E se a gente tivesse tempo?

Nos últimos meses, tenho visto muitas pessoas tirarem desejos do papel. Colocado em prática sonhos, metas e necessidades que estavam já há um tempo esperando por elas, esquecidas em meio ao caos da rotina e gritando por um espacinho no calendário. De faxinar o quarto a lançar um projeto. E me incluo nisso. Foi aí que me perguntei: por que nós não estávamos fazendo essas coisas antes?

A reflexão se estendeu por dias. Será que realmente estamos tendo mais tempo livre durante a pandemia que estamos enfrentando, ou finalmente percebemos que estávamos usando o nosso tempo da forma errada? E com ”forma errada”, quero dizer que talvez estivéssemos investindo as nossas valiosas horas em coisas que não nos fazem tanto sentido. E se a gente tivesse esse tempo que sempre acha que não tem, mas, no fundo, sempre teve? E se estávamos nos afogando em meio a obrigações e necessidades que nem fomos nós quem criamos para nós mesmos?

Parece que, de repente, o tempo que faltava até ontem a gente criou para viver um hoje mais gostoso, com mais significado. Mais de acordo com o que realmente nos faz feliz e com o que de fato conversa com a nossa essência. Estarmos trancados em alguns metros quadrados nos fez mergulhar fundo para dentro. Investigar incômodos e vontades que viviam anestesiados pela correria da rotina.

Eu fico feliz. Por mim mesma, por você que está lendo este texto agora e por todos aqueles que estão tendo a oportunidade de ressignificar seus calendários, rotinas e afazeres. Ressignificando tempo e espaço. Sei que não são todos que possuem esse privilégio, afinal, essa pandemia tem atingido as pessoas nas mais diferentes formas – e tenho ciência de que faço parte dessa tal parcela privilegiada. Mas é justamente por ter essa chance bem nas minhas mãos que não quero deixá-la passar.

Se o hoje é, de fato, tudo o que temos, por que continuar a vivê-lo sem tempo para as coisas que mais gostamos? Um tempo que, no fundo, a gente sabe que tem. Portanto, ajuste o seu relógio interno. Recalcule a rota. Reveja a sua rotina. Tire os sonhos da gaveta. E agarre com todas as forças o que te faz sentir vivo entre os segundos que correm rápido pelo relógio.

Que seja cada vez mais doce, verdadeiro e leve. Sempre leve.

Júlia Groppo

Por julia às 03.08.20 4.055 comentários
Você se faz feliz?

Sempre brinco que é muito fácil eu me fazer feliz. E nem é só pelo fato de que as pequenas coisas me encantam, mas também porque, há alguns anos atrás (mais precisamente em 2015), uma época da minha vida em que eu estava entediada com tudo, decidi fazer um pacto comigo mesma. Mais que chateada, eu estava cansada de me sentir daquela forma. 

Foi aí que, como num basta, decidi prometer a mim mesma: faria algo por mim todos os dias dali pra frente. Não iria dormir sem ter feito ao menos uma coisinha que eu gosto. 

O doce preferido após o jantar. Algumas páginas de um livro novo. Um episódio da série favorita. Um passeio pelo shopping. Um delivery do restaurante predileto. E por aí vai! A verdade é que não importa muito o que seja, desde que você não se esqueça de dar ouvidos e espaço na sua rotina à pessoa mais importante da sua vida: você. E que, nesse caminho construído diariamente, consiga se conhecer cada vez mais. 

De lá pra cá, sigo colecionando os meus pequenos respiros diários (como carinhosamente decidi chamar esses momentos). Afinal, eu sou o meu compromisso mais importante e sincero. Confesso que também já faz um tempo desde que a ideia de deixar para ser feliz amanhã, no final de semana ou quando eu alcançar algum sonho ou meta parou de fazer sentido para mim. E graças a Deus, porque a verdade é que a nossa vida está o tempo todo acontecendo. Todos os dias. E quero me fazer feliz em cada um deles.

