25

Há um ano atrás, nesse mesmo dia, escrevi: “Quanto mais confuso o mundo me parece, mais confortável me sinto do lado de dentro”. Daí que hoje acordei com 25 anos e aqui estamos: eu olhando para ele e ele olhando de volta para mim. A gente tá tentando se entender, mas os anos anteriores nos ensinaram muitas coisas que me fizeram chegar até esse momento com a paz de que a minha verdadeira bússola é o meu coração. E o mundo continua bem confuso, e o lado de dentro cada vez mais confortável.

A aspirante à escritora que habita em mim jamais deixaria um dia desses passar sem um textão. Então decidi que queria falar algumas coisas, mas que não queria cometer a besteira de que elas fossem sobre como eu imaginava que minha vida SERIA aos 25; eu quero falar sobre como ela ESTÁ, porque o que poderia ter sido já não me interessa, e sequer existe. Mas a pessoa que eu verdadeiramente sou hoje – junto a todos os erros e acertos que colecionei até aqui – é a qual eu gostaria de celebrar neste novo 20 de abril. 

Se eu pudesse, chamaria todas as minhas versões do passado para soprar as velinhas aqui comigo, pois foram elas – em todas as suas formas – que me trouxeram até este “aqui & agora” que me pertence mais que qualquer outra coisa.
Tem sido divertido olhar para mim mesma e sentir de maneira genuína que eu não tenho o mínimo interesse em viver qualquer história que não seja a minha. O meu único interesse mesmo é andar de mãos dadas comigo mesma sem nunca esquecer de levar um caderninho e uma caneta comigo pra que eu possa registrar cada coisa de uma história absolutamente normal, mas cheia de intenção. Porque muitas mudanças aconteceram (sempre estão), mas a menina do sorriso largo, coração mole, alma teimosa e gargalhada mais alta que deveria continua por aqui. 

Dia desses minha mãe me falou: “Filha, tenho muito orgulho do quão determinada você se tornou. Mas às vezes dá até raiva de tanta determinação, porque não dá pra mudar essa sua cabeça por nada nesse mundo”. Ri alto e senti uma pontinha de orgulho. A parte mais legal disso tudo é que parei de viver essa determinação toda através só de certezas e tô vivendo mais é pelas minhas perguntas.

Mas esse negócio de ser adulto, confesso, eu tô encarando aos pouquinhos, porque, entre um boleto e outro, eu ainda recorro aos episódios de Hannah Montana, ao colo da minha mãe e choro se alguém for grosso comigo. E provavelmente vou continuar. Tem coisa que o dicionário não dá conta de explicar e nem o Google ajuda a entender. Às vezes parece sorte, às vezes parece o acaso, mas na verdade é sempre Deus e a certeza de que a gente está onde precisa estar. Sendo o que dá conta de ser. E por tudo o que eu já fui e por tudo o que ainda serei: mal posso esperar. Nos meus 25, eu tô aqui. E a partir daqui tem muito mais.

A/C vida: é pra continuar com emoção, tá?

Júlia Groppo

(Texto escrito em 20/04/2021)

Por julia às 21.05.21 Comentários

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