Dieta da mente

Precisamos falar sobre o que consumimos diariamente – e não me refiro aos alimentos.

É verdade que a nossa alimentação é algo que merece devida atenção; cuidar da nossa saúde deve ser um dos primeiros itens da nossa lista de prioridades. Mas, quando digo saúde, me refiro, também, à mental. Mente e corpo trabalham juntos, diariamente, pelo nosso bem-estar; e, mais que isso, interferem no trabalho um do outro quando, de repente, começamos a deixar um dos dois de lado.

A situação mais comum – a julgar pelo meu círculo de amizades e convívio – é a seguinte: todo mundo faz algum tipo de exercício para o corpo, e isso é ótimo. Mas poucos têm noção da importância de malhar, também, o nosso cérebro – ou, ao menos, ser dono daquilo que você permite que esse órgão do seu corpo consome, todos os dias.

Vou dizer onde quero chegar: nas 24 horas que nos são dadas diariamente, temos ao nosso dispor uma infinidade de informações, bombardeadas de todos os cantos do mundo. Somos uma geração que acorda com o celular ao nosso lado (isso se não pegamos no sono rolando o feed do Instagram – e que atire a primeira pedra quem nunca fez isso ao menos uma vez nessa vida). De manhã, com os olhos mal abertos e a mente ainda atordoada com o sono profundo no qual você entrou, começamos a receber notificações de todas as redes sociais possíveis e não hesitamos em pegar o bendito em mãos.

Quando parei para analisar tal situação, percebi que algo estava muito errado. A gente não se dá folga, sabe? Não estamos nos dando o maravilhoso presente que é o devido tempo para respirar; para ser/estar no mundo sem precisar fazer parte de absolutamente tudo o que acontece ao nosso redor. Não estamos tendo noção do que consumimos, todos os dias. Nós apenas recebemos.

Existe uma passagem em Coríntios que gosto muito; minha mãe a repete até hoje para mim. Diz o seguinte: “Tudo me é permitido, mas nem tudo me convém”. Você pode consumir o que quiser. O mundo está aí, nunca antes tão acessível, a um clique de distância. Mas, se quer um conselho, lá vai: filtrar é preciso.

Tenho tentado, cada vez mais, fazer com que a primeira e a última coisa do meu dia não sejam olhar o celular. Quero dar de presente  a mim mesma consumir apenas coisas que me fazem bem – o que não quer dizer alienar-me das coisas, mas consumir o que tem a ver com os meus objetivos de evolução, sejam informações boas ou ruins, mas que, de certa forma, estão me acrescentando. O que fizer sentido, sabe como? – E, aqui, não me refiro apenas às redes sociais, mas às pessoas com as quais convivemos, às rodas de conversa das quais participamos.

Saia de perto, afaste-se, blinde-se. Você não precisa consumir absolutamente tudo o que chega até você. Crie o seu próprio filtro. E se de repente alguma situação for inevitável, escute por um ouvido e solte pelo outro. Se algo te faz mal – ou, pior ainda, não te acrescenta em absolutamente nada -, deixe para lá. Dê unfollow, delete a playlist, silencie o stories, troque o número do celular, deixe de seguir no Facebook, evite aprofundar as conversas.

Proteja a si mesmo de tudo aquilo que não vai te levar a lugar nenhum – seja para frente, ou para dentro de si mesmo.

Júlia Groppo

Por julia às 01.11.18 1.069 comentários

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