VOU TRABALHAR NA DISNEY

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“If you can DREAM IT, you can DO IT”

Essa frase do Walt Disney me acompanhou desde o início dessa intensa caminhada que percorri, desde o dia em que decidi me jogar nesse processo seletivo maluco, chamado International College Program (ICP), até a chegada do resultado. Trabalhar na Disney sempre foi um sonho do meu coração. Ele ficou bem guardadinho ali por um tempo, até que eu decidi que seria a hora de tentar. E que bom que a gente acaba dando aquele primeiro passo, que depois nos rende milhares de oportunidades, né? Que bom que a Júlia da noite de Ano Novo prometeu para si mesma que esta seria uma das metas de 2016. Que bom que ela teve força suficiente para ir atrás de tudo o que a levasse para mais perto disso. Que bom que ela depositou o que tem de mais precioso em todas as etapas: o coração.

O International College Program, mais conhecido como ICP – ou Cultural Exchange Program (CEP) – é um programa de trabalho da Disney, que recruta brasileiros para trabalhar nos parques e resorts durante três meses. Ele acontece de novembro a fevereiro e, durante esse período, podemos exercer diversas funções, que vão de operadores de brinquedos e atrações a vendedores, cozinheiros, camareiros, personagens, entre outras oportunidades incríveis. O processo seletivo ocorre todo ano e é auxiliado pela STB, agência de intercâmbio que representa a Disney no Brasil.

Eu poderia descrever o ICP como INTENSO, DE TIRAR O FÔLEGO, MALUCO e PERTURBADOR. São milhares de horas de sono perdidas ao longo de meses treinando para as entrevistas, aguardando os resultados, torcendo, roendo as unhas e rindo e chorando ao mesmo tempo. Sim, o ICP é uma montanha-russa de sentimentos. Isso porque estou falando apenas do processo, já que do programa só poderei afirmar quando voltar. Mas tenho certeza que será exatamente desse jeito.

E depois de meses de processo, nervosismo, ansiedade, dor de estômago e muita emoção, o meu tão esperado email de “CONGRATULATIONS” chegou e, com ele, uma oferta de trabalho da maior empresa de entretenimento do mundo. Lágrimas escorreram pelos meus olhos e o meu coração se encheu de gratidão naquele momento. Depois do email, milhares de outros momentos mágicos que eu desvendaria a cada passo dado em direção ao meu embarque foram me cercando e me mostrando que, sim, eu estava no caminho certo. Walt Disney tinha me dado a oportunidade de realizar um sonho dentro do lugar com o qual um dia ele sonhou. Deus estava ali, mais uma vez, me mostrando que vale a pena lutar por tudo que eu acredito. Sem medo e sem limites. Apenas eu, os meus sonhos e a vontade de realiza-los.

Eu seria cast member da Walt Disney World.

Sonhar um sonho requer esforço. Realizar um sonho mais ainda. Muitas vezes, é preciso nadar contra a correnteza e segurar aquele desejo bem forte conosco. Não soltar, não deixar ir, persistir até o fim. Um sonho é algo único, que jamais pode ser igualado a qualquer outro. Portanto, só você saberá – e entenderá – o quanto ele significa para você. Ser aprovada no ICP significou um novo passo na minha vida e a chance de usar a magia desse mundo para mudar o dia das pessoas. O meu email de “CONGRATULATIONS” significou uma nova fase de desafios. Estes que apenas eu e eu mesma enfrentaremos. Todo o processo me ensinou que, se eu sou capaz de sonhar, sou também capaz de realizar – assim como Walt Disney disse para nós. Além disso, pude entender de perto que nada que venha do nosso coração pode ser tirado de nós.

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Hoje, enquanto você lê este post, devo estar voando bem alto, de um jeito que faz meu coração bater mais rápido, rumo ao meu próximo desafio. Ah, como eu gosto de me desafiar… E às vezes, me desafiar significa colocar o relógio para despertar um pouco mais cedo para que eu consiga resolver as minhas pendências. Dessa vez, me desafiar significou fazer as malas, deixar uma antiga oportunidade para trás, embarcar em um voo sozinha e estar longe das pessoas que eu mais amo.

