Bondade

Sabe uma coisa que aprendi sobre a vida? Que a gente não perde nada sendo bom. Pode ser que não ganhe também, mas perder? Dificilmente. Porque mesmo quando somos bons (ou ao menos tentamos) e recebemos pura maldade em troca – em suas mais diversas variações -, o problema não é nosso, sabe? Não está dentro de nós. 

A gente não perde nada por abrir a porta para alguém cheio de caixas nas mãos. Por dizer por favor, com licença e obrigado. Por perguntar como uma pessoa está (e verdadeiramente querer saber!). Por fazer um elogio sincero. Por oferecer ajuda – seja em tempo, oração ou financeira. Por nos dedicar ao que amamos. Por lutar pelo que acreditamos. Por acreditar em um mundo melhor. Por querer ser e fazer mais a cada dia.

Pode ser mesmo que a gente não ganhe nada em troca, porque reciprocidade infelizmente não é algo inerente às nossas ações e relações. Mas perder? Repito: dificilmente. A gente perde mesmo é não tentando fazer do mundo (o nosso particular e o lá de fora) um lugar bom. Mais gostoso. Mais aconchegante. Mais leve. 

Já questionei demais as minhas boas intenções ao me deparar com tanta maldade gratuita por aí. Ou com tanta indiferença, algo que considero tão ruim quanto ou até pior que a maldade. Mas eu entendi que cultivar a bondade deve ser uma escolha diária e inteiramente minha. Escolha essa que alimenta o meu coração de forma incrível e genuína. E aí, o que o outro decidir fazer isso é um problema todo dele.

Concorda?

Júlia Groppo

Por julia às 13.07.21 Comentários
15 minutos de cada vez

Já faz alguns anos que uso uma espécie de mantra para não deixar que a ansiedade tome conta de mim. Quando me percebo sendo engolida pelos meus monstros internos, repito para mim mesma: ”Júlia, vamos um dia de cada vez”. E é incrível como na hora meu coração acalma seus batimentos e eu paro de atropelar os meus passos. Sou eu ali me dando um abraço e me relembrando que de nada adianta se estressar com dias e desafios que ainda nem chegaram. O que eu tenho, no fim das contas, é o hoje.

Até que um dia, enquanto assistia aos conteúdos de uma pessoa que gosto de acompanhar na internet, ouvi algo do tipo: ”Estou vivendo 15 minutos de cada vez”. Aquilo me acolheu de uma tal maneira que passei a adotar. Afinal, em meio a uma pandemia que já dura mais de um ano, em apenas um dia muitas coisas passaram a acontecer. Muitas notícias boas e ruins se revezam em meio ao feed do meu Instagram, aos grupos do WhatsApp e nas manchetes do jornal da TV. O tal do ”um dia de cada vez” já não estava mais adiantando.

Então, a partir daquele dia, passei a repetir para mim mesma: ”Júlia, vamos 15 minutos de cada vez”. Foi então que entendi que não adianta se estressar com um dia todo de responsabilidades pela frente. Cada coisa precisa ser resolvida em particular, e se a gente se deixa levar pela danada da ansiedade, a verdade é que passamos aquelas 24 horas nos preocupando com o que precisa ser feito, mas sem fazer nada de fato. E aí o problema torna-se ainda maior.

Portanto, vamos um dia de cada vez. Eu e você. E quando não for o suficiente, vamos viver os tais 15 minutinhos de cada vez, dando a devida atenção a cada coisa, responsabilidade, desafio, momento bom ou pessoa que estiver a nossa frente. Afinal, estar verdadeiramente presente é necessário para viver de verdade, seja algo bom ou ruim (mas necessário).

Com carinho e paciência,

Júlia Groppo

Por julia às 07.07.21 Comentários
E lá se vai metade de um ano

Chegamos à metade de 2021. O ano que começou estranho e seguiu tão desafiador quanto 2020 já nos deu de presente seis meses. E quanta coisa seis meses podem significar… Por aqui, rolaram muitas descobertas, desafios, conquistas e perrengues. Ou seja, de tudo um pouco. Mas, considerando o que eu disse no desabafo que escrevi nas primeira semanas do ano (clique aqui para ler), 2021 já tem deixado uma marca especial em mim, mais do que eu imaginava que seria possível. E quando digo especial, não quero dizer que só coisas boas têm acontecido. A vida nem é sobre isso. Mas que, de certa forma, eu estou aprendendo a dançar conforme a música que este ano está tocando para mim.