E você, já se perguntou o quanto tem se feito feliz? 

Júlia Groppo

Por julia às 03.08.20 4.144 comentários
Conselho de vó

Minha avó sempre me aconselhou, desde pequena, a ouvir mais e falar menos. Passei a maior parte da minha infância em sua casa, e era comum ela cantar uma música bem fofa sobre isso, na tentativa de me ensinar desde menina o dom da escuta. Mas a verdade é que, ansiosa que sou (e que sempre fui), sempre tive dificuldade de colocar o tal ensinamento em prática.

Até hoje, me pego atropelando palavras e tropeçando nos meus próprios diálogos, tudo em uma pressa gigante de me expressar. Para piorar, tratei de me formar como jornalista e me apaixonar ainda mais em me comunicar. Só que levo a sério demais esse negócio de ”conselho de vó” para simplesmente deixar para lá, então, nunca me esqueci desse ensinamento. Levo ele comigo mesmo sendo um grande desafio segui-lo.

Acontece que, ultimamente, tenho entendido mais a minha avó. Escutar é uma prática tão importante quanto falar. Afinal, para contar boas histórias, primeiro é preciso aprender a ouvi-las. Com os nossos ouvidos, é necessário captar a essência mais pura daqueles fatos. Gosto de me descrever como uma escritora em busca de histórias que merecem ser contadas, e é por isso que tenho exercitado cada dia mais essa prática.

Também acredito que ouvir o que o outro tem a dizer é como um pequeno presente que você dá a ele. Já parou para pensar que, em muitos momentos, as pessoas querem apenas serem ouvidas, desabafar sem que alguém as interrompa, numa tentativa de tirar o que está pesando o peito?

Vai por mim: conselho de vó a gente leva a sério. Fico feliz por estar, finalmente, conseguindo fazer o que minha vó sempre me disse (e repete até hoje!). Numa dessas, além de aliviar pesos que as pessoas ao meu redor podem estar carregando, sigo colecionando boas histórias que me comprometi a contar. Afinal, se tem algo que eu acredito com força é que, no fim das contas, todas as histórias perdidas por aí merecem ser contadas.

Júlia Groppo

Por julia às 20.07.20 15 comentários
De mãos dadas comigo mesma

Dia desses, em uma conversa com a minha mãe, comecei a pensar em todas as coisas que teria deixado de fazer na minha vida se tivesse ficado esperando algum tipo de validação alheia, de quem quer que fosse. Em meio a um grande estalo, notei que teria deixado de viver as melhores experiências que já tive até então. E, olha, preciso dizer: que libertador é se dar conta de que você está vivendo abraçado a sua própria essência.

Em meio a um suspiro de alívio e gratidão a mim mesma, segui refletindo sobre o assunto pelo resto do dia, e me agradeci por mais muitas vezes. Se eu tivesse dado ouvidos aos olhares meio tortos e palavras atravessadas perante algumas das minhas decisões, cá estaria eu: em harmonia total com aqueles a minha volta, mas em completa desarmonia comigo. O que, só de imaginar, chega a me dar arrepios.

Descobri que é exatamente assim que quero seguir caminhando: de mãos dadas comigo mesma; com quem sou e com os desejos mais genuínos que carrego. Tudo o que coabita aqui dentro. Abraçar bem forte cada uma das minhas escolhas, afinal, se eu não for fiel a mim mesma, quem mais o seria?

É verdade que é bem fácil os nossos sonhos se esbarrarem nas opiniões dos outros. Somos seres sociais e nossas vontades podem se misturar às daqueles a nossa volta. Mas é preciso sempre recalcular a nossa rota interna e ser o mais honesto possível com nós mesmos. A resposta para tudo isso, acreditem, é uma só: a essência. Sempre a essência.

Espero me lembrar disso todos os dias e poder suspirar aliviada mais um tanto de vezes ao recordar todos os momentos em que decidi me dar as mãos e não soltar por nada. Desejo que eu e você possamos olhar pra trás e agradecer a nós mesmos por todas as vezes em que fomos e viemos, sobretudo, porque assim queríamos.