Dia 14 de novembro começo o meu programa e já embarco com a certeza de que não voltarei mais a mesma. Fui escolhida para trabalhar como Merchandising e sei que terei o desafio de me dedicar inteiramente aos guests e atende-los da melhor maneira possível nas lojas. Desafio aceito. E que venham os próximos dias…

Quero encerrar dizendo que estou preparando uma série de posts especiais e cheios de dicas sobre o processo para quando eu voltar do meu reino mágico. Quero ajudar você que está aí do outro lado da tela com os olhos brilhando e pensando: “Posso mesmo trabalhar na Disney?”. Sim, você pode. É um processo intenso, um caminho sem volta e uma oportunidade única. Posso adiantar que, uma vez que você pise neste mundo, jamais será capaz de deixá-lo. E será um prazer te ajudar a entender melhor essa oportunidade e fazer a magia acontecer aí dentro.

A DREAM IS A WISH YOUR HEART MAKES.

Enquanto isso, você pode acompanhar a minha aventura através do meu perfil no Instagram.

VAMOS JUNTOS?

Com carinho, frio na barriga e muito pixie dust,

Júlia Groppo – Cast Member 2016/2017

Por julia às 12.11.16 330 comentários
A vida como ela é

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A vida nem sempre é o que esperamos dela. Raros são os momentos que saem como planejado. Mesmo que alcancemos o que tanto almejamos, nada acontece da mesma forma como um dia imaginamos. Que bom que seja assim. Trilhamos diversos caminhos diferentes desde que nascemos e somos levados para lugares e pessoas que, não entendemos, mas acredite: há sempre um motivo (ou vários) para tudo ocorrer da forma que ocorre.

Há um ano atrás, se me contassem tudo o que aconteceria de lá para cá na minha vida, eu jamais acreditaria. As pessoas, os momentos, as conquistas, os dias difíceis que me derrubaram – mas que me ensinaram a ser ainda mais forte -, os desafios, além de cada lágrima derramada ou sorriso que se estampou no meu rosto. Não conseguiria imaginar tudo isso naquela época. Agora, olho para trás e agradeço pelo fato da vida ser exatamente o que ela é. Imprevisível. Caixinha de surpresas. Ousada. Invasiva.

Tudo isso, sim, porque ela não pede licença, nem diz por favor ou obrigado. Ela simplesmente entra, sem bater, te arrasta aqui e ali, traz pessoas, leva outras, mistura as coisas, te joga desafios, te deixa ali, com um grande problema em mãos, deseja boa sorte e sai sem nem dar tchau. Se vira aí, meu amigo. E ainda passa rápido, a danada. Temos apenas uma neste mundo. Uma vida; uma chance; várias oportunidades e a mesma vontade de ser sempre melhor.

Acho que é por isso que, a cada dia que passa, entendo melhor sobre o quão importante é valorizar cada momento e cada detalhe, além de viver cada dia do calendário como se fosse o último. Entre uma crônica e outra, fico aqui imaginando qual a próxima peça que ela irá me pregar. Qual o próximo destino? E o próximo desafio? Qual será a próxima conquista? Aqui, sou obrigada a dizer, mais uma vez, sobre como é importante sonhar, imaginar e refletir. Mas ah, a palavra final nunca será nossa, meus amigos.

Quem decide o que, quando, onde, com quem e por que é ela: A VIDA.

Deixe estar.

Júlia Groppo

Por julia às 10.11.16 381 comentários
Nossa marca no mundo

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Na semana passada encerrei mais um ciclo da minha vida. É incrível como as coisas passam em um piscar de olhos. Lembro do meu primeiro dia de trabalho naquele lugar: a roupa que escolhi para coroar o início, as orações que fiz, a ansiedade, o medo, a insegurança, a curiosidade e a vontade de transformar aquela primeira oportunidade em diversas outras. E assim aconteceu.

Aproveitei daquele lugar o máximo de oportunidades que me surgiam e me entreguei de corpo e alma para cada matéria que escrevi. A cada dia, um novo desafio. A cada pauta, novas descobertas. A cada noite em que chegava exausta em casa sentia dentro de mim o quanto aquela experiência estava valendo a pena. Mas minha mãe me disse uma vez que tudo passa, tanto as coisas boas como as ruins, e por isso entendia, um pouco por dia, que devemos aproveitar as boas ao máximo e respirar fundo pelas ruins, sabendo que uma hora ou outra elas irão embora. E assim também aconteceu.

