Sobre poros, olheiras e afins

Lembro da primeira vez que ouvi falar em ”limpeza de pele”. Eu tinha 11 anos e minha mãe estava no meu pé para me levar fazer uma. Na época, eu morria de medo, mas alguns cravinhos resolveram fazer morada no meu rosto (olá, puberdade!). Desde então, passei a prestar mais atenção nos sinais que a minha pele apresentava e a entender o que eu podia fazer por ela.

É claro que maiores noções desses cuidados – gentilmente chamados hoje de ”skincare” – vieram com a idade e a maturidade, afinal, eu era só uma pré-adolescente querendo acabar com qualquer espinha que resolvesse aparecer no meu rosto. E, vale dizer, via na maquiagem a solução mais perfeita. Quem nunca?

Mas o que quero dizer aqui é que o meu relacionamento com a minha pele começou lá atrás (obrigada, dona Tânia!), foi evoluindo de forma leve, e hoje eu entendo que qualquer (re)ação do meu corpo – ou a falta dela! – é nada mais que uma resposta à maneira como estou cuidando dele. É sobre carinho e responsabilidade com pequenas partes que formam o nosso todo.

Sou feliz por saber que já há alguns anos cuidar da minha pele é uma das melhores coisas que faço nos meus dias (e todos os dias!). Lavar e hidratar o rosto, massagear o corpo, observar cada sinalzinho que surge, cuidar do que está precisando de atenção (oie, sardas!), passar protetor solar, testar novos produtos e principalmente continuar fazendo a tão antes temida (e hoje em dia tão amada por esta que vos fala) limpeza de pele. Minha esteticista que o diga.

Nosso corpo é a nossa casa, portanto, nada mais justo que estarmos atentos ao nosso lar, cuidando para que possamos nos sentir cada vez mais à vontade ali. Fazendo todas as faxinas que forem necessárias, seja dentro ou fora dele. Olhar para o espelho e se reconhecer é uma das melhores sensações da vida, arrisco dizer. É ver a si mesmo ali, com muitas imperfeições, e respirar tranquilo ao entender cada uma delas, principalmente porque você sabe que está se dedicando diariamente àquilo.

Poros bem abertos, sardas que formam praticamente uma constelação e olheiras profundas (meus casos, hehe) perdem o peso quando você passa a entender cada partezinha de si. E claro, tendem a melhorar um pouco por dia quando você investe em cuidar de cada um deles. O autocuidado tornou-se uma questão de sobrevivência para mim, e o skincare é apenas um dos tantos passos para você se dedicar e buscar uma vida mais em harmonia consigo mesmo.

Têm dias (e fases!) na vida que são especialmente difíceis, mas posso te afirmar que perambular por aí sabendo que investi o meu tempo em mim mesma já me faz caminhar de forma mais leve.

Júlia Groppo

Por julia às 23.01.20 1.084 comentários
Degrau por degrau

Consigo me lembrar facilmente das tantas vezes em que questionei tamanha dificuldade para lidar com algumas situações da minha vida; para encarar limitações que são tão parte de mim quanto as coisas que mais amo em mim mesma. É engraçado como nos cobramos evoluir de forma rápida em aspectos que fizeram parte de nós por tantos anos.

Veja bem: se você se acostumou a enxergar a vida e a se comportar de determinadas formas por tanto tempo, acredite, não será da noite para o dia que você conseguirá mudar esses padrões. Apesar de hoje em dia estarmos nos comportando em muitos momentos como máquinas, sabemos que não somos. Que precisamos de tempo e paciência com as coisas, sobretudo com nós mesmos.

Então, se quer saber, não importa o quanto demore, mas sim que você está, de fato, dedicando-se diariamente a esse caminho. Às mudanças que você sabe que serão boas para você. Esse processo pode ser longo, difícil e muitas vezes solitário, mas é igualmente recompensador. Mais um dia chega ao fim e eu sei que já não estou mais naquele mesmo degrau; subi mais um em direção à minha própria evolução. Estou em dia comigo mesma, pois não importa que ainda não tenha alcançado o que gostaria: já não estou mais no mesmo lugar. Assim como você.

