O tempo de cada um

ampulheta

A gente passa uma vida tentando entender porque a grama do vizinho é sempre mais verde. E a gente se questiona, questiona o Universo, Deus, a mãe, o pai e até o cachorro. A gente rola na cama de madrugada, perde tempo, lágrimas e, em alguns casos, de tão grave que a situação fica, a gente perde até a balada do sábado e o cinema do domingo. A gente perde a vontade de viver.

Estou mentindo?

Nos deixamos abater por achar que a nossa vez nunca vai chegar. Por pensar que os outros são sempre melhores e estão um passo a frente o tempo todo. A gente perde o fôlego tentando alcançá-los numa corrida inútil na qual você transforma as pessoas ao seu redor em concorrentes. Pra dali um tempo – se Deus quiser -, depois de gastar muita saliva, tempo e paciência, entender que cada um é um ser único e, exatamente por isso, não existe ninguém melhor, nem pior: existe o que está destinado para cada um. E o melhor: no tempo de cada um.

Você pode ter 30 anos e não estar casado ainda, tão quanto ter encontrado alguém que desperte essa vontade em você. Ao mesmo tempo em que há casais que começam a namorar aos 15 anos e permanecem juntos a vida toda. E está tudo bem. Você pode ter 20 anos e já ter encontrado o emprego dos seus sonhos, enquanto alguém de 45 está deixando a empresa onde trabalhou a vida toda para, só agora, criar o seu próprio negócio. E, mais uma vez, está tudo bem. Para ambos. Você pode estar às vésperas de um vestibular sem ainda ter certeza se quer moda ou medicina, enquanto aquele alguém da sua sala tem certeza de que quer fazer química desde os 11 anos. Adivinha? Está tudo bem. Aquele seu amigo saiu da faculdade já efetivado no estágio, já você nunca estagiou e ainda não sabe se a faculdade na qual vai se formar é a profissão que, de fato, quer exercer. Mais uma vez, está tudo bem. Nenhuma dessas pessoas sai perdendo. Acredite. Eu juro. Cada um está vivendo o que exatamente tem para viver neste mundo. Porque nós, humanos, temos lições diferentes para receber nessa vida.

Tenho um conhecido que compete até com a própria sombra. A necessidade de autoafirmar-se na frente dos outros chega a incomodar os que estão ao redor. Mas o mais triste é que não faz tão mal a mais ninguém que a ele próprio. Não tenha pressa, meu caro. Não queira ser o primeiro a alcançar a linha de chegada. Deixa eu te contar um segredo? Ela sequer existe. A verdade é que somos nós – cada um de nós – e o tempo que nos foi dado. E o relógio gira de forma diferente para cada mortal.

Enquanto você vive uma batalha, o colega ao lado vive outra completamente diferente. E ele vai passar pelo que você está passando um dia. Ou quem sabe, já passou. Ou melhor ainda, jamais passará, pois para ele isso não está destinado. Por alguma razão – esta que, me desculpem, não nos cabe – não está. As lições que ele precisa aprender ao longo de sua vida são algumas. E as suas, outras.

Todos temos sonhos, objetivos, medos e motivos que nos fazem continuar, certo? Então que cada um cuide e corra atrás dos seus. Que cada um deposite todas as suas forças em suas vontades. E se for para olhar para o lado, que seja para admirar e se inspirar naqueles que estão ao redor. Mas por favor, não perca o seu valioso tempo dando uma volta por aí para se comparar – ou pior – competir. Agarre o seu relógio e seja feliz. O que ele te trouxer, independente de quando, é exatamente o que você precisa receber – e no momento em que precisa receber – para, de certa forma, tornar-se uma pessoa melhor que aquela que você foi ontem.

Evoluir. Subir um degrau. Amadurecer. Ficar mais forte.

Percebe?

No fim das contas, é entre você e você mesmo. Entre quem você vai escolher ser após cada segundo em que os seus ponteiros avançarem no relógio. Após tudo o que a vida te trouxe ao passar do seu tempo. O TEMPO QUE FOI CALCULADO PARA VOCÊ. E que, acredite, foi pensado para você. De certa maneira, encaixa-se perfeitamente em você. Eu juro.

Que horas são aí dentro?

Júlia Groppo

Por julia às 20.03.17 14 comentários

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