É fato que ainda temos seis meses pela frente, e a julgar pelo nosso cenário nacional (principalmente o político e o da pandemia), é natural que já estejamos nos sentindo exaustos. Apesar de sentir que esses meses passaram rápido demais, sinto também que vivi e resolvi muito mais coisas que poderiam caber nesse espaço de tempo.

Foi então que, no dia 1 de julho, para não deixar que essa mistura de desânimo, insegurança e exaustão me dominasse, decidi abrir uma nota do meu tão amado e valioso bloco de notas do celular. Despretensiosamente, comecei a escrever as minhas pequenas e grandes conquistas até aqui, desde 01/01/2021. E foi uma surpresa gostosa ver a lista crescer aos poucos com coisas que realmente significam muito para o meu desenvolvimento pessoal.

Aquilo foi como um grande e forte abraço em mim mesma, me dizendo que, sim, muitas coisas aconteceram nesses seis meses, e que então muitas ainda podem acontecer nos que restam. Portanto, o que eu gostaria mesmo de dizer hoje é para que você não desista de 2021. Seis meses podem já ter passado – e eu não sei exatamente como eles foram para você -, mas ainda temos mais seis pela frente.

É verdade que ainda enfrentamos uma pandemia. Também é verdade que estamos restritos, isolados (uns mais que outros!), ansiosos e dilacerados, cada um a sua maneira, vivendo suas próprias dores e cicatrizes colecionadas desde março de 2020. Mas é verdade também que algumas coisas podem ser feitas, a começar pelas pequenas.

Então, pegue a sua lista de desejos para 2021 em mãos (essa mesmo que você provavelmente escreveu no início deste ano!) e a olhe com carinho. O que dela você já conseguiu realizar e merece ser celebrado? O que ainda vale a pena levar adiante? O que você pode começar hoje mesmo a fazer para que no final do ano as coisas estejam melhores? Pense em tudo isso e, por favor, se dê uma nova chance. Entenda que ainda há tempo. Ainda há muito para acontecer, para mim e para você. Se Deus quiser!

Com carinho,

Júlia Groppo

Por julia às 06.07.21 Comentários
Pequeno desabafo sobre a minha escrita

Na bagunça entre o meu cabelo, o mundo, meu coração e os meus sentimentos, uso as palavras para me expressar. Elas são o meu maior instrumento de cura e transformação. E quando sei que fazendo isso por mim mesma ainda consigo tocar outros corações, a coisa toda fica ainda mais especial. A escrita, no fim das contas, é a maneira como escolhi deixar a minha marca no mundo. É como costumo brincar: o mundo cabe nas minhas palavras. Não importa quanto tempo ainda tenha neste plano: minhas palavras estarão por aí, para quem quiser ler, independente do tempo e espaço que estarão habitando.

Mas a verdade é que, mesmo amando as palavras, acontece de às vezes não ter nada para dizer. E isso, apesar de num primeiro momento parecer um pouco assustador, pode ser bem poderoso! Primeiro porque, para dizer, eu preciso viver. Viver, permitir, experimentar, sentir. E então, quando sinto que as palavras estão fugindo de mim, vou logo em busca de novas paisagens e novas perspectivas, às vezes dentro de uma rotina já construída mesmo. Nesses momentos, sei que é preciso falar menos e viver mais. 

Segundo porque essa tagarela que vos fala tem se sentido cada vez mais confortável no próprio silêncio, e a verdade é que ele pode nos contar coisas bem poderosas sobre nós mesmos e sobre o mundo que habitamos quando aprendemos a escutá-lo. 

É por isso que, apesar de adorar estudar Marketing Digital, admirar a constância de outros escritores, entender a importância de conteúdos com estratégia e ouvir o tempo todo por aí o tal do “quem não é visto não é lembrado”, eu prefiro fazer as coisas no meu tempo. Do meu jeito. Respeitando todos os processos que acontecem dentro e fora de mim. Deixando as minhas palavras terem vida própria.

Vivo, sinto, escrevo e silencio (não necessariamente nessa ordem).

Júlia Groppo

Por julia às 23.06.21 Comentários
O prazer no meio do caos

O que ainda te dá prazer nesse momento difícil que estamos vivendo? 