Então, façamos um favor a nós mesmos e lembremos, sempre que possível, que um pequeno progresso continua sendo um progresso – e já é algo grandioso do qual devemos nos orgulhar! De degrau em degrau, chegaremos lá – apesar de eu acreditar cada dia mais que o que traz o real prazer nessa vida é esse tal caminho que estamos trilhando, independente de onde ele vai dar.

Estamos todos juntos nessa.

Júlia Groppo

Por julia às 21.01.20 986 comentários
Minha escápula e alguns devaneios

Dia desses, fui fazer uma massagem. Presente de Natal para mim mesma. Gosto de me mimar, sabe? E, cá entre nós, 2019 foi osso. Precisava de um tempo para me recuperar dos tropeços. A vida tem dessas, né. E tudo bem, porque como eu mesma disse dia desses aqui no blog, prefiro acreditar que ela sabe exatamente o que eu estou precisando viver. Mas, entre um desafio e outro, eu me dou esse e outros tipos de folga; de aconchegos.

Eis que a massagista começou a falar sobre a minha escápula. Segundo ela, a coitada estava tensa, rígida, sofrida. Foi aí que, entre um movimento e outro, comecei a pensar: a gente pega pesado demais com nós mesmos. Vamos carregando tanta coisa – que muitas vezes nem são nossas! -, que, quando vemos, estamos perambulando por aí com pesos desnecessários. Com uma bagagem absurda de expectativas, angústias, culpa, frustrações e por aí vai.

E se a gente se desse uma folga? E se repetíssemos, como um mantra, que estamos dando o nosso melhor? E se resolvêssemos acreditar fielmente nisso? Porque eu sei, lá no fundo, que estamos mesmo. Eu estou.

Essa bagagem pode ter diferentes nomes (casamento, TCC, filhos, amizades, carreira, dieta etc.), mas o que mais me interessa mesmo é que hoje você pare uns minutinhos para pensar quais pesos desnecessários anda carregando. E quando foi que você permitiu que eles fizessem morada aí dentro. Seja no coração, ou mesmo nas costas, como foi o meu caso.

Como diz uma grande amiga minha, vamos tornar as coisas mais favoráveis para nós mesmos, sempre que a gente puder. Que sejamos mais os nossos maiores cúmplices nessa vida, não deixando entrar qualquer peso que não nos pertence. Que a leveza seja palavra de ordem daqui pra frente.

É o que tenho feito já faz um tempo, e continuarei buscando até que a minha escápula tenha orgulho de mim.

Júlia Groppo

Por julia às 15.01.20 945 comentários
Quando a vida conversa com a gente

Tenho pra mim que, a todo momento, a vida está tentando nos dizer algo. Ao menos comigo, ela está sempre conversando. E o mais engraçado dessa loucura toda é saber que essa conversa pode acontecer de formas muito diferentes: através de pessoas, obstáculos, coisas que acontecem, coisas que deixam de acontecer ou de uma simples chuva que eu tomo no caminho de volta para casa. Mesmo.

O desafio, acredito eu, está em decifrar esses aprendizados (ou mesmo conselhos), que quando disfarçados de acontecimentos simples da rotina ficam ainda mais difíceis de serem entendidos. Acho que porque o que a vida quer da gente é um pouquinho de coragem, sabe? De sair da toca (alô, zona de conforto!) quando for preciso para buscar respostas lá fora na mesma medida em que é necessário coragem para ficar do lado de dentro, em silêncio, quando o que você precisa ouvir está mais perto do que você imagina: na sua essência.

Nessa caminhada, creio que devemos estar com os olhos bem atentos e o coração aberto para receber as mais diversas lições que precisamos – por mais que possamos achar que não estamos necessitando daquilo. Eu prefiro acreditar que o universo sabe exatamente o que eu estou precisando, e é por isso que ele brinca comigo o tempo todo.

Um céu azul em um dia difícil, um elogio inesperado, um tropeço em meio a uma fase de muita pressa. Não importa muito como, mas a vida quer e vai conversar com você todos os dias.

Portanto, quando estiver meio confuso – em um daqueles momentos em que nada parece fazer muito sentido -, tente parar por um momento e pergunte a si mesmo: ”o que a vida está querendo me ensinar com isso?”. Pode ter certeza que ela está tentando te dizer algo. Do jeito dela, mas está.

