Sobre a vida e a morte e o que tem no meio

“Tudo é provisório, inclusive nós”; disse uma de minhas escritoras preferidas, Martha Medeiros, em um de seus textos que mais amo. Acho que é o mesmo que acreditarmos que “tudo passa”, como dizia Chico Xavier. As dores e as delícias dessa vida, que têm prazo de validade – não importa o quão boas ou ruins pareçam -, assim como a gente, que vai ficando um pouco mais velho a cada dia que passa, caminhando para a nossa morte. Estranho e um tanto forte dizer isso, né? Mas é um fato, que por mais que ignoremos, não deixa de pertencer ao nosso destino. E, se você quer saber, julgo eu que uma das maiores graças de Deus a nós é termos a consciência desse momento, pois podemos, todos os dias, ao acordar, saber que temos uma nova chance para viver o nosso processo e evoluirmos para seres melhores, mas com a noção de que não teremos essa chance pra sempre; daí a importância de não viver uma vida medíocre (que coisa linda tudo isso, hein?). O que me leva a pensar em outro grande nome da minha lista de “pessoas favoritas no mundo”; Mario Sergio Cortella, que diz que não há porque nos preocuparmos com a morte, justamente por ela ser um fato, mas sim com a vida – e o que fazemos dela. Essa vida que nos foi dada como um presente e que pelo livre-arbítrio nos permite fazermos as nossas próprias escolhas.

Nenhuma dor é pra sempre. Nenhuma alegria, também. Nem nós. E será que a gente anda colocando tudo de nós nesses momentos? Os que escolhemos viver e os que chegam até a gente. Porque também tem disso, né? Tem coisa que a gente faz acontecer e tem coisa que acontece com a gente. Será que estamos abraçando a nossa dor – e, principalmente, sabendo nos amar nesses momentos tão difíceis? Será que estamos sendo inteiros nos nossos melhores momentos? Se a morte nos espera em alguma esquina escondida e se tudo nessa vida passa, não há tempo a perder, meu amigo. De ser inteiro, de ser imperfeito, de ser tudo aquilo que se quer ser.

Percebe como o medo fica pequeno frente a tudo isso? Como as dificuldades tornam-se “enfrentáveis”? Como os momentos felizes merecem uma gratidão imensa? Não é porque, de repente, as coisas ficam mais fáceis, mas porque você sabe que existem coisas muito maiores que merecem a nossa atenção. Que nos merecem.

Informação-nada-relevante-mas-que-quero-compartilhar-: esse texto foi escrito ao som de Lepo Lepo (não por livre e espontânea vontade, devo dizer). Sim, às vezes, as melhores reflexões nascem dos lugares mais inusitados – ta aí outra grande coisa sobre a vida pra mim: ela é um punhado de um tanto de coisa surpreendente. Não se ache muito esperto, o bastão desse jogo todo que a gente joga todo dia é dela. E não tem ganhador, não, ta? É tudo uma zoeira pra todo mundo sair desse plano melhor que entrou.

Boa sorte and let the games continue.

Júlia Groppo

Por julia às 19.07.18 1.091 comentários

1.091 Comentário em “Sobre a vida e a morte e o que tem no meio”

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