5 coisas que aprendi morando sozinha

morando-sozinha

Morar sozinho tem suas dores e delícias. Tenho aprendido muito comigo mesma e com essa rotina doida que é ter que assumir todas as responsabilidades que antes estavam nas mãos de adultos, como os meus pais, que sempre me ajudaram em tudo. Acordar cedo sozinha, lavar a louça, manter o apartamento limpo, comprar comida, pagar contas, arrumar a cama, não deixar faltar itens básicos… São tantas entre tantas outras coisas que vem à tona quando você se vê sozinho pela primeira vez. Você descobre que nada acontece num passe de mágica, porque é preciso botar a mão na massa se você quer que as coisas funcionem.

Às vezes acho que a gasolina vai entrar magicamente pelo tanque do meu carro ou que a geladeira vazia vai se encher de uma forma repentina. Então eu lembro, em um momento desesperador, que as coisas não acontecem assim. Então eu lembro também que eu escolhi esse rumo para a minha vida e encarar as consequências disso faz parte tanto quanto aproveitar as partes boas.

Desde que entrei na faculdade, essa era uma das minhas maiores vontades. Gosto de testar a minha paciência e os meus limites, adoro me colocar à prova e crescer um pouco mais a cada dia e sabia que essa seria uma das melhores experiências da minha vida. E COMO TEM SIDO, VIU?

Morar sozinho não é nada fácil, pelo contrário: morar sozinho é ter, todos os dias, desafios e descobertas que nos levam a novos lugares de nós mesmos. Morar sozinho é um vestibular todos os dias. Morar sozinho é aprender a se virar nos momentos mais difíceis. Morar sozinho é queimar a panela de arroz, esquecer a TV ligada, chorar quando a conta de luz aparece debaixo da porta no fim do mês, acordar atrasado. Morar sozinho é ter que a lavar a louça todos os dias, porque sempre será a sua vez.

Mas morar sozinho também é fazer o que você quer, na hora que você quer e do jeito que você quer. Morar sozinho é não ter que dividir a barra de chocolate ou a TV. Morar sozinho é poder ouvir sua música preferida 15 vezes repetidas (sim, já aconteceu comigo), no volume que quiser, sem que tenha alguém para reclamar disso. Morar sozinho é deixar copos espalhados pela casa toda e também é deixar tudo desarrumado e arrumar quando você decidir que deu vontade. Morar sozinho é empilhar as roupas na cadeira da escrivaninha e demorar dias para encontrar aquela blusa que você tanto quer usar. Morar sozinho é descobrir, todos os dias, pedacinhos de você mesmo.

E é devido a essa loucura diária que tenho vivido, tão divertida, que decidi falar com vocês sobre isso hoje. Vem comigo descobrir as cinco coisas que mais aprendi morando sozinha.

1) EU SOU A MINHA COMPANHIA PREFERIDA 

A gente cresce acreditando que estar sozinho deve ser sinônimo de medo e tristeza. A gente aprende que a solidão está relacionada a momentos ruins e desperdiçados. Quer saber? Eu pude descobrir exatamente o contrário desde que me mudei. Tem dias que tudo o que eu quero é chegar em casa para ouvir apenas a minha voz, os meus pensamentos e as batidas do meu coração. É tão bom dar uma pausa do mundo de fora para fugir para o de dentro. A gente aprende que não há companhia melhor que a nossa. Estar rodeado de pessoas que amamos é uma delícia, mas saber aproveitar o que temos de bom e separar pelo menos um momento do dia para nos conhecer mais de perto é, acreditem, MELHOR AINDA.

2) É PRECISO FAZER SUPERMERCADO

Sabia que uma hora a comida acaba? Pois é. O leite, a bolacha, o arroz. E o sal então? E é nesses momentos que você descobre e aprende, da pior maneira possível, que fazer supermercado, como sua mãe sempre te convida e você nunca aceita, é uma tarefa muito importante.

3) NÃO DEIXE A LOUÇA ACUMULAR

Vejam bem:  chega um momento que tudo o que você precisa é de uma faca e, meus amigos, você abre a gaveta da cozinha e não encontra nenhuma. Nem garfos, colheres, pratos ou copos. A pia está lotada e a única solução é: lavar. Você olha para os lados e a única pessoa que enxerga é você mesmo. Não adianta, é a sua vez de lavar e sempre será. Eu aprendi isso na marra (na verdade, ainda estou aprendendo).

4) O DESPERTADOR DO CELULAR É ÚTIL

Até sair da minha cidade, meu despertador chamava-se Tânia, vulgo minha mãe. Ter a responsabilidade de acordar cedo para ir à faculdade e não perder a hora do estágio me fez descobrir a importância do alarme do celular, que até então, pasmem, era inútil para mim. Minha mãe sempre me acordou e me ajudou a não perder hora, mas quando me vi sozinha tendo que encarar esse conflito entre o meu sono e a vida adulta, não tive outra escolha a não ser aprender a acordar com aquele barulho chato. Preferia a voz da minha mãe, sempre doce e paciente, mas fico feliz em ter vencido esse passo. Sim, foi uma grande vitória, viu?

5) CRESCER NÃO É FÁCIL (MAS NINGUÉM DISSE QUE SERIA)

Realmente, ninguém me disse que seria fácil, pelo contrário, meus pais sempre me alertaram. Mas eu, teimosa que sou, sempre achei que sim. A gente sai dizendo por aí que não vê a hora de ser independente e arcar com as próprias responsabilidades, mas não imagina o tamanho da bola de neve que nos persegue quando isso realmente acontece. Não estou dizendo que crescer é um pesadelo, porque vejam bem, ao mesmo tempo que venho tropeçando nessa passagem da adolescência para a vida adulta, venho entendendo como é bom descobrir cada detalhe do que é a vida. As dúvidas que surgem ao longo do caminho só me dão mais vontade de continuar.  Mas que eu achei que seria fácil, eu achei… E a vida me mostrou que não.

Mas ela tem sido bastante carinhosa comigo, pois aos poucos, dia após dia, venho aprendendo o que é estar sozinho, ter que lidar com problemas que às vezes nem imaginaríamos lidar um dia e ter que lembrar de detalhes que antes nos passavam despercebidos, por termos pessoas que nos recordavam de cada um.

Morar sozinho é um desafio, um risco gostoso de se correr, todos os dias. Morar sozinho é uma das melhores formas de descobrir, aos poucos, quem você realmente é e até onde pode chegar.

Espero que tenham gostado e se divertido tanto quanto eu ao escrever este post e relembrar a minha primeira semana em uma cidade desconhecida, sozinha e com um mundo (e muita louça) pela frente. E se você que está aí do outro lado tiver essa oportunidade um dia, não pense duas vezes: vá e descubra. Será uma experiência única!

Com carinho,

Júlia Groppo

Por julia às 29.09.16 1.685 comentários

Comments are closed.

Portas abertas
Vidas editadas
Sobre lugares que nos (re)conectam com nós mesmos
25