Júlia Groppo

Por julia às 15.01.20 1.115 comentários
Gente educada

Dia desses, fui abastecer o meu carro. O frentista me surpreendeu, logo de cara, desejando um bom dia, perguntando como eu estava e o que eu fui fazer ali no posto. Informei que precisava encher o tanque. Ele me ofereceu mais serviços, como checar a água e o óleo, e calibrar os meus pneus. Senti uma espécie de incômodo, mas daqueles bons, sabe? Foi aí que me dei conta: gente educada assusta.

Comecei a pensar em algumas outras vezes em que pessoas me atenderam com um sorriso largo, apertaram a minha mão de forma bem firme, me chamaram pelo meu nome, olharam nos meus olhos enquanto eu estava dizendo algo, entre outras situações que me causaram esse mesmo incômodo gostoso.

Se repararmos bem, aquele frentista estava fazendo algo que um dia já foi considerado básico, como desempenhar o seu trabalho da melhor forma possível, além de oferecer um pouco de gentileza ao seu cliente (que, no caso, era eu). Mas, se formos olhar para essa situação em um contexto atual, onde todo mundo está sempre atrasado para alguma coisa ou mesmo sem tempo algum para distribuir qualquer “bom dia” que seja, posso dizer que aqueles minutos em que estive com ele me trouxeram alívio e leveza – e fizeram a diferença no meu dia, que, vale dizer, não era dos melhores.

Saí de lá inspirada. A gentileza é uma virtude que tento cultivar na minha vida desde sempre. E, modéstia a parte, para mim nunca foi algo difícil. Mas é verdade também que ela pode ser facilmente esquecida em meio ao caos do dia a dia ou quando acordamos acompanhados de um belo mau humor – e, sabe-se lá porquê, achamos que o mundo tem a obrigação de conviver com ele.

Por isso, eu desejo esbarrar em muitas pessoas como aquele frentista no meu caminho. Desejo também ser um pouco como ele. Mas desejo ainda mais que um dia possamos voltar a olhar essas atitudes como algo normal, pois estaremos cercadas delas.

Será?

Júlia Groppo

Por julia às 13.01.20 1.118 comentários
2020

Engraçado como o Ano Novo nos invade, sem pedir nenhuma licença, e desperta em nós tantos sentimentos. Conversando com amigos nos últimos dias, posso descrever aqui as mais variadas sensações que decidiram fazer morada em nós. E a verdade é que eu acho linda a forma como somos tomados. Tudo muda e, ao mesmo tempo, nada mudou. Faz sentido?

É como se, de repente, tudo fosse dar certo. As coisas ficam mais fáceis, os sonhos mais possíveis, o coração mais leve. É esperança para dar e vender. Mas talvez a graça seja justamente essa, não fazer sentido nenhum. Todo o mistério e a sensação de posse do novo que envolve essa virada no calendário tem que apenas ser sentida mesmo – e aproveitada como uma espécie de presente do universo!

Talvez seja apenas uma desculpa para aprendermos a deixar, de uma vez por todas, algumas coisas para trás, e a também dar atenção para as tantas outras que nos esperam logo a frente. E tudo bem, porque o que eu desejo neste novo ano é que possamos recomeçar todas as vezes que forem necessárias. Que possamos ser tomados por essa vontade de fazer melhor e diferente e criar todos os tipos de “Ano-Novo” que julgarmos bem-vindos, seja dentro ou fora de nós. Seja janeiro, março, julho ou setembro.

Se for preciso, criaremos todas as desculpas possíveis. E então, vestiremos branco (ou qualquer que seja a nossa cor preferida!), brindaremos, faremos orações, rituais, promessas, uma nova lista de metas, e por aí vai. Ou apenas respiraremos fundo sabendo que um novo ano – ou uma nova chance – está nascendo.

O importante, aqui, é que você saiba que pode criar um Ano Novo todinho seu sempre que precisar.

Que assim seja.

Júlia Groppo

Por julia às 03.01.20 Comentários
Sobre o Natal, pessoas e sentimentos

Se tem uma coisa nessa vida que, ao menos para mim, não dá para ”deixar para depois”, é demonstrar o amor que sentimos pelas pessoas. A gratidão. O orgulho. A inspiração. A admiração. E por aí vai.

