Não sei para onde vou, mas estou indo

Ta tudo bem não saber exatamente para onde você está indo neste momento da vida. Quem foi que te disse que precisamos de certezas para continuar seguindo em frente? Nós só precisamos de vontade mesmo. Se querem saber, tem muita poesia em caminhar por aí sem mapas, bússolas ou GPS, apostando todas as suas fichas na sua intuição; na bússola da essência, sabe?

Já vivi um ano todo guiado por apenas um sonho (alô, 2016 <3). Lembro do tanto de energia e força que depositava nas minhas ações diárias, de tão focada que estava, e o quanto isso me fez atingir resultados ainda melhores que os esperados. Porém, momentos em que não sabemos exatamente para onde estamos indo também têm seu valor. É como se você estivesse vivendo cada dia, de fato, em sua finitude, sabendo que, não importa o que te espera lá na frente, esse dia aqui jamais vai voltar, e é necessário vivê-lo da maneira mais entregue possível.

Se me permitem, aqui vai o meu palpite: estar perdido é uma oportunidade que a vida te dá de se encontrar dentro de si mesmo. Se os caminhos lá fora parecem confusos demais – porque, muitas vezes, o mundo vai te parecer meio sombrio -, saiba que este é o momento de procurar as respostas do lado de dentro. Conhecer a si mesmo.

Há uma frase do filme Alice no País das Maravilhas que gosto muito. Alice está perdida e, ao encontrar o gato, pergunta onde aquele caminho vai dar; ele questiona para onde ela pretende ir. Ela, no entanto, diz que não sabe, pois está perdida. Então, ele afirma: “para quem não sabe para onde vai, qualquer caminho serve”.

Um tanto assustador, certo? Mas, quando parei para analisar essa frase alguns dias atrás, descobri que ela pode ter um sentido bem mais divertido, se assim você quiser: para quem não sabe para onde vai e então não está focado em apenas um caminho só – e, muitas vezes, determina que só vai alcançar a felicidade quando “chegar lá” -, os caminhos que vão sendo traçados podem se transformar em lugares incríveis, e ganhar o seu devido valor.

Quanto te perguntarem para onde você está indo, não tenha medo de dizer que está descobrindo. Dê a si mesmo o tempo necessário para se (re)encontrar. Como eu já disse por aí, nossas certezas são um lugar muito confortável de se estar, mas permanecer por ali por muito tempo é bastante perigoso, afinal, a vida pede por mudanças e movimento. E são nas adversidades que encontramos as maiores lições.

Recalcule a rota, se assim for preciso. Afinal, we’re all mad here.

Júlia Groppo

Por julia às 30.10.18 1.007 comentários

Comments are closed.

Portas abertas
Vidas editadas
Sobre lugares que nos (re)conectam com nós mesmos
25