A tal da missão de vida

Dia desses, assisti ao filme Soul com o meu namorado. Sim, esse que muitas pessoas têm falado por aí ultimamente; e não é para menos: Soul tem uma (aliás, várias!) mensagem muito importante: sobre como a tal ”missão de vida” que passamos muito tempo tentando descobrir é, na verdade, o que estamos fazendo com a nossa vida todos os dias.

Com 24 anos, posso dizer que não me sinto nem perto de saber que missão é essa que eu deveria cumprir nesta Terra. Também chamada por aí de ”propósito”, ela nos faz acreditar que viemos cumprir algo específico neste plano e que, enquanto não o descobrirmos, estaremos perambulando por aí sem rumo ou sentido, o que não é nem um pouco verdade.

Tenho entendido cada vez mais que, ao longo das nossas fases, essa tal missão tende a mudar, afinal, não somos os mesmos para sempre. E a maior delas, acredito eu, é se sentir bem e em paz com o que temos feito dia após dia, não só para o mundo, mas também para nós mesmos. Isso não quer dizer que tenhamos que conquistar coisas que são consideradas grandes feitos, mas sim nos sentirmos em harmonia com nossos desejos e, principalmente, com aquilo de onde eles vieram: a nossa essência.

Acredito também que é sobre como temos sido verdadeiros instrumentos na vida das pessoas que estão ao nosso redor, e engana-se quem pensa que precisamos ter habilidades extraordinárias para isso. Basta que nos esforcemos para estarmos com o coração aberto e acolher todos aqueles que cruzam o nosso caminho, prontos para ouvir, aprender ou ensinar o que pudermos.

A verdade, querido leitor, é que eu e você já estamos vivendo a nossa missão de vida. Todos os dias, quando levantamos da cama, estamos sendo guiados por ela, que não é uma resposta pronta, tipo uma receita de bolo, mas sim algo fluido, leve, genuíno e que também muda com o tempo. Sempre se renova.

Como a cantora de jazz diz para o personagem principal, Joe, em uma das cenas mais importantes do filme: ”Tem uma história sobre um peixe. Esse peixe foi até um ancião e disse: ‘Tô procurando um negócio. Um tal oceano’. ‘O oceano?’, o ancião falou. ‘Você está no oceano’. ‘Isso?’, disse o peixinho. ‘Isso aqui é água. O que eu quero é o oceano.'”.

Lembre-se: você já está no oceano. A sua vida já está acontecendo. Todos os dias.

Júlia Groppo

Por julia às 08.04.21 Comentários

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