Júlia Groppo

Por julia às 15.04.20 4.078 comentários
O processo (é o que mais) importa

Imagine a seguinte cena: você de um lado, seu maior sonho do outro e, em meio a vocês, um precipício. Pode parecer assustador, ainda mais para um coração ansioso como o meu, mas tenho entendido (a duras penas) que a graça de tudo está justamente nesse tal precipício que a gente evita pular. Porque alcançar os nossos sonhos pode ser bem incrível, mas tudo o que a vida nos reserva entre onde estamos e onde queremos chegar pode ser ainda mais. Isso porque ela sabe das coisas.

É comum que todo esse percurso nos pareça medonho e que depositemos mais valor na tal da chegada que no caminho que vamos percorrer até lá, mas estamos cansados de ouvir por aí: o destino não é o que mais importa, mas a caminhada que se faz até ele. Pode (e vai!) soar como clichê, eu sei, mas eu sou grata diariamente por cada um deles, e este é apenas mais um dos que eu agarro com todas as forças quando percebo o meu coração agoniado pelo que está por vir. Pelas curvas, desvios e saltos que me serão propostos. Por todos os precipícios que eu terei que pular.

A gente quer sempre ”chegar lá”, mas nos esquecemos que o caminho vai dizer muito mais sobre a nossa vida que o que finalmente acontecerá quando alcançarmos o outro lado. Gosto de chamá-lo carinhosamente de processo, e acredito que o mais importante seja estarmos cada dia mais abertos ao que ele nos preparar. Afinal, a sua vida não é o que o acontece quando você realiza um sonho (embora eles sejam muito importantes e valiosos para a nossa jornada!). Ela é, principalmente, o que você constrói até chegar a eles. Porque ela está o tempo todo acontecendo.

Júlia Groppo

Por julia às 31.03.20 4.072 comentários
O que aprendi com o coronavírus

É fato que esse cenário tenso no qual estamos inseridos está apenas começando. Longe de mim ser pessimista (faço mais o tipo insuportável-de-tão-otimista), mas segundo estimativas, teremos alguns meses pela frente para enfrentar esse tal de coronavírus. Apesar disso, as últimas semanas já renderam muitas reflexões para mim. Pude reunir uma coleção valiosa de aprendizados que acho legal compartilhar mesmo que ainda tenhamos uma longa caminhada nos esperando. Afinal, são eles que vão nos fortalecendo em meio a todo esse caos.

Eu acredito fielmente que em tudo nessa vida há proveito. E se estamos sendo colocados à prova, que seja para sairmos mais fortes e conscientes desse desafio.

Nem sempre é sobre a gente. Às vezes, é sobre o outro.

Tenho pra mim que se essa vida fosse apenas sobre encontrar o nosso propósito, alcançar o nosso próprio sucesso e ponto, haveria apenas um de nós habitando essa Terra. Acontece que, se dividimos o mesmo espaço, é porque somos não apenas companheiros de caminhada, mas uma peça-chave na jornada um do outro. Essa situação tem nos mostrado o quanto o conceito de colaboração é essencial. Então, não se esqueça de olhar para os lados e perceber que talvez alguém esteja precisando mais de você que você de qualquer outra coisa. O que nos leva ao próximo aprendizado.

Precisamos reconhecer e aprender com os nossos privilégios

É verdade que estamos todos no mesmo barco enfrentando essa pandemia, mas digamos que esse barco está dividido em setores, e nem todos têm acesso a todos eles. Para ficar mais simples, pensemos em um voo: alguns ficam na classe econômica. Outros, na executiva. E alguns sequer chegam a embarcar no avião, pois viajar não é uma realidade. Entendem?

