Sair da zona de conforto não precisa ser tão desconfortável

Sair da zona conforto não é só pegar um avião sem destino. Fazer uma transição de carreira. Mudar de cidade, estado ou país. Jogar tudo pro alto e começar do absoluto zero. Você pode começar com pequenos passos, como testar novas maneiras de fazer as coisas que você já faz ou inverter os horários de algumas atividades da sua rotina. Ou, ainda, colocando pequenos desafios em meio à semana. 

A gente tem mania de esperar grandes acontecimentos para fazer novos movimentos em nossa vida. A gente também tende a dar muito mais valor a eles e esperar as grandes revoluções externas e visíveis para dar novos passos. Mas, falando mais uma vez naquela ideia que adoro repetir, de que a vida acontece o tempo todo, se a sua já está acontecendo neste exato momento (desde que você veio a este mundo, certo?), por que não desafiar a si mesmo no seu cenário atual? No que já existe, no que está em suas mãos, no que muitas vezes é um processo mais interno e sobre o qual os olhos não podem ver, mas a alma e o coração com certeza podem sentir.

É sobre não esperar as situações extraordinárias para experimentar a vida de diferentes formas. O que temos hoje é sempre o suficiente para já sermos muito, para experimentarmos o novo e, se assim quisermos, sermos diferentes. 

É verdade que novidades são sempre muito bem-vindas. Mas elas não precisamos viver esperando-as para que a nossa vida mude de alguma forma.

Sair da zona de conforto não precisa ser tão desconfortável. Apesar de ser importante e render bons aprendizados e muito amadurecimento, nem sempre estamos prontos (ou mesmo com vontade) para sair do nosso conforto que conquistamos.

Comece com o que você já tem, onde você está e com quem você já é.

Júlia Groppo

Por julia às 17.05.22 Comentários
Sobre emoções não tão legais de serem sentidas

A gente tem mania de achar que a tristeza, a raiva e o medo – entre outras emoções tidas como negativas -, só servem para atrapalhar a nossa vida. Mas a verdade é que todas elas fazem parte da experiência de estar vivo, o que, para mim, significa que elas também são essenciais para a construção da nossa história. 

De maneira impulsiva queremos sempre evitá-las e expulsá-las a qualquer custo de dentro de nós. Às vezes, a dor de tentar fugir delas e não conseguir dói mais que a própria emoção em si. É sofrimento em dobro que não leva a lugar nenhum a não ser para mais longe de si mesmo, afinal, estar vivo é uma mistura de dores e delícias e é em meio a elas que experimentamos verdadeiramente o fato de estarmos vivos. 

Entre os meus altos e baixos, decidi acreditar fielmente que, quando elas surgem, há algo que precisa ser repensado. É a vida querendo falar comigo. Sempre digo o quanto ela é sagaz e sabe muito bem o que estamos precisando, e algumas coisas, inevitavelmente, a gente só aprende através das dificuldades. Dos tropeços. 

Portanto, se a tristeza e todas essas outras emoções fazem parte da vida, quanto mais falarmos sobre elas e acolhê-las, creio que será menos doloroso enfrentá-las quando chegarem até nós. Quando as aceitamos como companhia, também estamos sendo fiel à trajetória que estamos criando por aqui, já que, como seres humanos, é impossível sentir somente coisas boas.

Não conheço uma pessoa sequer que tem o sofrimento como opção, mas, se fomos colocados frente a frente a ele – quaisquer que sejam os motivos -, o melhor é encontrar a maneira mais leve e sincera de enfrentá-los. 

Júlia Groppo

Por julia às 09.05.22 Comentários
Deixe a vida te tornar um ”sortudo”

Pare de planejar cada minuto do seu dia ou cada passo dado na vida. Permita que ela lhe dê um pouquinho de sorte no meio do caminho. 

