Cuide do seu dia a dia

Às vezes, na ânsia de querermos conquistar algo, passamos a atropelar muitas coisas valiosas da nossa rotina em uma busca incessante que nos deixa cegos em vários sentidos. Numa dessas, essas coisas acabam perdendo o valor, pois sequer as enxergamos, ouvimos ou sentimos. Sequer nos damos conta dessas pequenas alegrias que fazem parte da “vida de todo dia”, algo que minha mãe sempre me disse, desde bem nova, e que tem feito cada vez mais sentido para mim ao longo dos anos.

A gente fica tão focado em alcançar as tais metas (sejam as de Ano Novo, as do trabalho ou os grandes sonhos de vida) que nos esquecemos que a vida é feita de dias, um após o outro. E que cada um deles que nos é dado possui diversos momentos que são um verdadeiro presente – em sua maioria, ordinários; o que não quer dizer que não possam ser proveitosos.

Esses presentes são sutis e é preciso um olhar atento e carinhoso sobre a vida de todo dia. É sobre o café da manhã sem pressa junto daqueles com quem você divide o lar. Sobre o beijo na testa que alguém te dá antes de sair de casa para trabalhar. Sobre perceber o que o seu coração tem a te dizer. Sobre perguntar (e verdadeiramente querer saber) como foi o dia de alguém. Sobre conseguir enxergar se as pessoas ao seu redor estão precisando de ajuda. Sobre saber como está o tempo lá fora, pois você se lembrou de olhar pelas janelas (do home office ou do escritório). Sobre o cheiro de café recém-passado que viaja da cozinha até os demais cômodos da casa. Sobre fazer uma coisa de cada vez. Sobre os movimentos que o seu pet faz pela casa. Sobre as suas mudanças de humor ao longo das horas.

É sobre perceber a vida e perceber-se nela.

Para isso, é preciso um cuidado diário, tal qual com uma planta, que precisa de água, adubo e várias outras coisas para que possa, aos poucos, mostrar a sua beleza. Assim é com a nossa vida: se não tivermos uma dedicação diária para que esses pequenos valiosos momentos sejam percebidos, jamais provaremos de seu delicioso sabor.

Tudo bem ter grandes objetivos, pois eles nos movem entre os altos e baixos da rotina e, nossa, como é deliciosa a sensação de conquista-los. Mas não se esqueça de cuidar do seu dia a dia, de cada pequena tarefa, pessoa, prazer e sensação, pois a vida é muito mais feita dele. Ela é muito mais sobre isso que qualquer outra coisa. É a tal da “vida de todo dia” que a minha mãe sempre me disse e da qual não quero nunca me esquecer.

Júlia Groppo

Por julia às 06.01.22 Comentários
Me despedindo de 2021

Não é possível dizer ”até logo” para um ano. Para muitas coisas na vida, sim. Pessoas, lugares, fases, hábitos, sonhos. Se assim quisermos, é sempre tempo de reescrever novas histórias com essas companhias. Mas, segundo o que dizem os calendários, um ano só tem a chance de existir uma vez. E depois de tudo o que nos cabe viver entre 365 dias, é chegada a hora de dizer adeus, pois só é possível dar boas vindas ao próximo se este de agora puder ir embora. E mesmo que você não queira, sinto em lhe informar, ele irá. Ao menos é o que nos juram que acontece na madrugada entre o dia 31 de dezembro e 1 de janeiro. E é bem aqui que chego com uma pergunta para te importunar: olhando agora para trás, despedir-se de 2021 te dá alívio, tristeza ou gratidão?

Já adianto que não existe resposta certa, afinal, para uma pergunta como essa, podem haver inúmeras. Tão desafiador quanto 2020 (para algumas pessoas com quem converso, até mais), 2021 continuou nos tirando do eixo e nos colocando à prova em diversos sentidos. Pudera: ainda vivemos uma pandemia que deixa rastros diversos por onde passa, sejam físicos, mentais, psíquicos, econômicos, entre tantos outros que ainda nem têm nome. Mas isso, acredito eu, todos já estão cansados de saber. E é justamente por todo esse cansaço que é praticamente impossível definir um ano como 2021 em poucas palavras. Acho que ele carrega tantos significados que prefiro não colocá-lo em caixinhas como ”bom” ou ”ruim”.

