Pequenos grandes desejos

Quer uma verdade sobre mim? Qualquer paixão me diverte.

Fácil demais me deixar feliz; arrancar um sorriso, então… Basta me olhar nos olhos. Mais fácil ainda é eu mesma me fazer feliz (graças a Deus!). Solitude, sabe como? Aquela deliciosa e solitária caminhada para dentro de nós mesmos.

Tudo isso porque o dia a dia me encanta e eu costumo usá-lo ao meu favor. Sou uma incorrigível apaixonada pela vida. Mas não é por isso que ela é sempre tão boazinha comigo, ta? Na verdade, gosto de dizer por aí que a vida é boa até quando não é. Explico: tudo que nos acontece vai se transformar, mais cedo ou mais tarde, em tudo aquilo que estávamos precisando viver. Mesmo que seja um daqueles socos no estômago de tirar o fôlego e fazer estremecer. Juro juradinho. Na pior das hipóteses, aquela situação te deixou mais forte para os demais socos que surgirão daqui um tempo – porque, sinto lhe informar, eles virão.

É a vida, sabe? (pois é, nem eu. Mas não precisamos de muitas certezas para seguir em frente).

Vou dizer aonde quero chegar: para cada soco desse no estômago, desejo que você saiba revidar com um suspiro profundo e uma vontade surreal de continuar. Desejo que você saiba tudo aquilo que te faz grandioso e use isso como a sua principal arma. Desejo que você não se deixe abalar pelas pedras no caminho – como diria uma pessoa querida e especial, “as pedras são amigas”.

Desejo poder dosar os problemas que me encontram pelo caminho às coisas simples que mais me fazem feliz. Entre uma bordoada e outra, que eu consiga tomar um suco de laranja e comer um pastel de feira. Que eu possa acordar bem cedo, enquanto todo o resto da cidade dorme. Que eu possa pegar uma sessão de cinema quando rolar aquele aperto no coração. Que eu consiga olhar para o céu e dar de cara com toda essa imensidão, mesmo que a minha cabeça esteja pesada e fazendo de tudo para voltar-se para baixo. Desejo que eu possa ser a minha melhor companhia. Que, para cada dia de chuva – daquelas que molham a meia que está dentro do sapato -, eu consiga fazer ficar ensolarado aqui, dentro de mim. Que, para cada pontada de saudade, eu consiga acessar todas as memórias, cheiros e sentimentos que guardei no coração. Que eu consiga respirar bem fundo a cada vez que meu coração acelerar, mesmo estando parada, quando a tal da ansiedade tenta tomar conta. Desejo que, para cada não que eu receber, eu consiga dizer sim para uma nova tentativa. Que, a cada grosseria de graça em um dia qualquer, eu esbarre com uma pessoa cheia de vida – seja no elevador, na rua ou na padaria. Seja falando sozinha pelo meu apartamento, começando uma série nova ou lendo a última página de um livro, desejo passar por todas as estações que fazem aqui dentro. E você também deveria!

Tome posse de tudo aquilo que te faz bem. Deseje desejar essas coisas todos os dias.

Desejo, sobretudo, que haja um novo dia, para todo aquele que passou. Porque, se a gente, de repente, desejou errado, a gente deseja mais uma vez e outra de novo.

Eu desejo, inclusive, desejar para sempre.

Júlia Groppo

Por julia às 21.10.18 1.362 comentários

Comments are closed.

Portas abertas
Vidas editadas
Sobre lugares que nos (re)conectam com nós mesmos
25