Quando a gente insiste em achar que tem o controle de tudo, o planejamento vira uma prisão e ficamos cegos para qualquer coisa que não esteja anotada em nossas agendas. Qualquer tropeço, por mais bonita que seja a vista para a qual ele nos leva, parece uma maldição.

Mas, às vezes, isso é só a vida te dando a chance de ser um “sortudo”. De, de repente, alguma coisa dar certo assim, do nada, simplesmente porque ela sabe das coisas. Porque ela é sagaz, imprevisível e cheia de surpresas e é mestre em nos dar exatamente aquilo que estamos precisando. 

Planejar é gostoso, anima e nos aproxima de uma sensação de mínimo controle sobre o que vem por aí. Mas não há nada como ser surpreendido pelo universo. O problema é que, se a sua agenda estiver abarrotada de demandas, metas e compromissos, você sequer terá tempo para notar as pequenas surpresas que surgem entre uma tarefa e outra. E, vai por mim, a gente perde muita coisa por não se permitir estar fora de controle. Afinal, essa é uma sensação bastante ilusória.

Quem manda é a vida. Sempre ela!

Júlia Groppo

Por julia às 13.04.22 Comentários
Nossa natureza é a imperfeição

Em uma caminhada para aliviar uma companheira indesejada chamada ansiedade, comecei a reparar no céu. Atrás de mim, uma possível chuva se aproximava e fazia com que ele estivesse bastante cinza. À minha frente, ele ainda estava bem azul, com várias nuvens que pareciam verdadeiros algodões, da mesma maneira que o vi quando acordei naquele dia. Já ao meu lado direito, ele estava incrivelmente bonito em uma mistura perfeita entre amarelo, rosa e laranja, anunciando, como de costume, que o sol estava se pondo e que aquele dia se encaminhava para o seu fim. 

Logo me pus a pensar: se o próprio céu pode ser vários em um só, por que eu deveria espremer a minha existência? Se ele consegue, de uma só vez, ter tantas formas e cores, por que eu deveria me preocupar em ser 100% do tempo decente, perfeita e coerente? 

Esta reflexão, sem dúvidas, ganhou um espaço no meu coração e, sobretudo, na minha mente. Seguirei questionando o fato de querermos ser perfeitos e nomearmos toda e qualquer coisa sobre nós mesmos, quando, na verdade, se nem a natureza pode ser minuciosamente definida e compreendida, por que eu o deveria fazer? Afinal, nós somos parte dela.

Decidi registrar o meu lado preferido daquele céu contraditório, mas sei que cada pedacinho dele naquele momento tinha a sua própria beleza e importância. Assim também é com a gente: mesmo as partes que nos formam, mas que não gostamos tanto assim são a união perfeitamente imperfeita de quem somos. Partes bonitas, outras nem tanto, mas todas, sem dúvidas, essenciais para nos fazer ser quem precisamos.

São muitas cores, texturas e camadas, muitas delas inomináveis. E que assim seja. E que saibamos, sobretudo, aceitar essa condição plural do existir cada dia mais. 

Júlia Groppo

Por julia às 07.04.22 Comentários
Mudar o mundo começando pelo nosso

Eu nunca quis ser só mais uma pessoa no mundo. 

Nenhum de nós é, na verdade. Afinal, cada um tem a sua história e o seu valor, e isso ninguém pode nos tirar. Mas se é que me permitem um desabafo, sinto que algumas pessoas insistem em passar pela vida apenas existindo. É a tal da existência morna, que chega a me dar arrepios.

Eu sempre quis experimentar o máximo do fato de eu estar viva, em tudo o que me proponho a fazer e também em tudo o que a vida traz até mim para que seja enfrentado. E sigo aqui tentando. Têm dias que a gente se sente exatamente do jeito como parece ser: apenas mais um em meio a bilhões. E apesar da estatística estar correta, o nosso caminhar pela vida não precisa ser dessa maneira. 