A verdade é que eu não gosto de fazer isso com nenhum dos anos que vivo. Para mim, é inconcebível resumirmos o tanto de vida que cabe em todos esses meses e dias que nos são dados como uma coisa só. A vida é vasta. 2021, para mim, foi tudo o que eu não soube imaginar quando chegava próxima ao fim de 2020. Lembro de estar exausta e confusa. De, apesar de ter esperanças, segurar as rédeas do meu coração ansioso e da minha alma sonhadora para evitar grandes frustrações.

Mas a vida, tão sábia, dançou em novos ritmos que me tiraram do lugar. Que me convidaram, mais uma vez, a viver. E eu, como uma boa ariana, fui. Ora dançando no ritmo da minha teimosia, ora aprendendo a dançar no ritmo que a vida decidiu tocar para mim. E foram tantos. Ritmos tão ecléticos quanto os que formam as minhas dezenas de playlists do Spotify.

Sempre digo que quero viver o máximo de vidas que eu puder dentro dessa que me foi dada há 25 anos. Por isso, agradeço quando, por conta própria, o universo me faz viajar por diferentes espaços, dentro e fora de mim, como se eu tivesse feito uma longa viagem. Daquelas que a gente volta com a mala ainda maior que a que saiu de casa, já que acumulamos muita roupa suja, registros, histórias e aventuras. 2021 foi exatamente assim. É como se diversos anos coubessem em um só.

É mais fácil sentir que explicar, mas eu finalmente entendi que a imprevisibilidade da vida é o que nos faz tremer de medo dela e, ao mesmo tempo, querer abraçá-la de peito aberto. É o que mantém tudo mágico mesmo que em cenários catastróficos.

Esse foi um ano que me mostrou, da maneira mais transparente e bonita, que a vida acontece – e que ela pode ser incrível – mesmo quando não temos todas as respostas que gostaríamos. Quero sempre me lembrar disso para todos os próximos novos anos que vierem. Aperto o ”publicar” deste texto que fala sobre esse ano, que já é passado, em 2022 – e isso sem cobrança nenhuma. Outro grande aprendizado que tive em 2021 é que o tempo real da vida (o do universo, da natureza, dos sentimentos) em nada tem a ver com o tempo que corre entre o relógio. Virar a folha de um calendário não resolve tudo o que gostaríamos. Despedidas levam tempo.

E tudo bem, pois a chegada de um novo ano nos dá a esperança necessária para ir em busca de tudo isso, o que já é o suficiente. Obrigada, 2021.

Júlia Groppo

Por julia às 03.01.22 Comentários
Que bom que algumas coisas nunca mudam

Você já ouviu aquela frase que diz que o tempo passa, mas que certas coisas nunca mudam? Eu já, várias vezes. E em todas elas, ela sempre fez muito sentido para mim. Como uma boa ariana, adoro mudanças. Sou movida por elas, na verdade. Me tirar das minhas diferentes zonas de conforto é como um hobbie para mim. São essas mudanças que me conduzem entre o passar dos dias e me alimentam para seguir em frente acreditando que eu posso, do meu jeito, mudar esse mundo de alguma forma. Mas devo confessar: o fato de acreditar que realmente têm certas coisas que nunca mudam é um verdadeiro alívio para a minha alma.

Isso porque há certas coisas na vida que eu jamais quero que mudem, pois, para mim, elas já são incríveis da maneira que as conheci e que continuam sendo até hoje. O meu amor pelas coisas simples, amizades que sobreviveram ao tempo como se ele nunca tivesse passado, a minha essência, meu olhar irritantemente otimista para a vida, minhas principais referências, paixões da infância, minha playlist preferida, entre tantas outras que eu prefiro guardar para mim. Vem ano, vai ano, e elas continuam ali.