Todos nós estamos sendo atingidos pelo coronavírus e sofrendo suas consequências, mas elas são diferentes, e olhar ao redor e nos darmos conta dos nossos inúmeros privilégios (como poder fazer home office, estar perto da família, ter uma reserva de dinheiro para sobreviver à instabilidade dos próximos meses etc.) é reconhecer que vivemos em uma sociedade desigual. Do alto dos nossos privilégios, precisamos frear os julgamentos e entender de que forma podemos ajudar os menos favorecidos. É hora (já passou, na verdade) de sair da bolha!

Não temos o controle das coisas

No fundo, nós sempre soubemos disso, mas é algo que nos esquecemos com facilidade (eu sempre! rs). Em muitos momentos da vida, insistimos em acreditar que podemos controlar alguma coisa. Mas aceitar que não temos o controle de uma situação é muito importante para focarmos nossos esforços no que de fato importa, que são as soluções que, dentro desse cenário, estão ao nosso alcance. Pensemos o seguinte: o que podemos fazer por nós mesmos, pelos que amamos e pelo mundo neste momento?

Não dá para deixar nada para amanhã: nem amar, nem os nossos sonhos e muito menos ser feliz

Lembra dos planos que você fez para os próximos meses? E das coisas que você tem adiado já há um tempo? Das mais simples pendências aos nossos maiores sonhos, estamos sempre ”deixando para amanhã”, um hábito muito comum em uma sociedade que tem uma rotina sufocante e julga nunca ter tempo para nada.

”Amanhã eu faço”, ”amanhã eu ligo”, ”amanhã eu falo”, ”mês que vem eu começo”, ”ano que vem eu viajo”. Acontece que esse amanhã está totalmente comprometido, e nunca vimos nossos planos serem pausados/adiados/cancelados de forma tão brusca. Portanto, não deixe para amanhã, porque ele pode, de fato, não existir. A vida é agora e está o tempo todo acontecendo. Ligue, diga o que sente, perdoe, faça a viagem que tanto quer, invista em si mesmo e nos seus sonhos. Hoje.

As pequenas coisas importam

Estar com quem amamos. Almoços em família. Passear no shopping, ir ao cinema ou ao seu restaurante favorito. Abraçar as pessoas. Fazer uma caminhada ao ar livre. Tocar objetos sem medo. Para mim, as pequenas coisas sempre tiveram grande valor, e eu sou uma defensora árdua delas. Mas quando eu achava que já sabia muito bem o tanto que elas me faziam feliz, a vida mostrou ainda mais o quanto me são essenciais. Eu mal posso esperar para ter a minha rotina de volta e ainda mais para abraçar todos aqueles que eu amo e convivo. Como diz a minha mãe, a vida é feita no dia a dia, e a sua importância nunca esteve tão óbvia para nós.

Juntos somos (muito) mais

Em poucos dias, vi nascer diferentes redes de apoio, de pequenos empreendedores que estão trocando dicas sobre como manter o negócio em pé à noivas que estão trocando desabafos por terem tido os casamentos adiados. E por aí vai. Assistindo a tudo isso, pude concluir, mais uma vez, que juntos temos o poder de revolucionar, seja o que for. Que união, colaboração e cooperação são palavrinhas mágicas e podem nos levar além.

Em tudo há proveito

É como eu disse anteriormente: nada nessa vida é em vão, portanto, saber fazer do limão uma limonada e do caos uma oportunidade é um desafio e tanto, mas necessário e muito válido. Pare por alguns minutos e tente fazer ao menos uma reflexão de todo esse cenário que estamos enfrentando. Duvido você não chegar a ao menos uma conclusão, seja sobre você mesmo, seja sobre nós, como sociedade. Boa ou ruim, ela te mostrará que algo precisa ser mudado.

Criatividade e resiliência

Essas são duas palavrinhas que gosto muito, e que de certa forma se completam. Resiliência ”é a capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças.”. Já a criatividade vem como uma parceira que nos ajuda a enfrentar essas tais adversidades sem deixar a peteca cair.