O problema começa quando a gente passa a acreditar que precisa de coisas tidas como grandiosas para impactar a vida das pessoas com quem cruzamos ao longo do caminho, como ocupar um cargo de liderança, ter determinada quantia de dinheiro na conta ou de seguidores em uma rede social ou ser dono de alguma coisa. E então, a gente fica esperando esse momento chegar. 

Mas grandioso mesmo é descobrir, aos pouquinhos, como é possível impactar a vida das pessoas através dos detalhes e do que já temos conosco. Eu tenho me desafiado cada dia mais a entender como fazer isso dos lugares em que eu já ocupo ao invés de esperar chegar a algum outro que pareça ser mais “importante”, com mais credenciais ou visibilidade. 

Na minha casa. Na empresa em que eu trabalho. Nos almoços em família. Nos clientes que eu atendo como redatora freelancer. Na roda de amigos. Nos poucos leitores que sei que estão aqui comigo.

Acho que estar vivo já é muito importante e o suficiente para viver a nossa vida com intenção e, como consequência, poder dar aos outros, de maneira genuína e espontânea, aquilo que já temos e que já é nosso – e que, acreditem, tem muito mais poder do que a gente imagina! É assim que vamos mudando o mundo aos pouquinhos, começando pelo nosso e com atitudes que, mesmo que não notemos, ecoam por aí.

Espero ainda poder tocar muitos corações nos lugares que eu já ocupo. 

Júlia Groppo

Por julia às 06.04.22 Comentários
Uma vida toda para me (re)descobrir

Vai levar uma vida toda para eu me conhecer. E, ainda assim, acho que nunca conseguirei por completo. 

Mas sigo aqui, tentando entender cada pedacinho que me forma. Têm coisas que eu não escolhi para mim, mas que, inevitavelmente, fazem parte de quem sou de uma maneira muito profunda. Têm outras que eu gentilmente vou colecionando pelo caminho e torno parte de quem eu quero ser dali em diante. Aos pouquinhos, vou me formando. Às vezes, reformando. Nunca para caber em um lugar ou obedecer alguma regra, padrão ou imposição. Mas sempre para tornar o lado de dentro cada vez mais confortável. Aconchegante. Acolhedor.

Quando você acha que está próximo de ter o mapa completo de quem você é, vem uma situação nova na sua vida que te apresenta a uma nova faceta de si. E então, de primeira, você se assusta, mas também entende que aí dentro moram muitas coisas. Nem somente boas, nem somente ruins, mas inteiramente suas. 

O autoconhecimento salva. Guia. Diverte. Bate também, mas aposto todas as minhas fichas nele. Invisto tempo, dinheiro e fé nessa ferramenta de grandes descobertas de si. Sempre valerá a pena (re)descobrir quem é essa com quem esbarro toda vez que olho para um espelho. 

Júlia Groppo

Por julia às 23.03.22 Comentários
Sobre filtros e histórias

Dia desses, assistindo a um episódio de um podcast cuja convidada era a Graziela Gonçalvez – popularmente conhecida como ”Grazon” e ex-esposa do cantor Chorão -, ouvi algo que me colocou a pensar por longos minutos. Para quem não sabe, em 2018, a Grazi publicou a obra ”Se não eu, quem vai fazer você feliz?”, um livro onde ela conta a sua história de amor com o artista. Ao ser questionada sobre as maiores dificuldades que enfrentou para escrever a obra, Grazi disse que, ao expor a sua história ali, em sua versão, sabia que ela passaria pelo filtro de cada uma das pessoas que a lesse, o que faria com que elas a interpretessam e, posteriormente, contassem a partir desse filtro, da maneira que quisessem.

Sou fã da Grazi e de como ela conduziu todo esse processo da escrita e, mais ainda, do lançamento desse livro. Já o li três vezes e recomendo fortemente para os amantes de grandes histórias de amor e para os fãs da banda Charlie Brown Jr. Como ela mesma relata no podcast, foi preciso muito cuidado para contar uma história que ela viveu com alguém que não está mais aqui para se defender e ter a chance de dar a sua versão dos fatos. Afinal, já ouviu falar que toda história tem três lados: o de uma pessoa, o da outra e a verdade? Pois é.

