Vidas editadas

Dia desses, encontrei um perfil no Instagram cuja bio dizia o seguinte: “Essa não é a minha vida, são só fotos.” Na hora em que li aquilo, fichas caíram. Pode parecer óbvio para uns, mas acredito que a maioria (assim como eu!) já sucumbiu à ideia de que a vida é o que vemos na internet todos os dias. De que o que está aqui é 100% real e é como a vida dos outros acontece em 100% do tempo.

Já me peguei algumas vezes (mais do que eu gostaria, inclusive) embarcando nesse pensamento tão pequeno de que o que vemos aqui é a vida em si. Hoje sei que o que está circulando entre feeds, stories, sites, cliques e afins são apenas fragmentos de vidas comuns que nas redes sociais ganham um ar de extraordinárias. Mas que, no fim do dia, são, sobretudo, imperfeitas. Um lugar onde as pessoas compartilham um pouco (bem pouco mesmo) de suas vidas editadas. Porque mesmo aquelas que estão focadas em trazer mais vulnerabilidade para este espaço não o fazem por completo, porque a vida acontece o tempo todo, principalmente offline (graças a Deus, né!) e escapa do nosso entendimento. 

Já ouviu aquela frase “a vida é o que acontece enquanto você faz planos”? Acho que também dá pra dizer que a vida é o que acontece enquanto você rola o feed do Instagram. E enquanto você está por aí, navegando nas diversas plataformas que a internet nos oferece, assistindo à vida recortada dos outros, não está vivendo inteiramente a sua, que, no fim das contas, é a única coisa que realmente te diz respeito: uma vida completa, porém imperfeita, que tela nenhuma é capaz de proporcionar. 

Assim como a tal pessoa da bio do Instagram, eu gostaria de te dizer: essa aqui não é a minha vida, são só textos e fotos que ilustram uma parte dela. 

Agora que chegou até o final deste texto, sai daqui e vai lá viver, por favor! 

Júlia Groppo

Por julia às 10.06.21 Comentários

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