A gente vive lendo por aí que a vida – e principalmente nós mesmos – podemos ser sempre melhores. Que sempre existirão versões mais evoluídas a serem encontradas. Até acredito, mas arrisco dizer que têm coisas que simplesmente são incríveis desde o comecinho delas, do jeito que são, sem tirar nem por. Do tipo que ”se mudar, estraga”.

Saber que essas coisas nunca mudam – pelo menos não até o momento presente – e me dar a chance de acreditar que nunca vão mudar é como uma verdadeira bênção diária para mim. Daquelas que provocam um grande alívio e deixam o coração quentinho e seguro, como se estivesse sendo abraçado por alguém que o diz: ”Calma, a vida (e principalmente o mundo) pode ser bem doida, mas estes serão portos seguros para sempre”.

É como se não importasse o quanto o mundo, a vida, as pessoas, os padrões, as leis, o mercado, as tendências possam mudar lá fora, algumas coisas simplesmente não vão mudar junto a tudo isso, pois são incríveis da maneira que são. Tempestades virão, mas essa pequena coleção de coisas que graças a Deus nunca mudam sobreviverão a elas, pois possuem fortes raízes.

Então, que bom que certas coisas nunca mudam, não importa quanto tempo passe entre os relógios. E eu espero que elas continuem exatamente assim.

Você já teve essa sensação?

Júlia Groppo

Por julia às 24.12.21 Comentários
Carta à Júlia de 17 anos

Querida Júlia,

Quem te escreve isso é a sua versão de 25 anos. É estranho pensar que já se passaram oito anos desde o seu último ano na escola e o primeiro na faculdade. Parece que foi ontem. Aliás, essa é uma das coisas que mais te assusta sobre a vida: o quanto o tempo, de fato, parece voar após os 18. Seus pais estavam certos quando te avisaram sobre isso.

Decidi te escrever porque estamos em uma fase de muitos resgates e (re)descobertas. Sim, aos 25 anos, uma idade em que você jurava que estaria com todas as respostas nas mãos, na verdade está com mais dúvidas, e algumas certezas que você jurava que tinha até então estão escapando das suas mãos. Estamos vivendo uma grande metamorfose. Você vai passar por muitas delas ao longo desses próximos anos, mas a de agora está sendo bastante profunda, intensa e dolorida. Pudera: dos 17 para cá, assim como você sempre desejou e correu atrás (santa teimosia), muitas, mas muitas coisas mesmo aconteceram. De grandes sonhos realizados a muitas quebras de expectativas. Crescer é, sobretudo, dolorido. Mas eu quero que você saiba que sempre tem lutado para que cada fase tenha suas cores e belezas. Afinal, a vida é difícil, mas não deixa de ser boa.

Eu sei que você não vê a hora de começar a faculdade. Lembro como se fosse ontem o quanto janeiro de 2014 foi um mês de muita ansiedade. Mas aquela ansiedade gostosa, na medida certa, que faz a gente se alegrar pelo que está por vir, mesmo sem nem saber o que é. Você queria muito uma nova cidade, novos amigos, novos dias e uma nova chance. Queria recomeçar. Até o cabelo você finalmente cortou mais que apenas os ”três dedinhos” que costumava, e esse foi só um primeiro passo para todos os próximos muitos dedos de cabelo para os quais você dará tchau nos próximos anos. Não se assuste, você vai se reconhecer cada vez mais nesses novos cortes.

É por isso que olho para você com tanto carinho. Sei o quanto você desejou e lutou por esse momento. E já te adianto: você vai aproveita-lo muito bem até chegar onde estamos agora.

