Por favor, reassista os seus filmes preferidos

Há quem diga que reassistir filmes é uma grande perda de tempo, afinal, o que não falta hoje são filmes novos (ou vários outros tipos de conteúdo, como séries, realities, podcasts etc) para consumirmos. Os milhares de serviços de streaming estão aí para provar. Já para mim, além de ser uma prática que cultivo para me conectar às minhas versões mais novas, reassitir os meus filmes preferidos funciona como uma chance de poder ver aquela trama com um novo olhar, já que não somos os mesmos a vida toda. Então, eu acredito muito que um mesmo filme pode ser visto por nós sob as diferentes perspectivas que acompanham as nossas fases.

Dia desses, senti vontade de rever ”Sexta-feira muito louca”, um dos que mais amo. Leve e engraçada, a trama conta a história de uma mãe e uma filha que não andam tendo uma relação muito saudável (elas são muito diferentes uma da outra) e que, em um belo dia, acabam trocando de corpos. E então, elas têm o desafio de viver na pele uma da outra por alguns dias. Sempre que assisto a esse filme, me divirto pra caramba e esqueço o mundo lá fora. Mas dessa última vez fui tomada pela reflexão que me trouxe até este texto.

Imagina se pudéssemos passar um dia todo no corpo de outra pessoa, podendo sentir todas as dores e as delícias que é ser ela? Acredito que seria um baita desafio, mas que também só assim saberíamos, de fato, todos os motivos para um ser humano ser da maneira que ele é. Quem dera tivéssemos essa chance para, quem sabe, viver mais em harmonia e respeitando as limitações uns dos outros. Afinal, ninguém escapa ileso dos tombos da vida e as pessoas são o que são por um (ou vários) motivo.

No filme, a mãe entende que o problema da filha é não estar sendo ouvida e, portanto, se sentir incompreendida. Anna (nome da personagem) está vivendo a fase da adolescência e tudo o que ela quer é que a mãe preste um pouco mais de atenção no seu desejo de ter uma banda famosa e nos problemas que está enfrentando na escola. Já a filha descobre o quanto a mãe, Tess, ama de verdade o novo namorado e o quanto ele foi essencial para ajudá-la a seguir em frente após a perda de seu marido (pai da Anna).

Foi aí que comecei a me imaginar trocando de corpo com algumas pessoas que são uma verdadeira incógnita para mim, por diferentes razões. Só estando na pele do outro para entendermos como é ser aquela pessoa e o que a fez chegar até este momento da maneira que se apresenta ao mundo. De fora, as coisas são muito superficiais (ainda mais quando falamos da vida nas redes sociais) e parecem bem mais fáceis. Tente se imaginar no lugar dos seus pais, da sua melhor amiga, do seu companheiro, daquele colega de trabalho ou até do seu pior inimigo. Nós não sabemos o que se passa por trás da carcaça do outro, que é a única coisa que realmente vemos com os nossos próprios olhos.

Mas já que (ainda) não é possível trocar de corpos com outras pessoas por aí, rs, que tal tentarmos nos colocar ao menos um pouco no lugar do outro? Você pode fazer isso ouvindo o que ele tem a dizer, prestando mais atenção na maneira como ele se comporta ou mesmo se dedicando a entender a sua história. Garanto que, aos poucos, algumas incógnitas podem se transformar em respostas.

E, claro, deixo aqui mais um conselho: reassista os seus filmes preferidos. Eles podem ter novas mensagens para te passar.

Júlia Groppo

Por julia às 18.08.21 Comentários

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