Sabia que uma hora eu teria que dar tchau para aquele lugar, para a minha mesa, para aquelas pessoas e para aquela rotina. Apegada que sou, sofri com isso. Intensa que sou, percebi, emocionada, no meu último dia, que havia usufruído ao máximo tudo o que eu podia dali, e isso me mostrou que eu soube aproveitar esse grande presente que a vida me deu. Eu estava vivendo momentos incríveis dentro e fora daquela redação; havia feito entrevistas que jamais sonhei fazer um dia, criei uma rotina maluca e corrida, o que me encanta, mas de tudo o que aprendi lá, o que mais me marcou foi a importância de ser quem a gente é aonde quer que estejamos e de tocar as pessoas ao nosso redor de alguma forma. Aliás, da NOSSA forma. No meu último dia, pude sentir que havia deixado não só naquele lugar mas em cada uma das pessoas um pouco de mim. E isso, se vocês querem saber, não tem preço.

A vida é assim; passa rápido e quando nos damos conta, aquela fase nova que estávamos começando chega ao fim para dar espaço para outra. E outra. E outra de novo. E assim continua, até o resto dos nossos dias. E com o passar do tempo, conseguimos entender o quanto cada experiência nos transforma em seres humanos melhores e com maior entendimento do nosso ser, com maior propriedade para escolher o que é bom ou não para nós. Com isso, vamos trilhando o nosso próprio caminho, sem deixar que os outros definam para onde devemos ir, pois sabemos muito bem o que queremos.

Por isso, aonde quer que você passe, deixe que as pessoas ao seu redor te toquem de alguma forma. Ouça o que elas têm a dizer, absorvam os ensinamentos, as dicas e os conselhos. As coisas passam rápido, as oportunidades mais ainda. Não desperdice o quão valioso é deixar que as pessoas nos ensinem algo. Ao mesmo tempo, não seja passivo o suficiente para não deixar um pouco de você ali também. A vida é uma troca. É o que damos e o que recebemos, são os sentimentos que compartilhamos com os outros e as lembranças que vamos carregar dali para o resto dos nossos dias.

De tudo o que essa experiência me ensinou, o que mais me emocionou foi concluir que, em todo lugar que você passar, tente deixar um pouco de você; em cada canto do mundo, em todos os tipos de pessoas. Transforme o ambiente que você está em lugar melhor. Toque as pessoas da sua forma e tenha a certeza: você receberá como recompensa uma vida com mais sentido. Você entenderá com maior profundidade qual a sua missão neste mundo. Você perceberá que nada faz sentido se não tocarmos os corações das pessoas. Se não for o dos outros, que seja o nosso próprio.

Júlia Groppo

Por julia às 07.11.16 405 comentários
Hoje eu quero ser Júlia

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Já parou pra pensar o que te torna único em meio a uma multidão? Consegue listar as suas principais características que te tornam exatamente quem você é e te diferenciam dos demais? Penso eu que um dos primeiros passos para o nosso autoconhecimento e, consequentemente, nossa aceitação perante quem realmente somos, começa quando conseguimos identificar, em meio a todo o caos do mundo, qual a nossa verdade. E com verdade, podemos pensar no conjunto de coisas que nos faz ser quem somos: nosso físico – e bem mais importante que isso – a nossa beleza interior e as nossas ideias e objetivos. A nossa parcela de luz nesse mundo.

A partir do momento que estamos cientes de quem somos conseguimos sentir, também, o que gostamos em nós e o que nos incomoda. Nessa hora, para mim, o importante é realçar as nossas melhores características e driblar, um pouco por dia, os nossos defeitos. Eles não vão sumir – e nem devem, pois fazem parte do nosso conjunto de ser – mas podem ser melhorados.  O que não pode acontecer? Para mim, o cuidado aqui é com você querer que a sua vida seja igual a de alguém. Você querer se comportar e ter as mesmas características de outra pessoa. Você tentar se adequar aos padrões que fulano e beltrano criaram – sei lá de onde – e dizem ser a receita da vida perfeita. Esqueça as regras, os padrões, o passo a passo e “As 10 dicas para ser feliz para sempre”. Esqueça os moldes, as adequações e pare de se comparar. Você é ÚNICO. De verdade… Eu te juro. Não existe ninguém nesse mundo igual a você. Não existe outro Gabriel, outra Maria, outro Fernando ou outra Isabela. Não existem cópias. Não existe xerox. Só existe você e o seu poder de ser exatamente quem você é. Ta aí a grande importância do autoconhecimento.