Gostaria de te dizer que não venho até aqui te contar apenas sobre respostas. Sinto lhe decepcionar, mas algumas das suas perguntas ainda não foram respondidas e muitas mais surgiram ao longo do caminho. A verdade é que, ao virar adulta (ou tentar se tornar uma, rs), estamos descobrindo o quanto os adultos não sabem de nada. Então, me desculpe se isso vai te assustar, mas ser adulto nada tem a ver com ter controle total sobre a vida. Com saber o caminho das pedras para o sucesso ou a felicidade. Isso não é algo que a idade e a maturidade trazem, tá? Na verdade, elas nos ajudam a entender que a graça da vida está justamente nessa falta de controle sobre qualquer coisa, como o agora. Que dirá com o futuro (risos).

Em alguns momentos, estar sozinha vai ser bastante difícil, afinal, você sempre amou ser rodeada de pessoas. Mas acredite: logo você vai descobrir o quanto é poderoso ser e estar neste mundo em nossa própria companhia. E então, o medo irá embora, dando espaço a algo que vai se transformar na sua maior força: sua capacidade de viver e de ser feliz (ou melhor, de se fazer feliz), independente de ter alguém ou não ao seu lado.

Você não vai se livrar de ”pessoas erradas” na faculdade. Sei que você está com o coração exausto por ter tido que lidar com algumas durante o colegial, mas novas como essas vão surgir. E se é que posso te dar um conselho, entenda que elas sempre existirão. Na faculdade, nos seus estágios, na vizinhança e até em meio aos seus grupos de amizade. O lance está em como vamos aprender a nos proteger delas e a não deixar que mexam com o que temos de mais valioso: a nossa autenticidade.

Eu sei que de vez em quando você tem medo de, em algum momento, por qualquer que seja o descuido, deixar de ser você mesma. Deixar que te roubem da sua essência, te tirem do seu centro ou balassem as estruturas que nos formam do jeitinho que somos (e do qual não abrimos mão!). Mas pode ficar tranquila: nosso relacionamento com quem somos vai apenas se fortalecer com o passar desses anos. E por mais que a gente escorregue às vezes (porque ninguém está ileso a nada nessa vida), de uma coisa tenha certeza: você sempre, sempre mesmo, saberá o caminho de volta. A cada ano, a cada fase, a cada tropeço, a gente aprende uma nova arma que nos ajuda a nos resgatar. A silenciar o mundo lá fora para se reconectar com o nosso de dentro.

E como algumas coisas graças a Deus nunca mudam, você ainda é apaixonada pela Disney, não larga os livros, ama estar com a sua família, coleciona viagens (principalmente as para dentro de si mesma), vive das palavras e ainda sonha em mudar o mundo aos pouquinhos. Por mais que a gente esteja descobrindo agora o quão difícil é lutar contra padrões e realidades socialmente impostos.

Agarre-se em si mesma, não solte a sua mão por nada, não se esqueça das suas raízes, proteja a sua essência, não desista um segundo sequer do que tanto sonha, preserve a sua autenticidade e, o principal: escreva em seus cadernos cada detalhe de toda essa história de altos e baixos que estamos escrevendo juntas. Ao contrário do que todos os filmes que você assistiu até agora dizem, a vida não precisa ser perfeita para valer a pena. É em meio a desafios e sonhos realizados que ela se faz. É a tal da ”vida de todo dia” que a sua mãe sempre te diz, e que fará cada vez mais sentido para nós.

Veja bem, não te escrevo tudo isso para tornar o seu caminho mais fácil, afinal, são todas as difculdades nas quais você vai se esbarrar em breve que me trouxeram até aqui hoje. Se posso desfrutar de tantos ensinamentos, é porquê você vai fazer um ótimo trabalho por nós duas. Escrevo aqui apenas alguns lembretes para te dar força e coragem. Alguns acontecimentos e detalhes eu prefiro que você nem saiba, afinal, não precisamos saber tudo para que valha a pena continuar. As surpresas da vida são um dos temperos mais incríveis dela.