Vi uma influenciadora que acompanho levantando esse questionamento em seu Instagram e logo tratei de trazer a reflexão para a minha vida. Estamos cansados, com medo, com raiva e sem muitas previsões de quando tudo isso vai passar. Gastamos boa parte de nossa energia, fé e resiliência tentando sobreviver a tantas notícias difíceis. Aprendemos a fazer pão, reorganizamos todo o guarda-roupa, maratonamos catálogos inteiros de serviços de streaming e fizemos muitas reuniões online.

Então, depois de todo esse tempo enfrentando uma pandemia – e de tudo o que já ganhamos, perdemos e (des)aprendemos até aqui -, eu te pergunto: o que ainda te arranca um sorriso? O que ainda te faz sentir uma pontinha de alegria, realização ou alívio? 

Sempre fui fã das pequenas alegrias que podemos encontrar (ou mesmo criar!) no nosso dia a dia. Não sou do tipo que acredita que a gente só encontra a felicidade depois de muito lutar ou que só se vive de verdade em meio ao extraordinário. Para mim, a vida está mais perto e acessível do que imaginamos e é sobretudo em meio ao ordinário, à rotina, ao dia a dia que ela acontece. 

Não precisam ser muitas coisas, mas acredito que elas existem sim, e existem justamente para que você possa se munir das suas armas mais poderosas em tempos tão sombrios: as suas pequenas e valiosas alegrias do cotidiano. Que podem ser momentos, hábitos ou pessoas. Podem ser o que você quiser (e puder) que sejam! São elas que vão te ajudar a manter esse coração quentinho quando tudo parece estranho e triste demais, como a maioria dos dias têm sido. 

Hoje, eu te convido a pensar nisso!

Júlia Groppo

Por julia às 22.06.21 Comentários
Minha caixa de memórias

Em alguns momentos da nossa vida podemos nos afastar de quem somos, sem ao menos percebermos; e quando finalmente nos damos conta, podemos estar longe demais. Mas a boa notícia é que nunca longe o suficiente para nos resgatarmos novamente. Os motivos podem ser vários, mas o que mais importa mesmo é saber o caminho de volta para você mesmo. E existem muitas coisas que funcionam como verdadeiras bússolas internas. 

Desde criança, adoro ter a minha própria caixa de memórias. Cresci vendo minha mãe e minha vó cultivando o hábito de guardar algumas lembranças em caixas, então, logo quis ter o meu próprio espaço para isso. Sempre couberam muitas coisas ali, como cartas, fotografias e objetos que fizeram parte de momentos especiais da minha vida. Começou como uma brincadeira de criança, mas hoje sei exatamente o valor que isso tem para mim!

Nesses períodos de pura confusão interna, onde preciso reorganizar a bagunça que rolou dentro de mim, pegar essa caixa e olhar coisinha por coisinha sempre foi parte essencial do processo. Um verdadeiro resgate, eu diria. Afinal, há partes muito importantes da minha história ali: de onde eu vim, de quem já fui, do que já vivi, de quem esteve comigo até aqui. E do que ainda sonho muito em viver um dia.

A verdade é que cada um de nós sabe as suas principais armas para resgatar pedacinhos nossos que não queremos deixar cair por nada. E que, se de repente caíram entre uma tempestade e outra da vida, fazemos questão de recuperar a qualquer custo. São aquelas partezinhas de nós que formam quem realmente somos, no mais íntimo.  Podem ser filmes, músicas, fotografias, diários cheios de confissões antigas, e por aí vai.

No meu aniversário deste ano, ganhei uma caixa de memórias novinha da minha mãe, que conhece muito bem a filha nostálgica que tem. Já consegui colocar dentro dela alguns registros e lembranças especiais, e a verdade é que não vejo a hora de enche-la com novos capítulos da minha jornada. É um verdadeiro alívio saber que tenho muito bem guardadas coisas que sempre vão me ajudar a voltar para mim mesma, não importa o quão longe eu tenha ido da minha essência.

Júlia Groppo

Por julia às 21.06.21 Comentários
Portas abertas

”As melhores fases da vida são aquelas em que todas as portas estão abertas”, disse Ruth Manus – advogada e escritora da qual sou grande fã -, ao responder uma pergunta de uma seguidora no Instagram. A pessoa dizia ter 19 anos e muitas dúvidas sobre o que fazer da vida. Ruth, além de disparar essa frase que corri anotar em um caderno para nunca mais esquecer, disse já ter 32 e ainda não saber.