É muito comum passar por essa fase onde desejamos ser qualquer pessoa, menos quem realmente somos. Isso porque esse processo maluco de aceitar quem a gente é – e transformar isso no nosso poder – requer tempo, paciência e maturidade. Entre tantas outras coisas… Ainda assim, quero te fazer enxergar ao ler este texto hoje que quando a gente se conhece de verdade, nada pode tirar de nós esse poder de querer ser QUEM A GENTE REALMENTE É.

Aconteceu comigo. Desde então, estou mais forte. Mais que nunca, quero ser quem eu sou. Mais que tudo, quero conquistar o mundo da minha forma. Em um dia qualquer, olhei para todas aquelas pessoas a minha volta e soube, naquele momento, que eu não gostaria de ser ninguém além de mim mesma. Descobri também que hoje, e pelo resto da minha vida, quero ser Júlia Groppo. Por tudo o que carrego comigo, por quem eu sou e por tudo o que sei que pode ser melhorado aqui dentro.

Você passou por essa fase? Está vivendo este momento? O que na sua vida te faz querer ser quem você é?

Júlia Groppo

Por julia às 31.10.16 352 comentários
Licença para sonhar

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30 dias me separam do embarque mais importante da minha vida. É muito louco imaginar que tudo está acontecendo de verdade. Mais louco ainda é acreditar que dará tempo de resolver tudo até lá. Essa mistura de sentimentos, sensações e pensamentos que passam pela minha cabeça e meu coração tem me deixado ansiosa em um nível que eu nunca havia chegado antes. O coração acelera só por estar escrevendo sobre isso. As batidas estão fortes, cada vez mais fortes, e tendem a ficar ainda mais.

Os dias que antecedem a realização de um sonho passam como brisa por nós. A gente não vê o relógio trabalhar. Por dentro, a história é outra. Um furacão que vai misturando tudo. A mente e o coração já não estão mais aqui, mas sim focados em tudo o que pode acontecer lá na frente. É como se eu tivesse páginas em branco bem nas minhas mãos e pudesse fazer o que eu quiser com elas. É tão bom preenche-las da maneira que eu bem entendo… Então eu vou colorindo, com a força do pensamento.

No fim do dia, pintei e bordei minha imaginação feito tela de quadro. E o furacão continua passando pelo meu corpo. Ansiedade, frio na barriga, coração acelerado, pontadas de dor (boa) no estômago. Como eu lido com tudo isso? Fácil. Simplesmente não lido. Deixo que todos esses sentimentos tomem conta de mim. E qual seria a graça da vida se tudo fosse fácil, previsível e equilibrado?

Essa loucura me encanta, me puxa e me conquista. Gosto de imaginar como tudo será, como eu estarei e como vou lidar com cada desafio que me aparecer pelo caminho. E sei que tenho mais 30 dias infinitos pela frente, para continuar sentindo tudo isso. Mais páginas em branco para preencher da maneira como eu quiser. Mas um dia um cara muito especial me ensinou que, se eu posso sonhar, também posso realizar.

Aliás, me desculpe, mas tenho que me retirar. Estou atrasada. Vou ali sonhar mais um pouco e já volto.

Com carinho,

Júlia Groppo

Por julia às 13.10.16 315 comentários
5 coisas que aprendi morando sozinha

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Morar sozinho tem suas dores e delícias. Tenho aprendido muito comigo mesma e com essa rotina doida que é ter que assumir todas as responsabilidades que antes estavam nas mãos de adultos, como os meus pais, que sempre me ajudaram em tudo. Acordar cedo sozinha, lavar a louça, manter o apartamento limpo, comprar comida, pagar contas, arrumar a cama, não deixar faltar itens básicos… São tantas entre tantas outras coisas que vem à tona quando você se vê sozinho pela primeira vez. Você descobre que nada acontece num passe de mágica, porque é preciso botar a mão na massa se você quer que as coisas funcionem.

Às vezes acho que a gasolina vai entrar magicamente pelo tanque do meu carro ou que a geladeira vazia vai se encher de uma forma repentina. Então eu lembro, em um momento desesperador, que as coisas não acontecem assim. Então eu lembro também que eu escolhi esse rumo para a minha vida e encarar as consequências disso faz parte tanto quanto aproveitar as partes boas.

Desde que entrei na faculdade, essa era uma das minhas maiores vontades. Gosto de testar a minha paciência e os meus limites, adoro me colocar à prova e crescer um pouco mais a cada dia e sabia que essa seria uma das melhores experiências da minha vida. E COMO TEM SIDO, VIU?