Se tem algo que venho aprendendo com a nossa caminhada é que todas as minhas versões merecem o seu devido valor. Todas elas, dentro de suas realidades e limitações, estão fazendo o melhor por mim. O melhor para me levar até onde tanto desejo, sempre guiadas pela nossa bússola preferida: o nosso coração. E, claro, sem acreditar que o destino tem mais valor que a caminhada, e é por isso que cada uma delas têm o direito de viver aquilo que lhes foi reservado.

Siga em frente com muito humor, fé (principalmente em si mesma), coragem e alma. Você nunca vai se arrepender por caminhar pela vida dessa maneira, ainda que ela se mostre extremamente desafiadora em alguns períodos.

Com toda a sinceridade, amor e respeito do mundo,

Júlia Groppo

Por julia às 20.12.21 Comentários
Quantas Júlias ainda estão por aí?

Eu já me questionei algumas vezes sobre quantas Júlias ainda estão por aí me esperando. Porque muitas já passaram por mim, mas eu sei (ou melhor, eu sinto) que muitas outras ainda me aguardam.

Não sei exatamente aonde estão e em que momento vamos nos esbarrar. Não sei se vamos nos gostar ou nos entender. Sei menos ainda quais os momentos da vida de que vão me levar até elas. Se vai ser um tropeço. Se vai ser uma escolha. Se vai ser uma benção. Se vai ser uma grande queda. 

Mas não é muito doido imaginar isso? Que existem versões suas por aí (ou melhor, aí do lado de dentro mesmo, bem escondidas) que você sequer conhece? E que só depois de muito tempo se revelam? E que pra conhecer, o jeito é continuar caminhando. Vivendo. Experimentando. Arriscando. Recomeçando, todas as vezes que forem necessárias.
E, principalmente, estar aberto a todas as nossas versões que ainda vamos conhecer, sejam elas incríveis ou nem tanto. 

O que mais me encanta em tudo isso é imaginar o tanto de vida (e de mim) que ainda tem pela frente. E eu nem tô falando de tempo. Eu tô falando de intensidade, que é o que realmente importa. Pode parecer papo de louco. Mas que bom que a loucura existe, né. É ela quem nos salva do tédio que às vezes é estar vivo. É ela quem nos faz dar novos significados para a nossa existência. 

Para cada uma das nossas versões que, de repente, como num acidente muito bem premeditado pelo universo, ganham vida. 

Júlia Groppo

Por julia às 25.10.21 Comentários
Como é que você diz ”eu te amo”?

Eu falo “eu te amo” na mesma frequência de “tô com fome”. E não é porque essas palavrinhas tão especiais saem da minha boca sem nenhum valor, pelo contrário: é que eu acho que a vida é curta demais pra gente não deixar o outro saber tudo de bom que a gente sente por ele. E acredito que “eu te amo” é uma ótima maneira de resumir tudo isso e reforçar a cada dia. 

Eu não falo pra todo mundo. Eu não falo pra qualquer um. Eu não quero que essas palavras percam o valor inestimável que elas têm e sejam esvaziadas de significado por dizê-las sempre. Mas pra quem realmente faz sentido, pra quem de fato faz com que elas praticamente saltem da minha boca sem esforço algum, eu falo todo dia. Falo sempre que possível. Repito sem nem me dar conta. Afinal, se tem uma coisa que não vale a pena economizar é o amor.

Mas há também outras maneiras de dizer “eu te amo”, né. Já parou para pensar nisso? 

Um “se cuida”, “como você está?”, “como eu posso te ajudar com isso?” ou “pensei em você hoje”. Ou uma ligação inesperada, uma visita surpresa, um presente fora da data de aniversário e mais tantas outras frases e atitudes que, no fim das contas, querem dizer o mesmo. Querem dizer TANTO. 

E você, como é que diz “eu te amo”? E se não diz, nem com palavras, nem com atitudes, por que não o tem feito? 

Júlia Groppo

Por julia às 22.10.21 Comentários
Aqueles que tornam a nossa jornada mais feliz e possível

Quem foram as pessoas que te ajudaram a chegar onde você está hoje? Isso é algo que tenho pensado muito nos últimos meses.