Nesse sentido, vi empresas (das micro às grandes) se reinventarem em poucos dias. E isso vale também para cada um de nós, que estamos tendo que repensar a nossa rotina e rever os planos que tínhamos traçado. Numa dessas, concluímos mais uma vez que o ser humano é totalmente adaptável.

Somos uma construção sem fim (e temos muito o que melhorar como nação!)

Aqui, são dois aprendizados em um. É muito importante termos a consciência que nunca seremos bons o bastante a ponto de nunca mais termos o que aprender e melhorar; duvido você não ter chegado à conclusão de pelo menos uma coisa na qual pode ser melhor daqui pra frente. Além disso, estamos assistindo o desempenho de governantes que foram colocados à prova diante de uma situação que ninguém esperava, ou seja, é importante olharmos de forma crítica para aqueles que estão no poder e repensar nossas escolhas.

Um dia de cada vez

Por fim, este que é um dos meus mantras de vida preferidos fez-se uma verdade ainda maior ao olharmos para o futuro e sequer sabermos quando poderemos estar juntos novamente. Viver um dia de cada vez e aproveitá-lo em sua completude é um dos meus clichês favoritos, afinal, por mais difícil que seja aceitar, esse vírus nos mostrou que o amanhã não nos pertence. Bem diante dos nossos olhos, vimos o nosso 2020 e todos os seus planos serem interrompidos. E uma das saídas para não sucumbirmos à ansiedade, acredito eu, é, de fato, viver as angústias e pequenas alegrias de hoje, deixando para amanhã o que cabe somente ao amanhã resolver.

Felizmente, não é todo dia que somos tomados por pandemias, mas uma vez assolados por essa, estamos entendendo (a duras penas!) que não precisamos esperar por catástrofes para decidirmos de uma vez por todas agarrar o nosso hoje e tudo o que ele envolve, fazendo o que está ao nosso alcance. Amar é uma dessas coisas. Fazer a diferença no mundo também.

E seguimos, pois há muito pela frente. O importante é que o nosso olhar esteja bem atento e o nosso coração um tanto aberto. E, claro, que continuemos em casa (se possível!) e lavemos muito bem as mãos.

Júlia Groppo

Por julia às 23.03.20 Comentários
Algumas coisas que descobri sobre a vida

Na minha aventura pela busca de uma vida mais leve, tenho entendido cada vez mais que leveza tem muito a ver com conseguir se divertir nos percursos que vamos traçando em nossa jornada.

Crescemos com a ideia de que a felicidade é algo sempre a ser conquistado, o que a coloca em um patamar um tanto quanto inacessível, como se precisássemos de muita energia e esforço, o tempo todo, para encontrá-la. Como se a nossa realidade não bastasse para acessá-la. Acontece que já faz um tempo que eu decidi enxergá-la nas pequenas coisas ao meu redor, e não aceito mais que me digam que eu só serei feliz ”quando chegar a algum lugar” ou ”conquistar alguma coisa”. Por que eu não posso ser feliz agora, com o que tenho bem em frente a mim?

Foi assim que comecei a entender que felicidade e leveza caminham de mãos dadas. Juntas, é através da simplicidade que se manifestam, formando um belo trio do qual eu não abro mais mão. E aí, eu também decidi dar as mãos a todas elas. Estamos descobrindo que a vida acontece a todo momento, aos pouquinhos, e que caminhar por aí sem ao menos uma pitada de diversão, graça e contemplação não vale a pena – mesmo que em tempos difíceis.

Quando acordo, estabeleço comigo mesma o compromisso de eliminar os pesos desnecessários que por muito tempo fui carregando e abrir espaço para enxergar a vida e seus detalhes no meu dia a dia. Vou investigando a mim mesma e tecendo a minha rotina de diferentes formas, porque sim, é possível – e deliciosamente desafiador – encontrar novidades em coisas e caminhos que fazemos todos os dias. A graça de tudo está justamente aí.