Morar sozinho não é nada fácil, pelo contrário: morar sozinho é ter, todos os dias, desafios e descobertas que nos levam a novos lugares de nós mesmos. Morar sozinho é um vestibular todos os dias. Morar sozinho é aprender a se virar nos momentos mais difíceis. Morar sozinho é queimar a panela de arroz, esquecer a TV ligada, chorar quando a conta de luz aparece debaixo da porta no fim do mês, acordar atrasado. Morar sozinho é ter que a lavar a louça todos os dias, porque sempre será a sua vez.

Mas morar sozinho também é fazer o que você quer, na hora que você quer e do jeito que você quer. Morar sozinho é não ter que dividir a barra de chocolate ou a TV. Morar sozinho é poder ouvir sua música preferida 15 vezes repetidas (sim, já aconteceu comigo), no volume que quiser, sem que tenha alguém para reclamar disso. Morar sozinho é deixar copos espalhados pela casa toda e também é deixar tudo desarrumado e arrumar quando você decidir que deu vontade. Morar sozinho é empilhar as roupas na cadeira da escrivaninha e demorar dias para encontrar aquela blusa que você tanto quer usar. Morar sozinho é descobrir, todos os dias, pedacinhos de você mesmo.

E é devido a essa loucura diária que tenho vivido, tão divertida, que decidi falar com vocês sobre isso hoje. Vem comigo descobrir as cinco coisas que mais aprendi morando sozinha.

1) EU SOU A MINHA COMPANHIA PREFERIDA 

A gente cresce acreditando que estar sozinho deve ser sinônimo de medo e tristeza. A gente aprende que a solidão está relacionada a momentos ruins e desperdiçados. Quer saber? Eu pude descobrir exatamente o contrário desde que me mudei. Tem dias que tudo o que eu quero é chegar em casa para ouvir apenas a minha voz, os meus pensamentos e as batidas do meu coração. É tão bom dar uma pausa do mundo de fora para fugir para o de dentro. A gente aprende que não há companhia melhor que a nossa. Estar rodeado de pessoas que amamos é uma delícia, mas saber aproveitar o que temos de bom e separar pelo menos um momento do dia para nos conhecer mais de perto é, acreditem, MELHOR AINDA.

2) É PRECISO FAZER SUPERMERCADO

Sabia que uma hora a comida acaba? Pois é. O leite, a bolacha, o arroz. E o sal então? E é nesses momentos que você descobre e aprende, da pior maneira possível, que fazer supermercado, como sua mãe sempre te convida e você nunca aceita, é uma tarefa muito importante.

3) NÃO DEIXE A LOUÇA ACUMULAR

Vejam bem:  chega um momento que tudo o que você precisa é de uma faca e, meus amigos, você abre a gaveta da cozinha e não encontra nenhuma. Nem garfos, colheres, pratos ou copos. A pia está lotada e a única solução é: lavar. Você olha para os lados e a única pessoa que enxerga é você mesmo. Não adianta, é a sua vez de lavar e sempre será. Eu aprendi isso na marra (na verdade, ainda estou aprendendo).

4) O DESPERTADOR DO CELULAR É ÚTIL

Até sair da minha cidade, meu despertador chamava-se Tânia, vulgo minha mãe. Ter a responsabilidade de acordar cedo para ir à faculdade e não perder a hora do estágio me fez descobrir a importância do alarme do celular, que até então, pasmem, era inútil para mim. Minha mãe sempre me acordou e me ajudou a não perder hora, mas quando me vi sozinha tendo que encarar esse conflito entre o meu sono e a vida adulta, não tive outra escolha a não ser aprender a acordar com aquele barulho chato. Preferia a voz da minha mãe, sempre doce e paciente, mas fico feliz em ter vencido esse passo. Sim, foi uma grande vitória, viu?

5) CRESCER NÃO É FÁCIL (MAS NINGUÉM DISSE QUE SERIA)

Realmente, ninguém me disse que seria fácil, pelo contrário, meus pais sempre me alertaram. Mas eu, teimosa que sou, sempre achei que sim. A gente sai dizendo por aí que não vê a hora de ser independente e arcar com as próprias responsabilidades, mas não imagina o tamanho da bola de neve que nos persegue quando isso realmente acontece. Não estou dizendo que crescer é um pesadelo, porque vejam bem, ao mesmo tempo que venho tropeçando nessa passagem da adolescência para a vida adulta, venho entendendo como é bom descobrir cada detalhe do que é a vida. As dúvidas que surgem ao longo do caminho só me dão mais vontade de continuar.  Mas que eu achei que seria fácil, eu achei… E a vida me mostrou que não.