Custo a entender essa pressa toda que temos de encontrar o que nos faz brilhar os olhos, mas a verdade é que, muitas vezes, me pego em meio a ela. É uma incessante busca que nos deixa exaustos e nos tira atenção do que realmente importa: todas as possibilidades que o nosso agora, incluindo todas as suas dúvidas, nos oferece. Afinal, ele realmente é tudo o que nós temos. É por isso que, frequentemente, pergunto a mim mesma: ”Essa pressa toda aí é para quê mesmo, Júlia?”; e a verdade é que a resposta nunca vem, porque ela não existe.

É a pressa de dar certo. Pressa de descobrir respostas para muitas das minhas perguntas. Pressa de resolver as coisas. Pressa para chegar a algum lugar que nem sabemos, de fato, qual é. E então, quando mais uma vez me pego nessa correria (interna ou externa) que em nada vai me acrescentar, respiro fundo, ajeito o passo e sigo – com mais calma, presença e intenção. 

Tenho acreditado cada dia mais na ideia de que a vida é uma bela mistura de coisas que fazemos acontecer com aquelas que simplesmente acontecem conosco. E isso só é possível quando estamos abertos o suficiente para que ela possa nos surpreender entre os seus famosos altos e baixos. Quando não nos permitimos ficar congelados entre milhares planejamentos, metas e infinitas e exaustivas buscas por respostas. É mais sobre querer continuar que precisar ”chegar lá”. Esse ”lá” muitas vezes nem tem nome.

Por mais que pareça, saber exatamente o que queremos na vida pode nos enrijecer e nos deixar fechados para novas possibilidades. As dúvidas, por mais assustadoras que possam parecem, têm o seu valor. Então, aproveite as que têm te rodeado, escolha uma porta e vá em busca do novo. E se não der certo, existem muitas outras para você abrir e tantas mais já abertas para você. Só falta conseguir enxergar em meio a tanta pressa.

Júlia Groppo

Por julia às 14.06.21 Comentários
Vidas editadas

Dia desses, encontrei um perfil no Instagram cuja bio dizia o seguinte: “Essa não é a minha vida, são só fotos.” Na hora em que li aquilo, fichas caíram. Pode parecer óbvio para uns, mas acredito que a maioria (assim como eu!) já sucumbiu à ideia de que a vida é o que vemos na internet todos os dias. De que o que está aqui é 100% real e é como a vida dos outros acontece em 100% do tempo.

Já me peguei algumas vezes (mais do que eu gostaria, inclusive) embarcando nesse pensamento tão pequeno de que o que vemos aqui é a vida em si. Hoje sei que o que está circulando entre feeds, stories, sites, cliques e afins são apenas fragmentos de vidas comuns que nas redes sociais ganham um ar de extraordinárias. Mas que, no fim do dia, são, sobretudo, imperfeitas. Um lugar onde as pessoas compartilham um pouco (bem pouco mesmo) de suas vidas editadas. Porque mesmo aquelas que estão focadas em trazer mais vulnerabilidade para este espaço não o fazem por completo, porque a vida acontece o tempo todo, principalmente offline (graças a Deus, né!) e escapa do nosso entendimento. 

Já ouviu aquela frase “a vida é o que acontece enquanto você faz planos”? Acho que também dá pra dizer que a vida é o que acontece enquanto você rola o feed do Instagram. E enquanto você está por aí, navegando nas diversas plataformas que a internet nos oferece, assistindo à vida recortada dos outros, não está vivendo inteiramente a sua, que, no fim das contas, é a única coisa que realmente te diz respeito: uma vida completa, porém imperfeita, que tela nenhuma é capaz de proporcionar. 

Assim como a tal pessoa da bio do Instagram, eu gostaria de te dizer: essa aqui não é a minha vida, são só textos e fotos que ilustram uma parte dela. 

Agora que chegou até o final deste texto, sai daqui e vai lá viver, por favor! 

Júlia Groppo

Por julia às 10.06.21 Comentários
Sobre lugares que nos (re)conectam com nós mesmos

Existem lugares que nos conectam verdadeiramente com nós mesmos. E não é para menos: eles foram cenários de diversas histórias que hoje podemos contar. Receberam versões de nós mesmos que um dia já fomos, as quais nos trouxeram para o exato momento que estamos vivendo hoje. 