E é estando aberto aos outros com quem nos esbarramos pelos caminhos da vida e nos unindo que chegamos mais longe. Acredito demais nisso. Já ouviu alguma vez que ”’sozinho se vai mais rápido, mas junto se vai mais longe?” Então, tente pensar: quem foram aqueles que te auxiliaram durante toda a sua jornada até aqui?

Acho importante sermos humildes o suficiente para admitir a nós mesmos que, hoje, quem somos tem um pouco do dedo de várias outras pessoas incríveis que fazem ou já fizeram parte da nossa vida – seja por algumas horas, seja por muitos anos. Essas pessoas nos abriram portas, deram conselhos (ou valiosos puxões de orelha), ofereceram dicas e oportunidades, entre outras coisas. Seja a família, professores, parceiros, ex-chefes, mentores, amigos ou colegas de trabalho. Não importa! O importante, de verdade, é saber quem são eles. E, sempre que possível, agradecer essas pessoas.

Nós somos uma bela mistura do que fazemos com aquilo que a vida decide fazer com a gente. E entre todos esses acontecimentos, lá estiveram aqueles que tornaram as coisas ainda mais legais, incríveis e possíveis para nós. 

Sei muito bem quem são as minhas. Gosto de pensar nelas e dizer também o quanto sou grata. E te convido a fazer o mesmo. Primeiro, refletindo. Depois, agradecendo a cada um.

Júlia Groppo

Por julia às 03.09.21 Comentários
Por favor, reassista os seus filmes preferidos

Há quem diga que reassistir filmes é uma grande perda de tempo, afinal, o que não falta hoje são filmes novos (ou vários outros tipos de conteúdo, como séries, realities, podcasts etc) para consumirmos. Os milhares de serviços de streaming estão aí para provar. Já para mim, além de ser uma prática que cultivo para me conectar às minhas versões mais novas, reassitir os meus filmes preferidos funciona como uma chance de poder ver aquela trama com um novo olhar, já que não somos os mesmos a vida toda. Então, eu acredito muito que um mesmo filme pode ser visto por nós sob as diferentes perspectivas que acompanham as nossas fases.

Dia desses, senti vontade de rever ”Sexta-feira muito louca”, um dos que mais amo. Leve e engraçada, a trama conta a história de uma mãe e uma filha que não andam tendo uma relação muito saudável (elas são muito diferentes uma da outra) e que, em um belo dia, acabam trocando de corpos. E então, elas têm o desafio de viver na pele uma da outra por alguns dias. Sempre que assisto a esse filme, me divirto pra caramba e esqueço o mundo lá fora. Mas dessa última vez fui tomada pela reflexão que me trouxe até este texto.

Imagina se pudéssemos passar um dia todo no corpo de outra pessoa, podendo sentir todas as dores e as delícias que é ser ela? Acredito que seria um baita desafio, mas que também só assim saberíamos, de fato, todos os motivos para um ser humano ser da maneira que ele é. Quem dera tivéssemos essa chance para, quem sabe, viver mais em harmonia e respeitando as limitações uns dos outros. Afinal, ninguém escapa ileso dos tombos da vida e as pessoas são o que são por um (ou vários) motivo.

No filme, a mãe entende que o problema da filha é não estar sendo ouvida e, portanto, se sentir incompreendida. Anna (nome da personagem) está vivendo a fase da adolescência e tudo o que ela quer é que a mãe preste um pouco mais de atenção no seu desejo de ter uma banda famosa e nos problemas que está enfrentando na escola. Já a filha descobre o quanto a mãe, Tess, ama de verdade o novo namorado e o quanto ele foi essencial para ajudá-la a seguir em frente após a perda de seu marido (pai da Anna).