Mas ela tem sido bastante carinhosa comigo, pois aos poucos, dia após dia, venho aprendendo o que é estar sozinho, ter que lidar com problemas que às vezes nem imaginaríamos lidar um dia e ter que lembrar de detalhes que antes nos passavam despercebidos, por termos pessoas que nos recordavam de cada um.

Morar sozinho é um desafio, um risco gostoso de se correr, todos os dias. Morar sozinho é uma das melhores formas de descobrir, aos poucos, quem você realmente é e até onde pode chegar.

Espero que tenham gostado e se divertido tanto quanto eu ao escrever este post e relembrar a minha primeira semana em uma cidade desconhecida, sozinha e com um mundo (e muita louça) pela frente. E se você que está aí do outro lado tiver essa oportunidade um dia, não pense duas vezes: vá e descubra. Será uma experiência única!

Com carinho,

Júlia Groppo

Por julia às 29.09.16 433 comentários
Sobre o “Setembro Amarelo”
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Falar é a melhor solução

Dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. Devido a isso, vocês devem ter se deparado com a corrente da campanha “Setembro Amarelo”, que tem como objetivo utilizar o mês de setembro como um alerta às pessoas em relação a algo tão sério, e que não sabemos, mas na maior parte dos casos pode ser evitado: o suicídio. Se você ainda não conhece essa campanha, vem comigo que eu te explico:

“Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 90% dos casos os suicídios são preveníveis por estarem associados à patologias de ordem mental diagnosticáveis e tratáveis, principalmente a depressão. Ou seja, de cada 10 casos, nove podem ser evitados com o diagnóstico preciso dessas patologias e o devido tratamento e assistência. No Brasil, são aproximadamente 12 mil casos por ano, o que resulta em uma média de 32 suicídios por dia”.

Vidas que podem ser salvas. Tragédias que podem ser evitadas. Famílias que podem continuar unidas.

Se você que está aí do outro lado já passou por uma fase muito difícil, sabe como é complicado sairmos do fundo do poço quando a única coisa que enxergamos é um breu. A vida parece parar de fazer sentido e as coisas parecem que jamais vão voltar ao normal. Você se vê ali, sem saída, sem chão e sem perspectiva alguma de querer continuar. O céu perde a cor. “Seguir em frente? Pra quê? E há razões por acaso?”. Todos nós passamos por alguma fase assim, cada em qual em seus níveis e dentro de sua realidade, até porque, o que pode ser um problema para mim pode ser algo que nem faz parte da realidade do outro. E isso é algo que tem que ser entendido e respeitado.

O importante é lembrar que alguns de nós têm mais sorte que outros. Se você que está aí do outro lado lendo isso tem pessoas com as quais pode contar e falar abertamente, sinta-se um felizardo. Muitos não têm a mesma sorte e não se sentem à vontade para conversar sobre o que se passa do lado de dentro. E sabemos, o lado de dentro, muitas vezes, pode ser o nosso próprio abismo. Por isso, não ignore um pedido de ajuda. Se puder, abrace. Converse. Aconselhe. Dê forças. Dê aquele empurrão. Espalhe amor. E o mais importante: OUÇA o outro.

É muito importante que saibamos reconhecer o nosso próprio valor, mas quando nos esquecemos, é bacana sermos lembrados por aqueles que estão ao nosso redor. Isso nos ajuda a continuar. Isso nos ajuda a lembrar quem somos, de onde viemos e para onde queremos ir.

Esse é um assunto bastante delicado e que requer atenção. Atenção esta que poucos dão. Devido a isso, quando descobri a campanha recentemente, me senti na obrigação de vir falar sobre isso aqui. Nosso cérebro pode ser o nosso pior inimigo, se o deixarmos. Portanto, muitas pessoas sentem-se presas a um sofrimento de algo que talvez nem seja real. E é aí que entra a empatia: saber colocar-se no lugar do outro, entender seus motivos e, o mais importante, ajudá-lo.

