Minha caixa de memórias

Em alguns momentos da nossa vida podemos nos afastar de quem somos, sem ao menos percebermos; e quando finalmente nos damos conta, podemos estar longe demais. Mas a boa notícia é que nunca longe o suficiente para nos resgatarmos novamente. Os motivos podem ser vários, mas o que mais importa mesmo é saber o caminho de volta para você mesmo. E existem muitas coisas que funcionam como verdadeiras bússolas internas. 

Desde criança, adoro ter a minha própria caixa de memórias. Cresci vendo minha mãe e minha vó cultivando o hábito de guardar algumas lembranças em caixas, então, logo quis ter o meu próprio espaço para isso. Sempre couberam muitas coisas ali, como cartas, fotografias e objetos que fizeram parte de momentos especiais da minha vida. Começou como uma brincadeira de criança, mas hoje sei exatamente o valor que isso tem para mim!

Nesses períodos de pura confusão interna, onde preciso reorganizar a bagunça que rolou dentro de mim, pegar essa caixa e olhar coisinha por coisinha sempre foi parte essencial do processo. Um verdadeiro resgate, eu diria. Afinal, há partes muito importantes da minha história ali: de onde eu vim, de quem já fui, do que já vivi, de quem esteve comigo até aqui. E do que ainda sonho muito em viver um dia.

A verdade é que cada um de nós sabe as suas principais armas para resgatar pedacinhos nossos que não queremos deixar cair por nada. E que, se de repente caíram entre uma tempestade e outra da vida, fazemos questão de recuperar a qualquer custo. São aquelas partezinhas de nós que formam quem realmente somos, no mais íntimo.  Podem ser filmes, músicas, fotografias, diários cheios de confissões antigas, e por aí vai.

No meu aniversário deste ano, ganhei uma caixa de memórias novinha da minha mãe, que conhece muito bem a filha nostálgica que tem. Já consegui colocar dentro dela alguns registros e lembranças especiais, e a verdade é que não vejo a hora de enche-la com novos capítulos da minha jornada. É um verdadeiro alívio saber que tenho muito bem guardadas coisas que sempre vão me ajudar a voltar para mim mesma, não importa o quão longe eu tenha ido da minha essência.

Júlia Groppo

Por julia às 21.06.21 Comentários

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