Foi aí que comecei a me imaginar trocando de corpo com algumas pessoas que são uma verdadeira incógnita para mim, por diferentes razões. Só estando na pele do outro para entendermos como é ser aquela pessoa e o que a fez chegar até este momento da maneira que se apresenta ao mundo. De fora, as coisas são muito superficiais (ainda mais quando falamos da vida nas redes sociais) e parecem bem mais fáceis. Tente se imaginar no lugar dos seus pais, da sua melhor amiga, do seu companheiro, daquele colega de trabalho ou até do seu pior inimigo. Nós não sabemos o que se passa por trás da carcaça do outro, que é a única coisa que realmente vemos com os nossos próprios olhos.

Mas já que (ainda) não é possível trocar de corpos com outras pessoas por aí, rs, que tal tentarmos nos colocar ao menos um pouco no lugar do outro? Você pode fazer isso ouvindo o que ele tem a dizer, prestando mais atenção na maneira como ele se comporta ou mesmo se dedicando a entender a sua história. Garanto que, aos poucos, algumas incógnitas podem se transformar em respostas.

E, claro, deixo aqui mais um conselho: reassista os seus filmes preferidos. Eles podem ter novas mensagens para te passar.

Júlia Groppo

Por julia às 18.08.21 Comentários
Sobre o dia em que aprendi a amar as minhas dúvidas

Tudo começou com uma nova fase da minha vida. Tomei uma decisão que bagunçou o rumo de muitas coisas, me fazendo mudar até de endereço. A vida estava morna demais, algo que eu, particularmente, detesto, e eu sentia que precisava dar alguns passos para trás para que fosse possível dar um verdadeiro salto para frente. E lá fomos nós: eu, algumas malas, muitas caixas, medos, lembranças, certezas (que mais tarde eu descobriria que não eram tão certezas assim!) e muitas, mas muitas dúvidas.

O problema da liberdade é que ela vem carregada de muitas responsabilidades. Então, a cada escolha que fazemos (ou as que deixamos de fazer), nos tornamos completamente responsáveis pelos resultados, sejam eles bons ou ruins. E era justamente isso que eu temia. Não cheguei a uma decisão de maneira aleatória, mas mesmo tendo concluído que precisava abraçar aquela oportunidade, o medo ainda tomava conta de mim. E não é para menos: mudar é difícil. E, naquele momento, a minha escolha incluía mudar de endereço, de área de atuação e de estilo de vida, tudo de uma vez só.

A verdade é que eu estava bem ansiosa para descobrir o quanto conseguiria bancar essa tal escolha, principalmente por ela estar cercada por dúvidas e mais dúvidas a respeito dos meus próximos passos e por saber os desafios que eu teria pela frente, dentro e fora de mim. Comecei, então, a dar os meus primeiros passos naquele novo cenário. Mas quanto mais eu caminhava acreditando piamente que logo encontraria as minhas respostas, em mais dúvidas eu tropeçava. Eram muitas perguntas, e elas se revezavam na minha mente e começaram a se acumular no meu coração. Quando dei por mim, eu tinha uma verdadeira coleção delas.

Foi então que, em meio ao meu desespero por respostas que pareciam nunca chegar, uma pessoa me deu um conselho valioso que eu tratei de transformar em poesia e que trago comigo todos os dias, desde então: ”Júlia, antes de querer encontrar respostas, aprenda a viver as suas perguntas”. Levei alguns dias para entendê-lo, é verdade, mas eis que em algum momento tudo fez sentido: dúvidas, de certa forma, também funcionam como respostas e têm muito a nos dizer. Sobre nós, sobre a nossa história, sobre nossos medos e também sobre a vida. Elas funcionam como verdadeiras bússolas, por mais paradoxal que possa parecer.

Dúvidas nos ajudam a sair do lugar, ir em busca do novo e testar diferentes maneiras de viver a vida. Afinal, se tem uma coisa da qual a vida é recheada, é de possibilidades. Largar toda a estabilidade que eu havia construído até aquele momento e encarar uma nova cidade, um novo trabalho, uma nova área de atuação, uma nova rotina e, pior, vários dos meus monstros internos, foi um verdadeiro presente que dei a mim mesma para que a vida ganhasse novos sentidos. Para que eu pudesse enxergar que todas as dúvidas e respostas que habitam em mim têm o seu valor, mesmo que sejam passageiras.