Existem diversas maneiras de colocar um fim em qualquer tipo de sofrimento, seja este relacionado à vida pessoal, profissional ou social. Há diversas formas de superar uma fase difícil. Se você sabe como, que bom, este já é um passo muito grande. Se você ainda não sabe, tente descobrir quais são as suas fugas. Saiba onde você pode encontrar o seu refúgio.

Minha dica para você que está passando por algo terrível é: FALE. Minha dica para você que conhece alguém que está com problemas é: OUÇA. Ninguém é um desperdício. Somos todos necessários. 

Assim, quem sabe, podemos evitar tantas vidas perdidas por aí.

Clique aqui para saber mais detalhes da campanha.

Júlia Groppo

Por julia às 18.09.16 400 comentários
Antes do dia partir

dia “O que valeu a pena hoje?

Sempre tem alguma coisa. Um telefonema. Um filme… Paulo Mendes Campos, em uma de suas crônicas reunidas no livro ‘O Amor Acaba’, diz que devemos nos empenhar em não deixar o dia partir inutilmente. Eu tenho, há anos, isso como lema.

É pieguice, mas antes de dormir, quando o dia que passou está dando o prefixo e saindo do ar, eu penso: o que valeu a pena hoje? Sempre tem alguma coisa. Uma proposta de trabalho. Um telefonema. Um filme. Um corte de cabelo que deu certo. Até uma briga pode ter sido útil, caso tenha iluminado o que andava escuro dentro da gente. Já para algumas pessoas, ganhar o dia é ganhar mesmo: ganhar um aumento, ganhar na loteria, ganhar um pedido de casamento, ganhar uma licitação, ganhar uma partida.

Mas para quem valoriza apenas as megavitórias, sobram centenas de outros dias em que, aparentemente, nada acontece, e geralmente são essas pessoas que vivem dizendo que a vida não é boa, e seguem cultivando sua angústia existencial com carinho e uísque, mesmo já tendo seu superapartamento, sua bela esposa, seu carro do ano e um salário aditivado. Nas últimas semanas, meus dias foram salvos por detalhes.

Uma segunda-feira valeu por um programa de rádio que fez um tributo aos Beatles e que me arrepiou, me transportou para uma época legal da vida, me fez querer dividir aquele momento com pessoas que são importantes pra mim.

Na terça, meu dia não foi em vão porque uma pessoa que amo muito recebeu um diagnóstico positivo de uma doença que poderia ser mais séria.

Na quarta, o dia foi ganho porque o aluno de uma escola me pediu para tirar uma foto com ele.

Na quinta, uma amiga que eu não via há meses ligou me convidando para almoçar.

Na sexta, o dia não partiu inutilmente, só por causa de um cachorro-quente.

E assim correm os dias, presenteando a gente com uma música, um crepúsculo, um instante especial que acaba compensando 24 horas banais. Claro que tem dias que não servem pra nada, dias em que ninguém nos surpreende, o trabalho não rende e as horas se arrastam melancólicas, sem falar naqueles dias em que tudo dá errado: batemos o carro, perdemos um cliente e o encontro da noite é desmarcado.

Pois estou pra dizer que até a tristeza pode tornar um dia especial, só que não ficaremos sabendo disso na hora, e sim lá adiante, naquele lugar chamado futuro, onde tudo se justifica. É muita condescendência com o cotidiano, eu sei, mas não deixar o dia de hoje partir inutilmente é o único meio de a gente aguardar com entusiasmo o dia de amanhã…”

Martha Medeiros

Por julia às 07.09.16 415 comentários
Da janela pra fora

janela

“Só os que arriscam ir longe demais são capazes de descobrir o quão longe se pode ir”

Essa é uma das minhas frases preferidas. E é tão verdadeira que chega a me dar arrepios. Isso porque, recentemente, pude sentir na pele que, quando nos arriscamos, descobrimos, enfim, tudo aquilo que somos capazes de fazer. E nós somos capazes de muito. A gente pode sempre mais – e cada vez melhor.

Mas há uma palavrinha, pequena, de quatro letras, que nos impede: M E D O. Com coisas bobas e, principalmente, com nossas metas e sonhos, o medo pode ser decisivo. O problema é quando ele nos impede de fazer o que sempre queremos, pois você só será capaz de saber do que é capaz se tentar.

