A lista do foda-se

Era madrugada e eu tinha acabado de assistir a mais uma comédia romântica dessas bem óbvias e completamente clichês. Minhas favoritas, diga-se de passagem. Sem sono algum, resolvi emendar em um outro filme e comecei a fuçar o catálogo da Netflix. Me deparei com um título curioso e dei play. Geralmente, demoro bem mais para escolher o que assistir; mas dessa vez foi rápido e totalmente aleatório.

Daí que o tal filme aleatoriamente escolhido – que parecia ser um daqueles que apenas te distrai dos problemas e do mundo lá fora – me trouxe até a reflexão deste texto. O que era para ser um momento despretensioso se tornou bastante reflexivo, e devo confessar que eu adoro quando isso acontece. Em plena madrugada, lá estava eu pensando sobre a minha ”lista do foda-se”. Calma que já te explico!

A trama conta a história de um estudante do Ensino Médio que passa pelo menos os últimos quatro anos da escola dedicando-se totalmente a tirar boas notas e a fazer atividades extracurriculares, tudo para conquistar a tão sonhada vaga na faculdade. Logo no início do filme fica bem clara a cobrança excessiva dos pais com ele, e o quanto ele teve que abrir mão de simplesmente se divertir com os amigos ou investir tempo em coisas que realmente gostasse para atender a essa demanda externa.

O tão aguardado dia da divulgação das listas de aprovados das faculdades havia chegado, e ele havia conquistado vaga em sete. Você então deve pensar que ele se considerava um garoto de sorte e estava extremamente feliz com as conquistas. Mas, na verdade, é o contrário! Ter enfim alcançado esse objetivo o fez olhar para os últimos anos vividos (ou melhor, que ele deixou de viver de verdade!) e se dar conta de que tinha embarcado em sonhos que não eram dele. Isso deixou ele completamente frustrado e perdido.

Foi então que ele decidiu escrever a tal da ”lista do foda-se”, onde declarava todos os seus desejos mais genuínos se não fossem as tais expectativas alheias sobre a sua vida. Desejos esses que ele sabia que seriam julgados por várias pessoas conhecidas, inclusive os seus pais.

Todo esse contexto sobre o filme para enfim chegar aqui e te perguntar, assim como perguntei a mim mesma enquanto assistia ao filme: qual seria a sua ”lista do foda-se”? O que você faria ou assumiria que tem vontade de fazer se não fossem os julgamentos e as expectativas alheias? Quais atitudes você tomaria daqui pra frente se conseguisse ignorar os olhares tortos e comentários desnecessários de familiares, amigos, parceiros, vizinhos, conhecidos ou colegas de trabalho?

Dependendo do tamanho da sua lista, pode ser que esteja na hora de ouvir mais o seu coração e menos o mundo. Será que você tem vivido de acordo com o que realmente deseja?

Júlia Groppo

Por julia às 14.07.21 Comentários

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