Hoje posso dizer que aprendi a amar as minhas dúvidas tanto quanto algumas certezas que descobri sobre mim mesma, e posso afirmar que não tenho mais tanta pressa assim em me despedir delas. Afinal, são essas mesmas dúvidas que têm trazido movimento para a minha vida e que me dão um certo entusiasmo que eu acho essencial para construir a minha jornada (lembra que eu disse que detesto sequer imaginar viver uma vida morna?). São elas que me sacodem sempre que a zona de conforto fica confortável demais. São elas que dão sentido a tantas coisas que ainda sonho viver e experimentar nesse mundo. Respostas não me dariam isso.

Minhas dúvidas me deixam ser ou deixar de ser, me dando chances e mais chances para uma vida imensa e nada linear.

Júlia Groppo

Por julia às 29.07.21 Comentários
A lista do foda-se

Era madrugada e eu tinha acabado de assistir a mais uma comédia romântica dessas bem óbvias e completamente clichês. Minhas favoritas, diga-se de passagem. Sem sono algum, resolvi emendar em um outro filme e comecei a fuçar o catálogo da Netflix. Me deparei com um título curioso e dei play. Geralmente, demoro bem mais para escolher o que assistir; mas dessa vez foi rápido e totalmente aleatório.

Daí que o tal filme aleatoriamente escolhido – que parecia ser um daqueles que apenas te distrai dos problemas e do mundo lá fora – me trouxe até a reflexão deste texto. O que era para ser um momento despretensioso se tornou bastante reflexivo, e devo confessar que eu adoro quando isso acontece. Em plena madrugada, lá estava eu pensando sobre a minha ”lista do foda-se”. Calma que já te explico!

A trama conta a história de um estudante do Ensino Médio que passa pelo menos os últimos quatro anos da escola dedicando-se totalmente a tirar boas notas e a fazer atividades extracurriculares, tudo para conquistar a tão sonhada vaga na faculdade. Logo no início do filme fica bem clara a cobrança excessiva dos pais com ele, e o quanto ele teve que abrir mão de simplesmente se divertir com os amigos ou investir tempo em coisas que realmente gostasse para atender a essa demanda externa.

O tão aguardado dia da divulgação das listas de aprovados das faculdades havia chegado, e ele havia conquistado vaga em sete. Você então deve pensar que ele se considerava um garoto de sorte e estava extremamente feliz com as conquistas. Mas, na verdade, é o contrário! Ter enfim alcançado esse objetivo o fez olhar para os últimos anos vividos (ou melhor, que ele deixou de viver de verdade!) e se dar conta de que tinha embarcado em sonhos que não eram dele. Isso o deixou completamente frustrado e perdido.

Foi então que ele decidiu escrever a tal da ”lista do foda-se”, onde declarava todos os seus desejos mais genuínos se não fossem as tais expectativas alheias sobre a sua vida. Desejos esses que ele sabia que seriam julgados por várias pessoas conhecidas, inclusive os seus pais.

Todo esse contexto sobre o filme para enfim chegar aqui e te perguntar, assim como perguntei a mim mesma enquanto assistia: qual seria a sua ”lista do foda-se”? O que você faria ou assumiria que tem vontade de fazer se não fossem os julgamentos e as expectativas alheias? Quais atitudes você tomaria daqui pra frente se conseguisse ignorar os olhares tortos e comentários desnecessários de familiares, amigos, parceiros, vizinhos, conhecidos ou colegas de trabalho?

Dependendo do tamanho da sua lista, pode ser que esteja na hora de ouvir mais o seu coração e menos o mundo. Será que você tem vivido de acordo com o que realmente deseja?

Júlia Groppo

Por julia às 14.07.21 Comentários

Feito colo de mãe
Não importa o destino: viagens são sempre um reencontro com nós mesmos...
Notas sobre a vida
Sair da zona de conforto não precisa ser tão desconfortável...