Um eterno rasgar-se e remendar-se

Já dizia Guimarães Rosa: “Viver é um rasgar-se e remendar-se”. Ele só se esqueceu de nos avisar que, às vezes, esse processo rola várias e várias vezes em um só dia, rs.

Resiliência é uma palavrinha que, assim como a tal da gratidão, fez morada na boca do povo e pode até ter tido o seu significado distorcido; mas não deixa de ter tamanha importância na jornada da vida e nesse processo de rasgos e remendos. Ser resiliente é ter a capacidade de se adaptar em situações difíceis, que causam estresse e desafiam até aqueles cuja saúde mental está sempre em dia (se é que isso ainda é possível na sociedade atual que vivemos).

A vida acontece o tempo todo e é certo que o relógio não pára para nos dar fôlego. É por isso que essa é uma habilidade muito importante de ser desenvolvida. Ainda que você esteja cansado, triste ou desmotivado, será preciso continuar. Nem sempre vai dar para tirar férias, fazer pausas entre uma responsabilidade e outra ou contar com os feriados de um ano. Este, por exemplo, tem tão poucos…

Sou uma defensora árdua dos tais respiros que a gente pode (e deve) se dar entre as demandas da vida; estou sempre em busca de novos. Mas quando a gente vira “gente grande”, leva logo um tapa na cara de que ninguém vai esperar seus problemas se resolverem. Muitas vezes, as pessoas sequer vão querer saber como você está.

Rasgar-se e remendar-se são dois grande fatos (e, de certa forma, fardos) sobre estar vivo. Vamos ser rasgados (pelo trabalho, pelos plano que dão errado, pelas relações tóxicas nas quais caímos, por nós mesmos) muitas e muitas vezes. Cabe a nós descobrirmos, a cada dia que passa, a melhor maneira de nos remendar. Seja através de crenças, de hobbies ou qualquer que seja a ferramenta que nos ajuda a recomeçar mais fortes, conscientes e sabidos.

Júlia Groppo

Por julia às 15.08.22 Comentários

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