Mas voltando à reflexão que me trouxe até este texto, fiquei pensando sobre esse tal filtro que ela comentou, que cada um de nós tem e que nos faz enxergar a vida de maneiras muito diferentes. Esse filtro, acredito eu, envolve muitas questões: nosso julgamento, os valores sob os quais escolhemos viver, a criação que recebemos da nossa família, a maneira como enxergamos o mundo, o que discernimos como certo e errado, entre tantas outras variáveis. E isso é muito particular e intransferível. É por isso que, quando decidimos dividir a nossa história com alguém, precisamos estar preparados para a maneira como essa pessoa pode interpretar tudo aquilo. É daí, acredito eu, que nascem os conflitos. Somos diferentes uns dos outros, com princípios, bagagens e vivências muitas vezes antagônicos.

Então, essas pessoas vão ter a sua própria leitura de quem nós somos e do que vivemos, absorvendo aquilo da maneira que puderem e quiserem, considerando todas as suas intenções e limitações. Nunca, jamais, alguém saberá 100% do que você está contando que viveu, pois só você viveu completamente e verdadeiramente aquilo. Só você estava lá para saber cada detalhe e para entender porquê as coisas aconteceram da maneira que aconteceram, tudo isso sob um olhar muito único para a vida: o seu olhar.

É por isso que, cada vez mais, tenho me dedicado a me libertar da opinião alheia. Não faz sentido nos colocarmos à mercê desses filtros, pois a nossa história merece ser respeitada primeiramente por nós mesmos e, sinceramente, os outros só saberiam exatamente o que nós vivemos se estivessem em nosso lugar.

Espero que tenha feito sentido para você que está lendo da mesma maneira que fez para mim.

Júlia Groppo

Por julia às 11.01.22 Comentários
Cuide do seu dia a dia

Às vezes, na ânsia de querermos conquistar algo, passamos a atropelar muitas coisas valiosas da nossa rotina em uma busca incessante que nos deixa cegos em vários sentidos. Numa dessas, essas coisas acabam perdendo o valor, pois sequer as enxergamos, ouvimos ou sentimos. Sequer nos damos conta dessas pequenas alegrias que fazem parte da “vida de todo dia”, algo que minha mãe sempre me disse, desde bem nova, e que tem feito cada vez mais sentido para mim ao longo dos anos.

A gente fica tão focado em alcançar as tais metas (sejam as de Ano Novo, as do trabalho ou os grandes sonhos de vida) que nos esquecemos que a vida é feita de dias, um após o outro. E que cada um deles que nos é dado possui diversos momentos que são um verdadeiro presente – em sua maioria, ordinários; o que não quer dizer que não possam ser proveitosos.

Esses presentes são sutis e é preciso um olhar atento e carinhoso sobre a vida de todo dia. É sobre o café da manhã sem pressa junto daqueles com quem você divide o lar. Sobre o beijo na testa que alguém te dá antes de sair de casa para trabalhar. Sobre perceber o que o seu coração tem a te dizer. Sobre perguntar (e verdadeiramente querer saber) como foi o dia de alguém. Sobre conseguir enxergar se as pessoas ao seu redor estão precisando de ajuda. Sobre saber como está o tempo lá fora, pois você se lembrou de olhar pelas janelas (do home office ou do escritório). Sobre o cheiro de café recém-passado que viaja da cozinha até os demais cômodos da casa. Sobre fazer uma coisa de cada vez. Sobre os movimentos que o seu pet faz pela casa. Sobre as suas mudanças de humor ao longo das horas.

É sobre perceber a vida e perceber-se nela.

