Me despedindo de 2021

Não é possível dizer ”até logo” para um ano. Para muitas coisas na vida, sim. Pessoas, lugares, fases, hábitos, sonhos. Se assim quisermos, é sempre tempo de reescrever novas histórias com essas companhias. Mas, segundo o que dizem os calendários, um ano só tem a chance de existir uma vez. E depois de tudo o que nos cabe viver entre 365 dias, é chegada a hora de dizer adeus, pois só é possível dar boas vindas ao próximo se este de agora puder ir embora. E mesmo que você não queira, sinto em lhe informar, ele irá. Ao menos é o que nos juram que acontece na madrugada entre o dia 31 de dezembro e 1 de janeiro. E é bem aqui que chego com uma pergunta para te importunar: olhando agora para trás, despedir-se de 2021 te dá alívio, tristeza ou gratidão?

Já adianto que não existe resposta certa, afinal, para uma pergunta como essa, podem haver inúmeras. Tão desafiador quanto 2020 (para algumas pessoas com quem converso, até mais), 2021 continuou nos tirando do eixo e nos colocando à prova em diversos sentidos. Pudera: ainda vivemos uma pandemia que deixa rastros diversos por onde passa, sejam físicos, mentais, psíquicos, econômicos, entre tantos outros que ainda nem têm nome. Mas isso, acredito eu, todos já estão cansados de saber. E é justamente por todo esse cansaço que é praticamente impossível definir um ano como 2021 em poucas palavras. Acho que ele carrega tantos significados que prefiro não colocá-lo em caixinhas como ”bom” ou ”ruim”.

A verdade é que eu não gosto de fazer isso com nenhum dos anos que vivo. Para mim, é inconcebível resumirmos o tanto de vida que cabe em todos esses meses e dias que nos são dados como uma coisa só. A vida é vasta. 2021, para mim, foi tudo o que eu não soube imaginar quando chegava próxima ao fim de 2020. Lembro de estar exausta e confusa. De, apesar de ter esperanças, segurar as rédeas do meu coração ansioso e da minha alma sonhadora para evitar grandes frustrações.

Mas a vida, tão sábia, dançou em novos ritmos que me tiraram do lugar. Que me convidaram, mais uma vez, a viver. E eu, como uma boa ariana, fui. Ora dançando no ritmo da minha teimosia, ora aprendendo a dançar no ritmo que a vida decidiu tocar para mim. E foram tantos. Ritmos tão ecléticos quanto os que formam as minhas dezenas de playlists do Spotify.

Sempre digo que quero viver o máximo de vidas que eu puder dentro dessa que me foi dada há 25 anos. Por isso, agradeço quando, por conta própria, o universo me faz viajar por diferentes espaços, dentro e fora de mim, como se eu tivesse feito uma longa viagem. Daquelas que a gente volta com a mala ainda maior que a que saiu de casa, já que acumulamos muita roupa suja, registros, histórias e aventuras. 2021 foi exatamente assim. É como se diversos anos coubessem em um só.

É mais fácil sentir que explicar, mas eu finalmente entendi que a imprevisibilidade da vida é o que nos faz tremer de medo dela e, ao mesmo tempo, querer abraçá-la de peito aberto. É o que mantém tudo mágico mesmo que em cenários catastróficos.

Esse foi um ano que me mostrou, da maneira mais transparente e bonita, que a vida acontece – e que ela pode ser incrível – mesmo quando não temos todas as respostas que gostaríamos. Quero sempre me lembrar disso para todos os próximos novos anos que vierem. Aperto o ”publicar” deste texto que fala sobre esse ano, que já é passado, em 2022 – e isso sem cobrança nenhuma. Outro grande aprendizado que tive em 2021 é que o tempo real da vida (o do universo, da natureza, dos sentimentos) em nada tem a ver com o tempo que corre entre o relógio. Virar a folha de um calendário não resolve tudo o que gostaríamos. Despedidas levam tempo.

E tudo bem, pois a chegada de um novo ano nos dá a esperança necessária para ir em busca de tudo isso, o que já é o suficiente. Obrigada, 2021.

Júlia Groppo

Por julia às 03.01.22 Comentários

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