Minha bagagem tem pesado menos a cada dia, e o meu coração tem se preenchido com o que está bem aqui na minha frente. É verdade que eu nunca deixarei de sonhar – com dias melhores, projetos que estão no papel e sonhos que moram de forma tão sincera no meu coração -, mas também não posso mais deixar algumas coisas para depois: nem a mim mesma, nem os meus encantos e muito menos ser feliz. Seguirei me aventurando pela minha própria história. Quero fazer poesia dos traumas, graça dos tropeços e sentir tudo o que tem sido preparado para mim.

Que seja leve.

Júlia Groppo

Por julia às 21.02.20 1.093 comentários
Tchau, insônia: três hábitos para melhorar a sua noite de sono

Não é segredo para ninguém que uma noite de sono bem dormida é parte essencial da busca de uma vida mais leve e saudável. Quando conseguimos descansar, acordamos com muito mais energia para enfrentar o dia seguinte e suas responsabilidades. Entender que precisamos dormir e respeitar esse momento da rotina é um gesto de autocuidado. É necessário aceitar que, sem descanso, não há ser humano que aguente (e tudo bem!).

É por isso que decidi compartilhar três hábitos que podem te ajudar na missão de ter uma noite de sono mais gostosa.

1) Troque os stories por páginas de livros

Você já deve ter lido por aí que a luz emitida pela tela do celular não é a melhor das companhias para esse momento. Existem vários estudos que apontam que, entre os seus malefícios, está a alteração na produção de melatonina, hormônio que auxilia na regulação do sono.

Além disso, ficar assistindo aos stories – ou navegando por qualquer rede social – das pessoas pode despertar ansiedade em você, tornando ainda mais difícil que o seu corpo relaxe e entenda que chegou a hora de dormir. Pegue um livro, comece a ler e sinta o sono chegando aos pouquinhos. Ajude o seu corpo a entender que é hora de se desligar. Assim, suas leituras e descanso seguem em dia, e você em harmonia consigo mesmo.

2) Escalda pés

Nossos pés sustentam o nosso corpo todo. Além disso, são locais onde recebemos bastante troca de energia com a Terra. Após um longo dia, dê a eles o descanso que merecem: prepare uma bacia com água quente, misture sal grosso e/ou óleo essencial e relaxe. Depois, aproveite para passar um hidratante, ainda mais se essa região do seu corpo for bem seca, como é o meu caso.

3) Tenha uma (ou mais) playlist especial para esse momento

Dormir com o barulhinho da chuva está entre os maiores prazeres da minha vida. Contudo, não é todo dia que está chovendo, e é por isso que tenho salva uma playlist com sons da natureza que me ajudam a relaxar e a pegar no sono quando a minha cabeça está muito cheia. Descubra o tipo de som que te acalma e monte as que você acredita que podem te ajudar nesse momento do dia. Aqui, vale qualquer coisa que for te trazer qualquer vestígio de paz!

Entender as nossas limitações como ser humano é um grande desafio em um mundo cercado por tecnologia e máquinas, operantes 100% do tempo. Precisamos nos conscientizar de que temos necessidades diárias, e dormir ao menos oito horas por noite é uma delas. Não tenha receios quando o assunto for você mesmo: respeite o seu tempo, entenda os limites da sua mente e do seu corpo e esteja cada vez mais em harmonia com os seus objetivos.

Já segue algumas dessas dicas ou tem outras para dar? Comente aqui embaixo!

Com carinho,

Júlia Groppo

Por julia às 18.02.20 Comentários
Minhas tempestades internas

Era uma segunda-feira, e chovia bastante lá fora. Apesar da vontade absurda de ficar em casa, entre minha coberta e meus livros, e do sapato molhado que ganhei no caminho do carro até o trabalho, notei que o meu coração batia leve e feliz. Confesso que nem eu sabia o tanto que gostava de dias chuvosos. Foi aí que entendi: assim como a chuva molhava o chão e limpava toda a cidade, eu sentia que as coisas estavam sendo limpas, também, dentro de mim.

