Nossa natureza é a imperfeição

Em uma caminhada para aliviar uma companheira indesejada chamada ansiedade, comecei a reparar no céu. Atrás de mim, uma possível chuva se aproximava e fazia com que ele estivesse bastante cinza. À minha frente, ele ainda estava bem azul, com várias nuvens que pareciam verdadeiros algodões, da mesma maneira que o vi quando acordei naquele dia. Já ao meu lado direito, ele estava incrivelmente bonito em uma mistura perfeita entre amarelo, rosa e laranja, anunciando, como de costume, que o sol estava se pondo e que aquele dia se encaminhava para o seu fim. 

Logo me pus a pensar: se o próprio céu pode ser vários em um só, por que eu deveria espremer a minha existência? Se ele consegue, de uma só vez, ter tantas formas e cores, por que eu deveria me preocupar em ser 100% do tempo decente, perfeita e coerente? 

Esta reflexão, sem dúvidas, ganhou um espaço no meu coração e, sobretudo, na minha mente. Seguirei questionando o fato de querermos ser perfeitos e nomearmos toda e qualquer coisa sobre nós mesmos, quando, na verdade, se nem a natureza pode ser minuciosamente definida e compreendida, por que eu o deveria fazer? Afinal, nós somos parte dela.

Decidi registrar o meu lado preferido daquele céu contraditório, mas sei que cada pedacinho dele naquele momento tinha a sua própria beleza e importância. Assim também é com a gente: mesmo as partes que nos formam, mas que não gostamos tanto assim são a união perfeitamente imperfeita de quem somos. Partes bonitas, outras nem tanto, mas todas, sem dúvidas, essenciais para nos fazer ser quem precisamos.

São muitas cores, texturas e camadas, muitas delas inomináveis. E que assim seja. E que saibamos, sobretudo, aceitar essa condição plural do existir cada dia mais. 

Júlia Groppo

Por julia às 07.04.22 Comentários

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