Você não sabia que conseguiria morar sozinho, até que a vida te deu a oportunidade e você decidiu que seria bacana tentar. E conseguiu. Você não sabia que aquele relacionamento te faria tão bem a ponto de te tirar o fôlego até se permitir apaixonar. Entrelaçar as mãos. Dar o primeiro beijo. Você também não sabia que aquele curso da faculdade acabaria sendo o dos seus sonhos, até que se permitiu começar as aulas, ler mais sobre o assunto e se jogar naquele universo. Assim como você não sabia que o seu prato preferido era o seu preferido até que o provasse e pudesse compará-los aos outros.

A vida é assim. Em coisas simples, como um prato de comida, às mais complexas, como relacionamentos. Como com nossos sonhos, que insistimos em deixar lá, na gaveta, na imaginação e na listinha de metas que escrevemos todo 31 de dezembro. “Ano que vem eu vou…”, e lá se vão alguns bons itens. E lá mesmo é que ficam.

Você só sabe até onde pode ir quando se permite mostrar, a si mesmo, que consegue. Quando se arrisca. Não é sentado em frente à janela vendo a vida passar que descobrimos a nossa melhor versão. E eu saí daquela janela e fui descobrir a minha.

Eu fui.

E foi quando me permiti ir, cada vez mais longe, que descobri até onde posso chegar, ou que entendi que nem o céu é o limite. E isso me deu tanta força. Para mim e para tantos outros sonhos que me esperam. Foi quando fui que entendi que talvez não queira mais dar passos para trás, mas sempre para frente. Foi quando fui que pude conhecer um pouco mais quem eu sou, coisas que nem eu mesma sabia ao meu respeito – e que aposto que nem o mundo esperaria de mim.

Foi quando dei o primeiro passo a frente que todos os outros pareceram muito mais leves de serem dados. 

Foi quando eu fui que a magia aconteceu.

Enquanto a vista da janela parecia tranquila e segura, descobri que as calçadas da vida podem ser muito mais perigosas e requerem cuidado. É verdade. Não é fácil estar exposto ao que vier, pois nem sempre a vida se mostra fácil. Na maioria das vezes ela não é. Mas o resultado desse risco que decidi correr, e que quero correr pelo resto da vida, bom, acho que não preciso nem dizer, né? E se eu fosse você, corria descobrir.

Foi da janela pra fora que a vida aconteceu de verdade. Foi dai pra cá que eu vivi, na pele, no coração, na alma e por inteiro o que tem vindo para mim. E tem sido assim.

Saia da janela.

A vida pode ser linda, mas você não está fazendo parte dela. Percebe? Então vai. Vai e descobre. E depois me conta, ta?

Com carinho e sempre em frente,

Júlia Groppo

Por julia às 26.07.16 429 comentários
Quando a vida abraça a gente

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O avião que passa sobre minha cabeça me faz pensar que um dia posso estar lá dentro, embarcando em algum dos meus sonhos.

A xícara de chá às 7:45 me faz refletir sobre a sorte de poder estar viva.

O caminho até a faculdade, com os próprios pés, me ajuda a sentir gratidão por poder estar ali, aprendendo a ser e estar sozinha.

A última página de um livro recém-comprado me faz respirar aliviada por ter adquirido um novo conhecimento.

O caminho de volta à cidade onde nasci me ajuda a descobrir como é bom ter para quem e o de voltar.

O bom dia que alguém dá em troca do meu me ajuda a continuar acreditando que as pessoas ainda são gentis.

Os domingos me ensinam que cada segundo deve ser aproveitado.

A segunda-feira já não me entristece tanto. É uma nova oportunidade.

De dia, o céu me faz acreditar que a vida está apenas começando.

A noite, o céu cheio de estrelas me ajuda a entender que é preciso arriscar.

Os sonhos anotados numa caderneta antiga me fazem continuar.

Os novos, que costumo guardar no coração, mostram que ainda há muito pelo o que lutar.

A foto dos meus pais na cabeceira me faz entender o porquê de eu estar ali.

O Deus no qual acredito me faz suspirar aliviada por saber que tudo o que vier, é porque tinha que vir.

E então acontece: deito a cabeça no travesseiro, descanso feliz por mais um dia.

Mas sei que amanhã posso ser melhor.

Vida, eu não tenho mais medo. Descobri que você se esconde nos detalhes.

Júlia Groppo

Por julia às 25.07.16 413 comentários

A tal da criatividade
O ”ponto morto” da vida tem seu valor
Sobre fios, fases e metamorfoses
Sobre rótulos e o despir-se socialmente