Sou do time que, se alguém me faz bem, independente de como, eu não hesito em fazer questão que a pessoa saiba. Isso porque acredito que sentir coisas tão incríveis pelo outro e deixar que elas só fiquem dentro de mim seria um desperdício. É preciso compartilhar. Numa dessas, não só os meus dias ficam mais coloridos, como também o daqueles que me fazem um bem danado. Muitas vezes, isso pode ser um empurrãozinho na caminhada dessas pessoas. Aquela pitada de motivação que elas estavam precisando.

Confesso que, nessa época de Natal, esse sentimento se aflora ainda mais aqui dentro. Gosto de pensar em todos aqueles que fizeram parte do meu ano e o tornaram ainda melhor. Mas, mais que isso, gosto de transformar essa reflexão em gestos. O lance aqui é que tenho me esforçado cada dia mais para demonstrar essa gratidão – e tudo o que a envolve – durante todos os dias do ano. Sem regras nem desculpas: apenas porque as pessoas merecem saber o quanto são especiais.

Seja Natal, Carnaval, meio de ano, um feriado qualquer ou em uma simples quarta-feira, a minha dica, hoje, é que você deixe que as pessoas que você admira saibam o quanto elas despertam algo bom em você.

Não espere pelo Natal. Não deixe para depois.

Júlia Groppo

Por julia às 26.12.19 981 comentários
Ser feliz ou ter razão?

Já faz um tempo que venho me fazendo essa pergunta. É verdade que pode ser bem sedutor querer ter razão em tudo (só querer, ta? Porque a gente, no fundo, não tem!) e estar sempre certo. Nosso ego agradece imensamente. Mas em mundo onde conviver é essencial, precisamos lidar com nossas opiniões misturadas a de muitas outras pessoas. Foi aí que, recentemente, esse questionamento passou a surgir com frequência na minha mente.

Como toda boa pessoa teimosa, jornalista – e, pior ainda, ariana -, vou até o fim com as minhas ideias. Agarro-as bem forte. Defendo com unhas e dentes. Tenho uma amiga que brinca que primeiro eu falo, depois eu penso. Porém, passou a ser necessário – e mais saudável para mim mesma, vale dizer – questionar e entender até que ponto esse meu jeito tem feito bem para mim, e até onde vale a pena levar uma discussão, seja ela qual for.

A verdade é que, em meio ao caos desse mundo, eu tenho buscado qualquer vestígio de paz. E saber a hora certa de falar – ou de silenciar -, tem sido, acima de tudo, um presente que decidi dar a mim mesma. Saber até onde ir com uma discussão, ou se sequer vale iniciar uma. Outra verdade é que, em algumas situações, a gente só tem que ouvir. E seguir. É energia poupada, sabe? Uma energia que tem me feito falta.

O que importa, no fim das contas, é que eu esteja ciente da minha verdade. Convencer o outro, ou o mundo, de algo que faz sentido para mim (e talvez somente para mim) é a tal da expectativa criada justamente para ser desatendida.

Hoje, eu escolho ser feliz. E você?

Júlia Groppo 

Por julia às 19.12.19 1.038 comentários
2019

Não gosto de rotular um ano como apenas ”bom” ou ”ruim”. Tenho pra mim que muitas coisas cabem nesses 365 dias que nos são dados. A verdade é que seria injusto reduzir os tantos momentos que vivemos nos últimos meses em apenas uma palavra. Simplista demais, não acham? Se em um só dia brinco que experimento os mais diversos sentimentos, imagina em um ano?

É por isso que gosto de olhar para o ano que passou da forma mais gentil possível, tanto com ele quanto comigo. Afinal, juntos, nós tentamos dançar no mesmo ritmo.

Outra verdade é que eu não poderia deixar de registrar aqui a minha despedida a 2019. O ano que me deu tantas, mas tantas lições, que – por mais que algumas tenham doído pra caramba -, seria bem feio da minha parte não parar alguns minutos para pensar, refletir e, principalmente, agradecer.

O que posso dizer é que o ano que passou em um piscar de olhos com certeza não passou despercebido. Eu e 2019 tivemos alguns tropeços engraçados, quando só nos restava rir de nós mesmos. Levamos rasteiras doídas e tomamos alguns baldes de água fria – e aí, foi preciso respirar fundo, rever algumas coisinhas e fortalecer os passos. Também trocamos algumas certezas por dúvidas, o que assusta (e muito!), mas no fim se torna um ótimo motivo para continuar caminhando.

