Celebrando minha existência

Hoje faço 25 anos. Parece mentira que um quarto de vida já se passou. Longe de mim querer limitar meus anos nesta Terra aos 100. Se assim for a vontade do universo, que venham muitos mais que isso. Mas hoje quero falar sobre uma coisa que vai muito além de números e da forma como aprendemos a contabilizar os anos. Até porque idade em nada tem a ver com o quanto se vive. Quero falar sobre como esse tempo já vivido até aqui me trouxe um ensinamento valioso: o de aprender a celebrar a minha própria existência, nem que seja sozinha.

Desde pequena sempre amei o dia do meu aniversário. O 20 de abril era uma festa do início ao fim. Isso porque, desde a infância, tive festas incríveis, todas decoradas, cheias de pessoas queridas e os meus pais – os responsáveis por me trazer a este mundo – sempre fizeram questão de comemorar a data ao meu lado. Não importava a maneira, mas sim celebrar o dia em que cheguei e, como eles mesmo dizem até hoje, tornei a vida deles mais completa e feliz. Mas os anos passam e, como tudo na vida, as coisas se transformam.

Mesmo tendo crescido amando esse dia e o seu significado e vivendo-o com muito entusiasmo e alegria, após uma certa idade – há alguns anos atrás, para ser mais precisa -, passei a ter medo do meu aniversário. Parece que, ao conquistarmos uma certa idade, a data já não é mais tão especial para algumas pessoas a nossa volta. Há até aquelas que não ligam nem para o próprio aniversário, que dirá para o meu. Mas para mim continuou sendo, até que vieram alguns choques em meio a tudo isso: menos felicitações, alguns esquecimentos e algumas declinações aos meus convites de celebrações.

A partir daí, por alguns anos, ver a data se aproximando no calendário começou a me causar algumas angústias. A maior vontade era de correr daquele dia e de possíveis frustrações que ele poderia me causar. Mas a minha mãe (a pessoa que ama e celebra o meu anversário tanto quanto eu!) e o meu valioso processo de autoconhecimento me ajudaram a entender uma coisa muito importante sobre esse dia: ele deve ser especial, antes de tudo, para mim.

Ele representa a minha chegada a este mundo e toda a minha história que venho escrevendo até aqui, com seus altos e baixos que só eu mesma sei em detalhes. Com todos os tropeços, recomeços, decisões e conquistas. Foi então que decidi: continuarei celebrando todos os meus aniversários, sempre, da minha maneira, nem que seja acompanhada apenas de uma champanhe. E se alguém quiser vir comigo, será muito bem-vindo; mas já não será peça-chave para que eu consiga sentir o valor desse dia tão importante.

Meu maior presente, hoje, após 25 anos de vida e celebrando o segundo aniversário em meio a uma pandemia maluca que parece só piorar com o tempo é, sem dúvidas, estar com saúde para soprar novas velinhas, consciente da minha história, orgulhosa da minha trajetória e com vontade de continuar escrevendo esse enredo de mãos dadas à minha essência. Hoje, já não me importa quem vai escolher celebrar comigo ou estar presente de alguma forma. Contanto que eu nunca me esqueça de tudo o que já vivi até aqui e de como quero viver daqui pra frente, sei que o dia 20 de abril continuará sendo uma data do calendário a ser celebrada.

Eu estarei lá por mim apagando as velas e fazendo pedidos. E sei que a vida estará me esperando a cada nova volta ao sol para que eu possa abraçar a jornada que é toda minha, mas que acontece aos poucos e que a cada novo ano se renova.

Que assim seja.

Júlia Groppo

Por julia às 20.04.21 Comentários

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