Esses lugares nos abraçam e nos fazem viajar pelas memórias que um dia construímos, pelos problemas que estávamos enfrentando na época – e que graças a Deus já não fazem mais parte da nossa vida -, assim como os sentimentos bons que habitavam nosso coração naquele período. É por isso que gosto de lembrar a mim mesma que nada é para sempre: nem o bom, nem o ruim. Então, se é que posso te dar um conselho, lá vai: se você está enfrentando uma dificuldade, respire fundo, porque vai passar. E se está vivendo um momento especial, comprometa-se a aproveitá-lo da maneira mais sincera e entregue possível, porque ele também vai embora. 

Campinas é um desses lugares para mim. Livrarias de Campinas são ainda mais. Quantas foram as horas em que passei dentro delas, entre prateleiras, dias bons e outros nem tanto, onde os livros foram um verdadeiro refúgio. Gosto de lembrar da Júlia dando os seus primeiros passos por aquela cidade e daquela que saiu dali anos depois ainda mais forte e cheia de memórias (e com muitos livros novos na estante, vale dizer). É assim que vou colecionando lugares pelo mundo que fazem parte de quem eu sou e me reconectam comigo mesma de diferentes formas. 

Lugares por onde passei. Fases que passaram por mim. Tudo passa, afinal. E só a gente fica. Cheio de lembranças, cheio de saudade, mas cheio de ”vida vivida”.

Júlia Groppo

Por julia às 03.06.21 Comentários
25

Há um ano atrás, nesse mesmo dia, escrevi: “Quanto mais confuso o mundo me parece, mais confortável me sinto do lado de dentro”. Daí que hoje acordei com 25 anos e aqui estamos: eu olhando para ele e ele olhando de volta para mim. A gente tá tentando se entender, mas os anos anteriores nos ensinaram muitas coisas que me fizeram chegar até esse momento com a paz de que a minha verdadeira bússola é o meu coração. E o mundo continua bem confuso, e o lado de dentro cada vez mais confortável.

A aspirante à escritora que habita em mim jamais deixaria um dia desses passar sem um textão. Então decidi que queria falar algumas coisas, mas que não queria cometer a besteira de que elas fossem sobre como eu imaginava que minha vida SERIA aos 25; eu quero falar sobre como ela ESTÁ, porque o que poderia ter sido já não me interessa, e sequer existe. Mas a pessoa que eu verdadeiramente sou hoje – junto a todos os erros e acertos que colecionei até aqui – é a qual eu gostaria de celebrar neste novo 20 de abril. 

Se eu pudesse, chamaria todas as minhas versões do passado para soprar as velinhas aqui comigo, pois foram elas – em todas as suas formas – que me trouxeram até este “aqui & agora” que me pertence mais que qualquer outra coisa.
Tem sido divertido olhar para mim mesma e sentir de maneira genuína que eu não tenho o mínimo interesse em viver qualquer história que não seja a minha. O meu único interesse mesmo é andar de mãos dadas comigo mesma sem nunca esquecer de levar um caderninho e uma caneta comigo pra que eu possa registrar cada coisa de uma história absolutamente normal, mas cheia de intenção. Porque muitas mudanças aconteceram (sempre estão), mas a menina do sorriso largo, coração mole, alma teimosa e gargalhada mais alta que deveria continua por aqui. 

Dia desses minha mãe me falou: “Filha, tenho muito orgulho do quão determinada você se tornou. Mas às vezes dá até raiva de tanta determinação, porque não dá pra mudar essa sua cabeça por nada nesse mundo”. Ri alto e senti uma pontinha de orgulho. A parte mais legal disso tudo é que parei de viver essa determinação toda através só de certezas e tô vivendo mais é pelas minhas perguntas.

Mas esse negócio de ser adulto, confesso, eu tô encarando aos pouquinhos, porque, entre um boleto e outro, eu ainda recorro aos episódios de Hannah Montana, ao colo da minha mãe e choro se alguém for grosso comigo. E provavelmente vou continuar. Tem coisa que o dicionário não dá conta de explicar e nem o Google ajuda a entender. Às vezes parece sorte, às vezes parece o acaso, mas na verdade é sempre Deus e a certeza de que a gente está onde precisa estar. Sendo o que dá conta de ser. E por tudo o que eu já fui e por tudo o que ainda serei: mal posso esperar. Nos meus 25, eu tô aqui. E a partir daqui tem muito mais.

A/C vida: é pra continuar com emoção, tá?

Júlia Groppo

(Texto escrito em 20/04/2021)

Por julia às 21.05.21 Comentários

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