Nos dias felizes, ele também estava lá, sorrindo para mim e me mostrando, mais uma vez, que a vida é uma bela combinação de tempestades e arco-íris, e que ela vai me lapidar – sem, é claro, pedir licença – sempre que achar necessário. Também tivemos muitas descobertas, essas que guardei em um lugar bem especial para não esquecer nunca mais.

Sou grata a tudo o que vivemos juntos. As tantas vezes que recomeçamos. Mas é chegada a hora de lhe pedir licença. Agora, preciso criar memórias com 2020.

Com gratidão e uma pitada de ansiedade,

Júlia Groppo

Por julia às 18.12.19 998 comentários
A (des)ordem das coisas

Aparentemente, existe uma ordem perfeita na qual as coisas devem acontecer em nossas vidas. Nessa fase em que caminhamos para a famosa ”vida adulta” – na qual me encontro -, funciona mais ou menos assim: muito estudo (em uma área que você tem que ser apaixonado, é claro!), um plano de carreira dos sonhos, salário que brilha os olhos, um relacionamento perfeito, vida social tão agitada de dar inveja e por aí vai; e há quem diga que ainda sobra tempo livre para muitas outras coisas (do skincare às maratonas de Netflix). Passados alguns anos, vêm as promoções no trabalho, um casamento de tirar o fôlego, filhos muito bem planejados e desejados e tudo o mais que você quiser acreditar. Tudo o que decidimos, sei lá porquê, acreditar.

Daí que, dia desses, resolvi perguntar a mim mesma: quem foi que disse que precisa ser assim? Nessa ordem, desse jeito e com essa intensidade? Pasmem: não consegui responder à pergunta. Ri sozinha.

Engraçado como ao longo da vida massacramos os nossos desejos – que brotam de forma bem sincera dentro de nós – para ir de encontro com idealizações que nem sabemos de onde surgiram. Aos 23, posso dizer que algumas das mais famosas aspirações da minha geração têm resultado em muitos casos de depressão, crises de ansiedade, caixas e caixas de tarja preta e por aí vai. Triste, mas real! Vejo pessoas com seus 20 e poucos se afogando em seus próprios sonhos; ou pior: naqueles que foram sonhados para elas.

Empreender. Conseguir o primeiro milhão (antes dos 30, óbvio!). Trabalhar com aquilo que você ama. Virar CEO aos 27. Ser referência nas redes sociais. Ser uma pessoa muito (mas muito mesmo!) interessante. E ainda ter tempo de viajar o mundo. Esses são só alguns dos exemplos. E, conforme vamos crescendo, as cobranças continuam, apenas mudando de nome.

É verdade que é um desafio colocar o mundo no mudo para escutar a nossa voz interior, mas confesso que tenho me dedicado a ele cada dia mais. Por mais complexo que seja questionar coisas que parecem certas – muito por nos terem sido impostas desde sempre -, tenho me colocado frente a frente com elas. E olha, é um alívio toda vez que me lembro que, na verdade, eu não preciso conquistar nada disso se assim eu não quiser. Afinal, o que é do mundo é só do mundo, e não precisa pertencer a mim.

Contudo, estaria mentindo se dissesse que é algo simples de lidar. Até porque, essa lógica, se pouco repensada, faz total sentido. É a “ordem das coisas”, certo? E é nisso que estamos nos apoiando. Afinal, não dá tempo de parar pra pensar. Tudo isso precisa não só ser conquistado um dia, mas o mais rápido possível. Quanto antes, melhor. Não dá tempo de optar por outros caminhos (ou ao menos é isso que gostam que pensemos).

O que quero dizer com tudo isso é: mais do que nunca, conecte-se com você mesmo e descubra, em meio a essa (des)ordem, o que realmente faz sentido pra você.

Pense. Repense. Questione. Duvide. Recalcule. Recomece. Você não tem que seguir fórmulas prontas ou caminhos já desenhados. Seja pela sociedade, pelas gerações passadas ou pela régua do colega ao lado. A única verdade aqui é que a sua individualidade em cada escolha é o que vai tornar o caminho ainda mais belo. E, surpresa: você não é obrigado a ser e nem a conquistar nenhuma dessas coisas.

Júlia Groppo

Por julia às 17.12.19 1.027 comentários

Celebrando minha existência
A tal da missão de vida
Desafiando minha rotina
Ano novo, vida nova?