Para isso, é preciso um cuidado diário, tal qual com uma planta, que precisa de água, adubo e várias outras coisas para que possa, aos poucos, mostrar a sua beleza. Assim é com a nossa vida: se não tivermos uma dedicação diária para que esses pequenos valiosos momentos sejam percebidos, jamais provaremos de seu delicioso sabor.

Tudo bem ter grandes objetivos, pois eles nos movem entre os altos e baixos da rotina e, nossa, como é deliciosa a sensação de conquista-los. Mas não se esqueça de cuidar do seu dia a dia, de cada pequena tarefa, pessoa, prazer e sensação, pois a vida é muito mais feita dele. Ela é muito mais sobre isso que qualquer outra coisa. É a tal da “vida de todo dia” que a minha mãe sempre me disse e da qual não quero nunca me esquecer.

Júlia Groppo

Por julia às 06.01.22 Comentários
Me despedindo de 2021

Não é possível dizer ”até logo” para um ano. Para muitas coisas na vida, sim. Pessoas, lugares, fases, hábitos, sonhos. Se assim quisermos, é sempre tempo de reescrever novas histórias com essas companhias. Mas, segundo o que dizem os calendários, um ano só tem a chance de existir uma vez. E depois de tudo o que nos cabe viver entre 365 dias, é chegada a hora de dizer adeus, pois só é possível dar boas vindas ao próximo se este de agora puder ir embora. E mesmo que você não queira, sinto em lhe informar, ele irá. Ao menos é o que nos juram que acontece na madrugada entre o dia 31 de dezembro e 1 de janeiro. E é bem aqui que chego com uma pergunta para te importunar: olhando agora para trás, despedir-se de 2021 te dá alívio, tristeza ou gratidão?

Já adianto que não existe resposta certa, afinal, para uma pergunta como essa, podem haver inúmeras. Tão desafiador quanto 2020 (para algumas pessoas com quem converso, até mais), 2021 continuou nos tirando do eixo e nos colocando à prova em diversos sentidos. Pudera: ainda vivemos uma pandemia que deixa rastros diversos por onde passa, sejam físicos, mentais, psíquicos, econômicos, entre tantos outros que ainda nem têm nome. Mas isso, acredito eu, todos já estão cansados de saber. E é justamente por todo esse cansaço que é praticamente impossível definir um ano como 2021 em poucas palavras. Acho que ele carrega tantos significados que prefiro não colocá-lo em caixinhas como ”bom” ou ”ruim”.

A verdade é que eu não gosto de fazer isso com nenhum dos anos que vivo. Para mim, é inconcebível resumirmos o tanto de vida que cabe em todos esses meses e dias que nos são dados como uma coisa só. A vida é vasta. 2021, para mim, foi tudo o que eu não soube imaginar quando chegava próxima ao fim de 2020. Lembro de estar exausta e confusa. De, apesar de ter esperanças, segurar as rédeas do meu coração ansioso e da minha alma sonhadora para evitar grandes frustrações.

Mas a vida, tão sábia, dançou em novos ritmos que me tiraram do lugar. Que me convidaram, mais uma vez, a viver. E eu, como uma boa ariana, fui. Ora dançando no ritmo da minha teimosia, ora aprendendo a dançar no ritmo que a vida decidiu tocar para mim. E foram tantos. Ritmos tão ecléticos quanto os que formam as minhas dezenas de playlists do Spotify.

Sempre digo que quero viver o máximo de vidas que eu puder dentro dessa que me foi dada há 25 anos. Por isso, agradeço quando, por conta própria, o universo me faz viajar por diferentes espaços, dentro e fora de mim, como se eu tivesse feito uma longa viagem. Daquelas que a gente volta com a mala ainda maior que a que saiu de casa, já que acumulamos muita roupa suja, registros, histórias e aventuras. 2021 foi exatamente assim. É como se diversos anos coubessem em um só.