Somos feitos de muitas coisas, e algumas delas são as nossas tempestades internas. Em um primeiro momento, tendemos a querer espantá-las, afinal, dizem por aí que não dá tempo de ser outra coisa a não ser feliz – e, cá entre nós, quem não ama um céu limpinho e azul? Mas eu aprendi a respeitar as minhas, assim como o meu tempo e as minhas confusões, e, vale dizer, até a gostar dessas companhias. É que eu entendi que somos uma bela combinação de luz e sombra, e que afastar o nosso lado mais escuro é andar por aí com uma parte nossa faltando. Também aprendi que a ordem de algumas coisas é inevitável: primeiro vem a chuva, depois o arco-íris, e eles são igualmente essenciais para a harmonia do universo.

Hoje, sei que as minhas tempestades levam embora tudo aquilo que já não cabe mais dentro do meu peito – e que sozinha eu talvez não conseguisse deixar ir embora. Por isso, deixo chover. Preciso desses ventos, raios e trovoadas para recalcular a minha própria rota. Lá fora, mesmo que molhe os meus sapatos, e aqui dentro, mesmo que por algum tempo exista um incômodo, sei que o universo está apenas me ajudando a repensar algumas coisas e, principalmente, a seguir com o que realmente importa.

Quero caminhar por aí, sobretudo, de cara e alma lavadas. É incrível saber que aprendi a dançar na minha própria chuva.

Júlia Groppo

Por julia às 11.02.20 555 comentários
Sua verdadeira casa

Já parou para pensar que o seu corpo é um lugar do qual você nunca vai sair? Podemos nos retirar de locais que não nos fazem bem, deixar o emprego que não traz mais prazer, abandonar companhias que não fazem mais sentido, mas este espaço, em especial, sempre ocuparemos. Certa vez, assistindo a um TED, ri ao ouvir a palestrante dizendo que estava precisando tirar férias de si mesma; foi então que decidiu viajar para a África e, já no avião, se deu conta: ela estava indo junto (rs).

Quando descobri que meu corpo é o meu principal lar neste mundo, um lugar que ocupo 100% do tempo, passei a buscar maneiras de tornar essa moradia um espaço cada vez mais gostoso para estar. Se eu estarei pra sempre comigo mesma – e essa talvez seja uma das únicas certezas que tenho nessa vida -, como deixar esse relacionamento o mais saudável possível? Como deixar cada vez mais confortável viver dentro de mim?

De início, posso dizer que é preciso nos vigiarmos. Em algumas fases da nossa vida, podemos nos tornar os nossos maiores inimigos. Eu mesma já fui a própria pedra no meu sapato, e não há nada mais frustrante que estar em um lugar onde você não se sente bem, ainda mais se esse lugar for você mesmo. Invista em autoconhecer-se.

Ao entender melhor como está esse relacionamento, também entenda que, assim como uma casa, nós precisamos passar por algumas reformas e faxinas. Fazer ajustes aqui e ali, mudar a decoração e trocar os móveis de lugar são pequenas atitudes que deixam o nosso lar mais bonito e confortável. Experimente fazer o mesmo com os seus sentimentos, pensamentos e tudo o mais que você tem guardado aí dentro. Procure também dar ouvidos aos sinais que o seu corpo está te enviando. Assim como uma casa precisa de cimento, argamassa e rejunte, nós precisamos de carinho, cuidado, paciência e atenção, principalmente de nós mesmos.

O mundo pode ser um lugar bem cruel, em muitos momentos. As pessoas, também. Faça com que o seu corpo seja um lar seguro para você. Afinal, o seu relacionamento mais sério nessa vida é com você mesmo. E o que eu mais desejo é que você possa sempre se sentir ”em casa”.

Júlia Groppo

Por julia às 05.02.20 1.063 comentários

Quantas Júlias ainda estão por aí?
Como é que você diz ”eu te amo”?
Aqueles que tornam a nossa jornada mais feliz e possível
Por favor, reassista os seus filmes preferidos