minha cabeça. Apesar de na época não a entender muito – afinal, eu era só uma mini Júlia tentando descobrir o que eu fazia no mundo -, ela me marcou. E, por conta disso, carrego-a comigo desde então. Louco como podemos levar detalhes da nossa infância conosco, né?

O que quero dizer com tudo isso é que eu sempre pedi à vida que me trouxesse emoção. No dia a dia, nos desafios que ela me propusesse, nas pessoas que ela colocasse no meu caminho. Sempre perguntava a mim mesma: ”É com ou sem emoção, Júlia?”.
Dia desses, ousei reclamar com ela pedindo um pouco mais de calma. Foi aí que me lembrei: eu mesma que sempre pedi a tal da emoção. Ela, bem educada, me recordou dessas tantas vezes em que eu jurei que, sem emoção, não teria graça.
Tudo bem, vida. É com emoção, por favor. Todos os dias.
Júlia Groppo
Por julia às 11.12.19 330 comentários
Sobre expectativas

“Não crie expectativas. Elas não servem para nada”.

Li dia desses e veio como uma flechada, daquelas bem certeiras. Senti a indireta, tá, vida?! Tô sabendo… Mas, se é tão óbvio assim, se a danada faz tão mal, magoa, faz doer, chorar, sofrer, por que a gente insiste em criar? Sabemos bem onde vai dar.

A verdade é que costumamos idealizar um tanto de coisa nessa vida. Coisas, momentos e pessoas. A vida em si pode ser uma total idealização, se assim você permitir – e é aí que mora o perigo. Nada (e nem ninguém!) vai ser exatamente como desejamos. As coisas são o que são, assim como as pessoas.

Então, porque nós, seres humanos (lê-se totalmente imperfeitos), insistimos em desejar coisas perfeitas, redondinhas, sem eiras nem beiras? Coisa louca que é cobrar do universo e do outro uma perfeição que nem a gente pode oferecer. Mais louco ainda é pensar que tudo seria bom se realmente fosse totalmente controlável. A gente cresce é em meio às adversidades. Eu acredito, inclusive, que existe um propósito maior por trás de cada uma delas.

De sacudir, fazer pensar, recalcular a rota. Afinal, somos lugar de eterno recomeço.

A tal da expectativa já me levou para lugares horríveis, como ficar cega diante de tudo aquilo que está bem a minha frente: a minha vida como ela é. Porque bom mesmo é a gente abraçar as coisas como elas são – e, digo mais, devem ser. É a tal da verdade que eu busco, todos os dias. Estar aberto ao processo, seja ele como for. Doa a quem doer. E dói, hein? Fácil não é. Mas, vou te contar uma coisa: ninguém disse que seria.

Eu sempre brinco que o lance é sair deste plano melhor do que a gente entrou. E dá pra melhorar um tanto. Só que é um desafio diário, step by step, a passos de formiguinha. Mas, sinceramente? Não importa. O que importa é que estamos tentando; o progresso existe. E que venham novas expectativas para que sejam quebradas por nós mesmos. Para que a gente vá descobrindo, aos pouquinhos, que o que tem preparado para nós lá fora é o melhor que podíamos receber.

Afina, a vida não é o que achávamos, nem nada daquilo que nos disseram. É muito melhor que qualquer expectativa que criamos.

Tô com você nessa. Sozinho ninguém está.

Júlia Groppo

Por julia às 27.04.19 1.057 comentários

A tal da criatividade
O ”ponto morto” da vida tem seu valor
Sobre fios, fases e metamorfoses
Sobre rótulos e o despir-se socialmente