É mais fácil sentir que explicar, mas eu finalmente entendi que a imprevisibilidade da vida é o que nos faz tremer de medo dela e, ao mesmo tempo, querer abraçá-la de peito aberto. É o que mantém tudo mágico mesmo que em cenários catastróficos.

Esse foi um ano que me mostrou, da maneira mais transparente e bonita, que a vida acontece – e que ela pode ser incrível – mesmo quando não temos todas as respostas que gostaríamos. Quero sempre me lembrar disso para todos os próximos novos anos que vierem. Aperto o ”publicar” deste texto que fala sobre esse ano, que já é passado, em 2022 – e isso sem cobrança nenhuma. Outro grande aprendizado que tive em 2021 é que o tempo real da vida (o do universo, da natureza, dos sentimentos) em nada tem a ver com o tempo que corre entre o relógio. Virar a folha de um calendário não resolve tudo o que gostaríamos. Despedidas levam tempo.

E tudo bem, pois a chegada de um novo ano nos dá a esperança necessária para ir em busca de tudo isso, o que já é o suficiente. Obrigada, 2021.

Júlia Groppo

Por julia às 03.01.22 Comentários
Que bom que algumas coisas nunca mudam

Você já ouviu aquela frase que diz que o tempo passa, mas que certas coisas nunca mudam? Eu já, várias vezes. E em todas elas, ela sempre fez muito sentido para mim. Como uma boa ariana, adoro mudanças. Sou movida por elas, na verdade. Me tirar das minhas diferentes zonas de conforto é como um hobbie para mim. São essas mudanças que me conduzem entre o passar dos dias e me alimentam para seguir em frente acreditando que eu posso, do meu jeito, mudar esse mundo de alguma forma. Mas devo confessar: o fato de acreditar que realmente têm certas coisas que nunca mudam é um verdadeiro alívio para a minha alma.

Isso porque há certas coisas na vida que eu jamais quero que mudem, pois, para mim, elas já são incríveis da maneira que as conheci e que continuam sendo até hoje. O meu amor pelas coisas simples, amizades que sobreviveram ao tempo como se ele nunca tivesse passado, a minha essência, meu olhar irritantemente otimista para a vida, minhas principais referências, paixões da infância, minha playlist preferida, entre tantas outras que eu prefiro guardar para mim. Vem ano, vai ano, e elas continuam ali.

A gente vive lendo por aí que a vida – e principalmente nós mesmos – podemos ser sempre melhores. Que sempre existirão versões mais evoluídas a serem encontradas. Até acredito, mas arrisco dizer que têm coisas que simplesmente são incríveis desde o comecinho delas, do jeito que são, sem tirar nem por. Do tipo que ”se mudar, estraga”.

Saber que essas coisas nunca mudam – pelo menos não até o momento presente – e me dar a chance de acreditar que nunca vão mudar é como uma verdadeira bênção diária para mim. Daquelas que provocam um grande alívio e deixam o coração quentinho e seguro, como se estivesse sendo abraçado por alguém que o diz: ”Calma, a vida (e principalmente o mundo) pode ser bem doida, mas estes serão portos seguros para sempre”.

É como se não importasse o quanto o mundo, a vida, as pessoas, os padrões, as leis, o mercado, as tendências possam mudar lá fora, algumas coisas simplesmente não vão mudar junto a tudo isso, pois são incríveis da maneira que são. Tempestades virão, mas essa pequena coleção de coisas que graças a Deus nunca mudam sobreviverão a elas, pois possuem fortes raízes.

Então, que bom que certas coisas nunca mudam, não importa quanto tempo passe entre os relógios. E eu espero que elas continuem exatamente assim.

Você já teve essa sensação?

Júlia Groppo

Por julia às 24.12.21 Comentários

Sair da zona de conforto não precisa ser tão desconfortável...
Sobre emoções não tão legais de serem sentidas
Deixe a vida te tornar um ”sortudo”
Nossa natureza é a imperfeição