Portas abertas

”As melhores fases da vida são aquelas em que todas as portas estão abertas”, disse Ruth Manus – advogada e escritora da qual sou grande fã -, ao responder uma pergunta de uma seguidora no Instagram. A pessoa dizia ter 19 anos e muitas dúvidas sobre o que fazer da vida. Ruth, além de disparar essa frase que corri anotar em um caderno para nunca mais esquecer, disse já ter 32 e ainda não saber.

Custo a entender essa pressa toda que temos de encontrar o que nos faz brilhar os olhos, mas a verdade é que, muitas vezes, me pego em meio a ela. É uma incessante busca que nos deixa exaustos e nos tira atenção do que realmente importa: todas as possibilidades que o nosso agora, incluindo todas as suas dúvidas, nos oferece. Afinal, ele realmente é tudo o que nós temos. É por isso que, frequentemente, pergunto a mim mesma: ”Essa pressa toda aí é para quê mesmo, Júlia?”; e a verdade é que a resposta nunca vem, porque ela não existe.

É a pressa de dar certo. Pressa de descobrir respostas para muitas das minhas perguntas. Pressa de resolver as coisas. Pressa para chegar a algum lugar que nem sabemos, de fato, qual é. E então, quando mais uma vez me pego nessa correria (interna ou externa) que em nada vai me acrescentar, respiro fundo, ajeito o passo e sigo – com mais calma, presença e intenção. 

Tenho acreditado cada dia mais na ideia de que a vida é uma bela mistura de coisas que fazemos acontecer com aquelas que simplesmente acontecem conosco. E isso só é possível quando estamos abertos o suficiente para que ela possa nos surpreender entre os seus famosos altos e baixos. Quando não nos permitimos ficar congelados entre milhares planejamentos, metas e infinitas e exaustivas buscas por respostas. É mais sobre querer continuar que precisar ”chegar lá”. Esse ”lá” muitas vezes nem tem nome.

Por mais que pareça, saber exatamente o que queremos na vida pode nos enrijecer e nos deixar fechados para novas possibilidades. As dúvidas, por mais assustadoras que possam parecem, têm o seu valor. Então, aproveite as que têm te rodeado, escolha uma porta e vá em busca do novo. E se não der certo, existem muitas outras para você abrir e tantas mais já abertas para você. Só falta conseguir enxergar em meio a tanta pressa.

Júlia Groppo

Por julia às 14.06.21 Comentários

Deixe seu comentário

Sobre o dia em que aprendi a amar as minhas dúvidas
A lista do foda-se
Bondade
15 minutos de cada vez